Dona Kinne

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Sobre Dona Kinne

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    GM Terceirizada

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  1. Resposta

    Nohime escutou em silêncio a voz emitida pelo casulo. Ao contrário do que aconteceu com Tomori, o questionamento da matriarca não a fez sentir raiva. Podia-se dizer até que entendia a criatura. Matar humanos fazia parte de sua natureza. Não se podia chamar de 'cruel' condená-la por algo que estava fora de seu controle? Compreendia o monstro, mas aquilo não a faria hesitar. Afinal de contas, Nohime também estava apenas tentando continuar a viver. — Entendido. — Ela respondeu à irmã enquanto passava os olhos pelos seus adversários. Resolveu mudar de posição. Não conseguiria se defender de todos os adversários ao mesmo tempo se a atacassem por todos os ângulos. Golpeou o chão com a parte cortante da arma, abriu uma fenda e saltou para dentro, fechando-a atrás de si logo em seguida. Usaria sua dimensão particular para contornar os adversários e aparecer atrás do que portava a naginata. Logo antes de emergir da segunda fenda criada, faria surgir em frente a ela um arbusto das flores sangrentas características de sua dimensão e golpearia-a com o martelo de forma a espalhar as gotículas de sangue no ar e evidenciar os fios que estivessem próximos. Considerando que aqueles adversários estavam sendo controlados, Nohime esperava ser capaz de ver porções de teia próximas ao adversário da naginata, como se fossem os fios de uma marionete. Moveria o martelo na diagonal, tentando cortá-los com o lado afiado da arma. Uma vez que terminasse sua movimentação, os inimigos teriam de reestruturar sua formação. Manteria-se atenta para defender-se dos ataques daqueles que chegassem em sua posição primeiro e saltaria para trás, para impedir-se de ser cercada novamente.
  2. [Vaehaven] Abismo

    Kyrie franziu o cenho, sem entender o que havia falado para ofender a diabo-do-mar e nem de que brinquedinho ela estava falando. Primeiro que ele não era mais criança para brincar com brinquedos, e segundo que ela não havia nem apontado para os bolsos dele. Onde é que ela achava que ele estava guardando um brinquedo? Na cueca? Quem faria uma coisa anti-higiênica dessas? Aqueles pensamentos não ocuparam muito tempo a mente da pequena divindade, no entanto, pois a verdade é que ele estava muito mais interessado no violino do que naquela interação social. – Perto do violino? Certo, vou lá então! – Ele respondeu como se não houvesse escutado a ameaça da mulher, o que não era muito longe da verdade dado a forma que ele havia a abstraído da sua mente. O loiro saltitou até perto do instrumento e ficou olhando para ele com os olhos cintilando. A espera pareceu tão longa que se o mestre não tivesse escrito que a suma-sacerdotisa chegou antes de terminar a sua mestragem, talvez o pequeno violinista não tivesse aguentado ficar sem tocar nele de tanta antecipação, mas, felizmente para todos, isso não aconteceu. Considerando que, meros segundos atrás, o garoto estivera se questionando se aquele não era um culto demoníaco de Lorde Zephyr, podia-se esperar que ele encarasse as palavras da suma-sacerdotisa com alguma suspeita. Quem esperasse isso, no entanto, estaria errado. Kyrie era alguém extremamente fácil de se manipular para quem conhecia os seus padrões mentais, e além disso, não havia nada que ele queria mais naquele momento do que tocar aquele violino. O garoto aceitou o instrumento com uma risada um tanto perturbadora que fez alguns caracteres arroxeados nebulosos flutuarem no ar ao seu lado. Analisou o instrumento cautelosamente, reparando em uma inscrição curiosa no corpo do violino. Estava em um idioma que Kyrie nunca havia visto antes, mas, estranhamente, sentia que ele conseguia entender que estava escrito que "Em seu palácio em R'lyeh, o morto Cthulhu sonha". – Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn... – Ele murmurou para si mesmo, fazendo com que Lady Leopolda, ainda parcialmente escondida dentro de sua bolsa, arrepiasse os pelos de medo. Enquanto aguardava a hora de tocar, Kyrie sentia a inspiração preenchê-lo. Uma nova melodia havia entrado na sua mente tão subitamente quanto o significado daquelas palavras peculiares. Seus dedos ansiavam por tocar, e assim que tivesse a oportunidade, ergueria o arco e começaria a sua melodia. A música começava com uma sequência de notas longas e lentas, como os movimentos de uma besta que acordava. A música que iniciava lenta ia ganhando velocidade, e o caráter peculiar das notas produzidas por aquele violino se tornava cada vez mais evidente aos ouvidos de Kyrie. Longe de inquietá-lo, no entanto, aquele aspecto 'errado' do som preenchia o seu corpo de uma euforia frenética que refletia-se na melodia. O som caótico reverberava pela caverna, transmitindo a todas as fiéis a grandeza daquele que sonhava e preenchendo a caverna de partituras musicais envoltas de uma aura verde nefasta.
  3. [Vaehaven] Abismo

    Kyrie arregalou os olhos, absolutamente confuso diante da resposta de Musa. Arriety não havia o dito que ela era 'como ele'? Então não era lógico que ela fosse uma espécie de divindade? E o que era aquilo de 'pesquisa' que ela estava falando? Por algum acaso era possível saber que alguém não era uma divindade por meio de 'pesquisa'? Aquilo realmente não fazia o menor sentido. — Bom, então tá, né... — Kyrie murmurou para si mesmo, esquecendo completamente de soar formal. Escutou atentamente às próximas palavras de Arriety, o que não significa dizer que compreendeu-as plenamente. Fez um sinal da cruz quando escutou a mulher falar que uma das híbridas era um diabo do mar ou algo assim. Aquele ritual cheio de velas vermelhas também não estava parecendo um pouco demoníaco? Tudo bem que aquelas pessoas estavam dispostas a lhe dar uma relíquia sagrada, e portanto não deveriam ser más, mas... Lorde Zephyr era muito ardiloso e inteligente. Talvez oferecer uma relíquia sagrada para ele fosse uma armadilha? Era por isso que Musa estava fingindo não ser filha de Lorde Zephyr e dizendo que ele também não era um deus? Ela sabia de tudo e estava dizendo para eles serem discretos? Certo de que havia compreendido tudo daquela vez, Kyrie despediu-se das duas da forma mais natural possível. — Ótimo! Eu, Lorde Kyrie, garoto normal, vou lá pegar a minha recompensa. Divirta-se com essa moça que também não é uma divindade! — Ele deu uma piscadela para Musa para ela entender que ele havia compreendido a sua mensagem e correu até o lugar em que seu novo violino o esperava. Ao chegar no topo do altar, o garoto não perdeu tempo: — Olá, moças! Eu matei o cara que a sua líder queria, agora, posso pegar meu violino? Eu certamente não sou uma divindade que deseja utilizá-la para usurpar o trono de Lorde Zephyr, então não se preocupem com isso! Eu também não tenho absolutamente nada contra diabos do mar, ou da terra, ou do ar, porque eu sou um mortal comum que não se preocupa com essas coisas!
  4. Resposta

    Nohime atentamente à explicação da irmã. Franziu o cenho sutilmente, sem conseguir deixar de se incomodar com a forma que Asichi e sua irmã haviam juntado forças para tentar enganá-la. Para tentarem fazer ela achar que Tomori havia morrido, de todas as coisas. Pensou em perguntar se aquilo era mesmo necessário, mas desistiu. Tinha a impressão de que já sabia o que Tomori ia responder. Aquilo era um teste para saber se ela seria capaz de raciocinar friamente diante de uma situação de grande stress. — Espero que você esteja mais segura agora... Que eu ficarei bem mesmo quando você não estiver aqui. — Disse. Seu tom de voz era calmo e indecifrável. Seu coração batia com força ao pensar na proximidade do último confronto. Seria a primeira vez que veria Tomori em ação. Quão forte ela realmente era? Estava ansiosa para saber. E se tudo desse certo, talvez, em algum momento do futuro próximo, ela pudesse caçar sozinha. Mesmo que estivesse vivendo como uma ferramenta para os interesses de outros, não era uma vida ruim. Tentou convencer-se disso, mas em algum lugar nos confins de sua mente, havia algo que a dizia que estava apenas se iludindo. Que permitir que uma organização como a DICE empunhasse seus impulsos assassinos para os próprios intuitos e não escolher suas vítimas por si mesma era algo digno de vergonha. Ignorou aquilo e seguiu a irmã pelo salão, esforçando-se para perceber todo o ambiente com sua sensibilidade espiritual e preparar-se para as surpresas a que Tomori se referia.
  5. Resposta

    O efeito surpresa que almejava criar com seu deslocamento pelos portais não fora o suficiente para impedir que a criatura reagisse ao seu ataque e a desarmasse. A garota segurou um grunhido de dor devido à dor em sua perna e não perdeu tempo em desativar o seu fullbring. Esperava que a súbita transformação do martelo em uma lâmina pequena e o ataque de Asichi fossem o suficiente para que a criatura soltasse o objeto. Ao mesmo tempo em que erguia-se do chão, a garota estenderia a mão para frente, puxando a alma de sua tesoura em sua direção para fazer com que seu fullbring voltasse para ela. Uma vez que estivesse novamente de posse de seu objeto de foco, a garota ativaria o fullbring para trazer seu martelo de volta. Moveria-o inicialmente para uma posição defensiva e atentaria-se aos arredores para pensar em seu próximo passo. Parecia que o inimigo havia adquirido uma recente nova mobilidade. Não conseguia prever o que ia acontecer, então o melhor era estar preparada para defender-se ou desviar conforme necessário. Em meio aos movimentos, não conseguiu deixar de se perguntar o que havia acontecido com Tomori? Estaria ela lutando com alguma outra criatura naquele momento?
  6. [Vaehaven] Abismo

    Uma vez que o embate havia terminado, Lady Leopolda apareceu de seu esconderijo e veio correndo na direção de seu humano com uma expressão meio assustada. Kyrie deu um suspiro cansado e ajeitou o cabelo. Não dava indício nenhum de estar abalado por tirar uma vida, mas também não demonstrava nenhum tipo de prazer naquilo. A impressão que ele passava era simplesmente de alívio por ter terminado uma tarefa irritante, porém profundamente banal. — Ultimamente, sempre que eu luto o meu cabelo fica uma bagunça. Acho que está muito grande. Será que está na hora de cortar? — Ele perguntou para a sua gata. Lady Leopolda miou em resposta. Como se conseguisse compreendê-la, Kyrie disse: — Verdade, talvez esteja na hora de um novo visual. Vou deixar crescer e começar a prender. — Após aquela conclusão, a pequena divindade começou a caminhar em direção às duas mulheres. Lady Leopolda prontamente pulou para dentro da bolsa do músico, não querendo interagir muito com nenhuma das duas. A fala de Arrietty fez Kyrie arregalar ligeiramente os olhos. Então, ele deu um sorriso lisonjeado. — Perigoso? Só se for para os infiéis. Assim que Arrietty virou as costas e começaram a seguir para dentro da caverna, Kyrie voltou-se para Musa e falou em voz baixa: — Não vos assusteis com o que direi agora, mas... Eu descobri a vossa identidade. Sois filha de Zephyr, não? Não é necessário negar. Eu, Lorde Kyrie, vejo tudo. Exceto pelo vosso nome. Digo, eu conseguiria vê-lo se eu quisesse, mas não é educado, então eu prefiro perguntar. Filha de Zephyr, que nome usais neste mundo?
  7. Resposta

    — Não era ela? — Aquela não era a resposta que Nohime esperava. Claramente, ainda havia aspectos das habilidades do inimigo que ela não entendia. Antes que pudesse obter qualquer esclarecimento quanto àquilo, o adversário reagiu, lançando um imenso ataque de teia na direção das duas. Nohime moveu a parte cortante do martelo contra a parede, criando uma fenda dimensional grande o suficiente para ela e Asichi darem um passo para dentro e fazer com que o ataque passasse direto por elas - assim como acontecia nos filmes de exploração de caverna, quando o herói se desvia de uma rocha gigante ao refugiar-se em uma passagem lateral. Ao contrário do que ocorria nos filmes, no entanto, Nohime não pretendia simplesmente esperar a rocha passar. — Eu vou chamar a atenção dele. — Disse, baixo o suficiente para que apenas Asichi a escutasse. O melhor ponto do fulllbring de Asichi era, com certeza, a forma peculiar que ela conseguia controlar suas flechas e explorar pontos cegos do inimigo. Tinha certeza que se conseguisse criar uma distração adequada, a garota seria capaz de explorar a oportunidade da melhor maneira possível. Aproveitando-se que tinha duas fendas abertas, a garota deixou-se cair para trás, para dentro da fenda que acabara de abrir na parede, para então emergir do buraco criado à frente da criatura. Em conjunto com seu avanço, a garota conjuraria três tentáculos em direção ao alvo. Utilizaria a parte espinhenta de suas flores para dar ao ataque um aspecto perfurante. Dois alvejavam cada uma de suas pernas, e o terceiro avançaria na direção do tórax. Assim que as construções começassem a ascender, Nohime saltaria sobre a base do terceiro tentáculo, usando dos princípios de manipulação energética para tornar o ponto em que seus pés tocavam ligeiramente mais elástico e possibilitar um salto contra o inimigo, seguido por um golpe do martelo contra a sua cabeça. Assim que seus pés alcançassem o chão, estaria pronta para usar o Bringer Light de forma desviar de um possível contra-ataque contornando o adversário pela lateral e levando seu martelo junto para mais um golpe nos flancos de seu corpo.
  8. [Vaehaven] Abismo

    Uma vez que havia conseguido fazer seu alvo escutá-lo mais uma vez, Kyrie esboçou um sorriso satisfeito nos lábios. A determinação do inimigo em continuar aquela luta, entretanto, levou aquela expressão a se contorcer em uma de desgosto. Os olhos de Kyrie eram os mesmos de uma pessoa que estava tentando limpar uma mancha especialmente difícil de remover. Era uma expressão que dizia "a sua existência é um incômodo". — Suponho que está na hora do gran finale então. — Disse o rapaz, embora sentisse que a beleza de sua apresentação estava sendo completamente desperdiçada naquele energúmeno. Desde o momento em que seu ataque acertara o marinheiro, o garoto já havia modificado sua melodia para a agora já familiar Gloria In Excelsis. Ao perceber os ataques que vinham em sua direção, o garoto deu um salto, usando as plataformas onomatopaicas criadas pela sua habilidade para ascender aos céus com maior velocidade e evitar a rajada de ataques. Dessa vez já estava preparado para a potencial ascensão da raposa inimiga. Concentrou-se em usar a sapientia para achar a direção de aproximação do inimigo e, uma vez que isso ficasse claro, estava na hora de usar a sua última combinação de músicas. Primeiro viria Tempestas Aurea, uma melodia tão imponente quanto o redemoinho de fogo que ela gerava. O ataque espalhafatoso, além de desestabilizar o fluxo dos ventos, afetando os movimentos de seu inimigo pelo ar, tinha a intenção de chamar a atenção do adversário para que ele não se atentasse ao que viria a seguir. O segundo movimento era mais uma reprise de Gladius Dei, gerando um corte aéreo que almejava o pescoço do marinheiro e, quem sabe, não poderia decepá-lo de uma vez e terminar aquela luta de uma vez por todas. Terminado aquele ataque, voltaria à Gloria In Excelsis para gerar as nuvens de onomatopéia que permitiriam que ele descesse até o solo com segurança.
  9. Resposta

    A imagem do cadáver de Tomori, atravessado pelo braço imenso daquela criatura monstruosa, assolou os sentidos de Nohime fazendo-a arregalar os olhos. Não. Era impossível. Não conseguia acreditar que sua irmã seria morta com tanta facilidade por um mero lacaio do inimigo principal. Aquilo parecia tão errado para ela que Nohime simplesmente não conseguiu acreditar no que via. Talvez não acreditar fosse uma artimanha inteligente de seu psicológico para conseguir lidar com a situação. Sendo ou não o caso, Nohime abraçou inteiramente a negação. — O inimigo tem habilidades ilusórias. — Ela repetiu para Asichi, como se achasse que convencer a outra da possibilidade de aquilo ser falso pudesse garantir que realmente era. Hesitou, lembrando-se do treino com Asichi no dia anterior. Quando lançara suas ilusões na grisalha, ela conseguira localizá-la da mesma forma usando a percepção espiritual. Mordeu o lábio. Por mais tentador fosse abraçar incondicionalmente a negação conveniente, se o que estivesse vendo diante de seus olhos fosse a verdade, do que adiantaria correr para cima do adversário e morrer de forma patética? Não era isso que Tomori desejaria para ela. — Use sua percepção espiritual. Você consegue senti-la? Se não, talvez o melhor seja batermos em retirada e chamarmos por reforços. — Cada palavra era como uma colher de vinagre que ela tinha de engolir. Aquele raciocínio fazia sentido. Era daquela maneira estratégica que Tomori queria que ela pensasse. Não obstante, era revoltante, era asqueroso ser tão fraca que precisava pensar daquela forma. Esforçou-se para perceber o ambiente com sua sensibilidade espiritual e procurar por Tomori. Mas também não podia fazer só isso. Se ficasse parada ali, seria um alvo fácil. A habilidade principal dos fullbringers era moldar a alma dos objetos. Nohime sentia que aquele princípio havia sido repetido para ela sem parar dentro das últimas horas. Estava na hora de usá-lo. Concentraria para tentar manipular a alma do solo próximo a seus pés e mudar sua textura, tornando-o mais sedimentoso, menos como rocha e mais como areia. Moveria o martelo em um arco fazendo a poeira subir pelos ares para que pudesse ver melhor as silhuetas dos fios que a adversária usava. Feito isso, a garota avançaria em direção ao adversário, certificando-se de manter-se a uma distância em que seus braços ainda não conseguissem alcançá-la. Abriria uma de suas fendas no chão e, assim como fizera no treino do dia anterior, conjurara um tentáculo de flores de seu interior para atacar a criatura a média distância. Focava energia espiritual na sola de seus pés para poder desviar com o uso do Bringer Light no momento em que fosse alvejada por qualquer ataque inimigo.
  10. Resposta

    Por mais que a matriarca parecesse saber que ela estava apenas ganhando tempo, não resistiu a responder o que ela diria. A resposta, infelizmente, não lhe trazia nenhum conhecimento. Aqueles que eram fortes e livres não temiam nada? Ela já sabia disso. O problema era como ser forte, como ser livre... Talvez fosse inútil pensar naquele tipo de coisa quando estava prestes a morrer, mas também, todo pensamento é inútil quando se está prestes a morrer. A manifestação das reiatsus de suas aliadas estourou às suas costas, indicando que sua tentativa de ganhar tempo havia sido um sucesso. As últimas palavras de sua inimiga foram muito mais prestativas que as anteriores. Uma ilusão? Devia ter imaginado. Só abrira um portal. Era difícil que todas aquelas criaturas conseguissem entrar na sua dimensão pela porta pela qual acabara de passar sem que ela sequer percebesse suas presenças. Talvez tivesse superestimado o inimigo. Sua volta à realidade foi acompanhada pela fala de desaprovação de sua irmã. Parecia que, ultimamente, todos à sua volta só queriam saber de lhe dar lições de moral. Resolveu não responder à irmã. Aquilo só a faria continuar a enxergá-la como uma criança. Havia também outra coisa. Por algum motivo, não queria brigar com a irmã com Asichi por perto. Como se estivesse conversando com uma superior com a qual não tinha intimidade, Nohime relatou as informações que tinha da forma mais concisa possível: — São oito inimigos. Cinco crianças, uma criatura humanoide de grande porte, um híbrido entre humano e aranha e uma mulher. Esta última é a líder. Ela pode usar habilidades ilusórias e utiliza fios cortantes para atacar e amarrar os adversários. Não sei se essa última parte importa, mas eles todos se tratam como se fossem família. É possível que suas habilidades sejam todas da mesma natureza, ou pelo menos sigam o mesmo tema. Uma vez que havia terminado, ela virou o rosto para Tomori e depois para Asichi. — E vocês? Descobriram alguma coisa? — Perguntou.
  11. [Vaehaven] Abismo

    — Uma raposa que voa? Meu Eu, o cão é muito bem articulado... — Kyrie deixou escapar uma exclamação de surpresa, mas aquilo não o impediu de continuar a sua performance. Seu ataque pseudo-aquático teve sucesso em acertar o marine e, de quebra, tirou um pouco do impacto de seu soco. Mesmo assim, o garoto sentia uma dor na lateral de seu corpo que deixava claro que ele não queria tomar nenhum dano direto daquele homem. Enquanto pensava em seu próximo movimento, o marinheiro fez algo que fez uma veia saltar na testa da pequena divindade. Não havia nada no mundo que deixava o garoto mais puto do que quando seus oponentes faziam aquilo. Como aqueles humanos idiotas ousavam TAMPAR OS OUVIDOS diante de sua melodia divina? Aquilo era o maior insulto que um artista poderia receber. O fato de suas músicas às vezes terem efeitos psicológicos desagradáveis era completamente irrelevante. Você não tampa os ouvidos quando você está escutando um prodígio tocar. — Lixos sem sensibilidade artística como você não possuem um lugar no meu novo mundo... — O garoto murmurou para si mesmo. Seus olhos estavam bem abertos, dando ao seu rosto um aspecto de insanidade perigosa onde antes talvez só pudesse se enxergar um maluco beleza. Da mesma forma que seu oponente voltava a usar um ataque semelhante ao anterior, Kyrie moveu a haste sobre as cordas do violino fazendo surgir novamente ao seu redor a redoma cursiva do Parce Domine. Assim como antes, irradiaria as letras para fora de forma a afastar as pedras lançadas em sua direção. Feito aquilo, trocaria sua melodia para a única melodia possível de se tocar em seu atual estado de espírito, a sua opus magnum... — Dies irae. Diferentemente de antes, o garoto movia seus pés em compasso com a música em uma espécie de dança que permitia que dificultasse que o homem previsse exatamente seus movimentos na hora de se aproximar para atacar. Era mais difícil prever a progressão de uma dança sem escutar a melodia, e Kyrie achava que usar o fato de ter resolvido tampar os ouvidos contra o seu adversário era justiça poética das mais refinadas. Enquanto a pequena divindade realizava sua performance, as letras do Dies Irae pegavam fogo e eram lançadas de forma caótica para todos os lados, talvez aproveitando-se inconscientemente do fato de estar no terreno elevado. Mesmo que não conseguisse ver de onde o inimigo viria, podia dificultar que chegasse até ele. Uma vez que tivesse visão clara do adversário, trocaria a música novamente para a Gladius Dei e miraria um corte em suas orelhas, tentando rasgar a faixa que ele usara para prendê-las. Não importava que acabasse saindo pedaços da orelha em si. O importante era que seus ouvidos estivessem abertos.
  12. Resposta

    Mesmo com a guarda alta, Nohime não conseguiu impedir-se de ser encurralada pelo inimigo antes mesmo de perceber sua presença. Exatamente como aconteceria em um filme de terror, a personagem com o design de figurante fora a escolhida para morrer primeiro. A única coisa que tinha a seu favor era que a mulher escolhera conversar com ela em vez de assassiná-la de imediato. — Obrigada. — A garota respondeu ao elogio feito à sua dimensão com um sorriso sincero, embora houvesse nele algo um tanto melancólico. Era triste constatar que, de certa forma, sua psiquê tinha mais em comum com aquelas criaturas que a sociedade havia designado como escória do que com os outros humanos. Uma vez que havia deixado claras suas condições, o cérebro da garota começou a trabalhar, em busca de uma mentira que apaziguasse a mulher. Foi então que lhe veio, de súbito, a realização de que a melhor coisa que poderia fazer era falar a verdade. Não a verdade nua e absoluta, mas a verdade moldada e distorcida de forma conveniente - não, no entanto, ao ponto de deixar tornar-se mentira. — Eu vim aqui porque... Eu queria me tornar mais forte. Para me tornar livre. Sem querer abusar de sua hospitalidade, será que antes de eu partir, você poderia me dizer como você consegue? Quero dizer, como consegue ser forte e viver sua vida livremente apesar da presença de outros que querem destruir sua felicidade? Não atreveu-se a tentar um movimento traiçoeiro. Mantinha o martelo na posição defensiva em que estava quando entrara ali. Aquela não era uma batalha que ela pudesse vencer com força bruta. Tinha de se usar suas palavras para estender ao máximo aquela interação e esperar que suas aliadas percebessem o que havia acontecido.
  13. Resposta

    Não tinha como negar que o aviso de Tomori sobre encarar aquilo com seriedade era direcionado especialmente para ela. Lembrou-se do ferimento em sua coxa, resultado de sua imprudência anterior, e se perguntou se aquilo não poderia atrapalhá-la em uma situação de batalha. Bom, se Tomori tinha a trazido com ela, devia achar que estava tudo bem. Era mais um motivo para ser cuidadosa, no entanto. Surpreendeu-se com a tarefa que a mulher deixou para ela. Compreensão sobre habilidades espirituais não era o seu forte. Se bem que talvez houvesse sido exatamente por isso que Tomori havia lhe dado aquela ordem. Aquilo também era um treinamento para ela, de certa forma. "Dividir o grupo não é um clichê de filme de terror que sempre resulta nos protagonistas sendo mortos um por um?". Nohime apreciou sozinha sua piada de mau gosto. Seus lábios se curvaram em um sorriso debochado, mas a escuridão o engoliu quase que por completo. A garota tentou concentrar-se para perceber as particularidades da energia espiritual que emanava da parede, mas não conseguiu aquietar sua mente. Aquele cheiro de sangue estava a deixando louca. Girou o cabo de sua arma e abriu um portal à frente de onde estava. Havia uma certa equivalência em termos de espaço entre sua dimensão e o mundo humano. Se aquela parede fosse apenas uma barreira de pedra, talvez fosse possível se deslocar para o outro lado passando por seu jardim, mas se houvesse um selo espiritual, talvez alguma barreira visível aparecesse na sua dimensão impedindo a passagem. Pensando nisso, deu um passo para dentro de seu jardim e verificou o ponto equivalente a onde a parede se erguia. Segurava o martelo com as duas mãos em uma posição defensiva. As flores de entranhas que povoavam o seu mundo balançavam de um lado para o outro como se dançassem em uma brisa calma. Nohime sincronizou sua respiração com aquele movimento suave e concentrou-se, tentando perceber qualquer coisa espiritualmente fora do comum ou qualquer aproximação hostil.
  14. Resposta

    — Oh? Quando eu vou ganhar meu uniforme também? — Nohime perguntou. Sentia-se um pouco deslocada com sua combinação típica de moletom e calça jeans. Escutou atentamente as informações sobre a distribuição de pessoas no local. Não esboçou nenhuma reação de surpresa. O que era realmente surpreendente era o fato de uma novata como ela estar participando de uma parte tão crítica de uma missão tão importante. Tinha a influência de sua irmã para agradecer por isso. Caminhou ao lado das duas em silêncio, concentrada no cheiro do que quer que estivesse no fundo da caverna. A liberação do Fullbring de Asichi a fez estreitar os olhos brevemente por conta da luminosidade. Tirou a metade de tesoura do bolso, girou-a e liberou o martelo. Não ajudava na iluminação, mas caso elas fossem atacadas, aquele instante extra para liberar o Fullbring poderia fazer falta. — Usaria a particularidade do meu Fullbring para me aproximar do adversário e transformar a situação em um embate de curta distância. — Respondeu. A seu ver, aquela era uma das coisas que havia feito em seu treinamento contra Asichi que havia dado certo.
  15. [Vaehaven] Abismo

    — Errado, humano tolo! Estes poderes advém da minha divindade e não de um mero instrumento! — Bradou o garoto. Seria bom para todos que Aisa acreditasse no que Lorde Kyrie dizia e não tentasse roubar Glória, ou a humanidade teria que presenciar naquele dia a cantoria de Lorde Kyrie, algo para o qual possivelmente ninguém estava preparado. Ao se ver alvejado em três direções diferentes, o garoto alterou os movimentos de suas mãos, convertendo aquela melodia rápida e cortante em uma leve e inspiradora. Pequenas onomatopeias brancas como nuvem surgiram numa escadinha diagonal da esquerda para cima, provendo-o com uma rota que o permitia escapar dos três cortes de uma só vez. O garoto moveu-se rapidamente, permitindo que a escada fosse se destruindo a cada passo que ele avançasse por ela, de forma que no final restasse apenas o piso em que ele estava de pé. Apesar de não poder prever o que o homem ia fazer enquanto se esquivava, pelo que ele sabia, raposas não podiam voar, então se chegasse alto o suficiente poderia frustrar a tentativa de ataque de seu adversário. Ainda em meio ao ar, o garoto apressaria novamente o compasso de sua melodia. A próxima música criaria uma onda de onomatopeias azuis, onde o garoto apoiaria os pés para não cair no chão após a interrupção de sua técnica anterior. Teoricamente, se mantivesse o equilíbrio certinho seria capaz de surfar na onda que ele controlava para avançar contra o inimigo. Talvez sua experiência como navegador o ajudasse com isso, talvez não, apenas o mestre poderia dizer. Se tudo desse certo, ao final de seu ataque ele estaria com os pés seguramente no chão. Pausaria suas ações momentaneamente para ativar a Sapientia e localizar o inimigo antes de formar outra onda de Mare Irate para flagelar seu adversário.