Chat
    As regras também valem aqui. O flood é parcialmente liberado mas não exagerem! Regras e punições na shout: http://unionforum.top/index.php?/topic/3532-v-10-regras-da-shout/#comment-73934
    Load More
    Use sua conta do leitor ou Fórum Union para mandar mensagens ou cadastre-se já!
Entre para seguir isso  
Seguidores 0
Geu

Póesia Poesia do Geu

71 posts neste tópico

 

Moldura

 

Eu estou aqui

É um quarto invadido pelo verde

Por suas tonalidades... É uma pintura velha, uma emoção

Um sol amarelinho vindo baixo e se escorregando nas paredes, é um frescor da brisa

E logo depois um canto sem vento, um canto silencioso, um lamento sem murmúrios, sem palavras

O calor paira no ar e repousa nos meus ombros

Meu braço direito, no ombro, está cansado, está desmantelado

Está faltando algumas peças ou está se lembrando de alguma cicatriz lá no meio, da carne, na junta dos ossos

Nossos nós estão todos desatando...

Estou só

Caindo na brisa da noite, pra baixo ou pra frente, como quem voeja violento, com imponência à cortar o céu noturno, mas, sem querer

É como se eu fosse tragado pelo desejo de ir, em frente, meu corpo respira, os cabelos estão grandes, e silvos, e emaranhados, se debatendo contra o vento, e eu vendo tudo isso, sem saber reagir, apenas ir, é como respirar

Meus olhos estão todos negros, mas espelhados

Brilhantes, com as estrelas neles, e a via láctea

Por quê o mas?

Porquê as pausas e as perguntas...?

É um quarto verde, e uma janelinha quadrada no canto superior direito, mas bem no centro da parede, questão de perspectiva

Altiva, ou mais ou menos

Cinza, de madeira, desbotada, tinta pouca, barata

Mas está lá já há um bom tempo

E minhas memórias? E o eu que me sinto sendo? Estou sendo? Pra quêm? Quem já não esqueceu?

Eu tenho que ir

Eu sinto saudade do que não existe ainda

E eu tenho medo

De verdade

Mas eu sei que vai existir

Eu me sinto paralisado

É como se a própria afronta pusesse uma cadeira de balanço do meu lado e se sentasse próxima a mim

A me afrontar

Em silêncio

Com os olhos e uma cara de decepção

Todas as minha ponderações, meus medos

Meus vacilos

Todos juntos olhando pra mim com reprovação

Uma convenção de eus defeituosos, virtuosos, sonhadores

Difíceis de ser, raros, eu às vezes

E meu ombro está explodindo

Como um braço de metal, uma máquina, se desmontando, rolando a cabeça e soltando os parafusos, liberando fumaça e derrubando cada placa de metal

Uau!

É na verdade uma dor no peito?

Já não é mais um quarto solitário

Já não estou mais só, porque não consigo ser o mesmo eu de antes?

De antes da porta bater e alguém entrar

Evaporei

E agora o calor é mais intenso

Está sentado no meu colo

De uma maneira sensual

É uma amante machucada

Como eu

Somos uma fogueira de pau verde

Um fogo mortiço

Mas uma memória de um fogo bom

Eu ainda posso ver, a bem dizer, pelas suas madeixas

Seu mesmo olhar

Agora retocado de cinza, nas olheiras

Mas um olhar não tão cansado

Ou de um cansado bom

Talvez seja assim que deva ser por um tempo,

Eu contemplo.

Eu estou sem ter o que fazer agora

Meu braço está doendo e eu gostaria de imaginar que eu consegui tirar a tora do meio da carne, do meio dele

Consegui rasgar a camiseta branca com os dentes, e com o outro braço

Enquanto pingava suor e sangue, eu consegui me amarrar e fazer o sangue escorrer escondido, mais lento

E depois coagular, afogado

No curativo

Me deitei no verde

Lá de fora do quarto

E fiquei olhando pra cima deitado, em paz

Ou pra frente, colina abaixo, ou pro horizonte

Ou pra lugar nenhum

Eu gostaria de poder dizer que eu fiz isso nos últimos vinte anos

Mas eu fiz algumas vezes

Mas eu já não sei se lembro como

Como era a sensação

A euforia

Há somente um calor, uma dor, e um medo de viver

Um peso na cabeça

Que eu devia parar de matutar

Mas não devia esquecer

Superar

A palavra

E você?

 

Desaparecer

 

De todas as pessoas

Eu me faço mais falta

 

Sinto falta,

E sonho me achar

 

Não precisa ser algo que eu já fui,

Ou não importa se era eu apenas por um tempo

 

Eu sinto falta, quero me abraçar

Quero falar comigo

 

Quero pedir conselhos,

Quero um confidente

 

Quero tão somente parar de me ver todos os dias

De me ver na esquina, na padaria, na hora da janta

 

Me vi ali na praça, e vi um magote de eus.

Chega.

 

Quero mais não

Não quero tantas tentativas, tantos rascunhos

 

Já deu.

Já passou a vontade de riscar

 

Me quero de volta

Quero meus olhos pelo menos

 

Ou a minha consciência

Senciência

 

Quero saber alguma coisa que eu já sei

Mas que insisto em esquecer toda manhã

 

Insisto em fazer de mistério

Em fazer fumaça, fazer mágica, fazer desaparecer.

 

Sexo há três

A fantasia, o mel rosa escoando da boca, e pincelado nos lábios, no rosto

Com os dedos

Sujos, atabalhoados a tocar: se tocar, tocar o outro

Contornando as formas, dedilhando, hora firme hora néscio

Todos movimentos mudos

Conturbados

Como se algo explodisse dentro dos corpos, que em vão tentam se conter, se contém

Até que explodem

São como barracas de pele de animal, couro seco amarronzado, acobreado pairando sob hastes de osso branco, e as estrelas, não ficam no céu noturno, ficam dentro de nós

A sós

Comendo seu corpo, enquanto nossos seres incorpóreos, nossos fantasmas zombeteiros fazem um outro sexo que é difícil de descrever

Um sexo romântico, um ponderado

Um imaginado ou um real?

Lá na frente, foi tudo isso, ou foi mera ilusão de ótica, ilusão dos poros

Dos buracos

Dos olhos atrapalhados e arregalados, postos pro alto com um brilho, e logo depois fechados com força contra si, com suavidade

Do sorriso que parece esperar algo se acertar, estar menos enevoado, e logo depois sorri contido

E depois fala, e grita

O que há depois? Que fico só

Com os cabelos como uma selva negra

Uma relva misteriosa

Uma dor no membro no meio das pernas

E um olhar parado, satisfeito

...?

De semblante enegrecido, moreno

De olhos claros e silvos

Um desenho certo, sem rabiscos ao derredor

Pelo menos por enquanto

As incertezas todas, voam como vaga-lumes para longe

As estrelas vão a uma outra galáxia

Fico no escuro, no espaço

No colchão branco, no canto do quarto, sob uma luz amendoada

uma culpa dentro de mim

Depois de toda a explosão, toda a luz e a evolução da vida

Das indas e vindas

Da sociedade e do pensamento moderno

Da arte, das artimanhas futuras

Da morte e do final

Vem do escuro e afinal retorna pra lá

Uma vontade de chorar

Mas não chorar

Só um ficar triste, combalido

Abandonado

São lembranças da vida que levei, do que penso, de como lembro

São pedaços de memórias batidas num liquidificador

Um gole amargo, uma só dose

Parece que dura mais tempo, mas depois eu estou tomando banho

Fazendo sexo com a água fria do chuveiro

Me sentindo um com ela, fazendo sexo comigo mesmo que voltei de alguma viagem

Que voltei de algum lugar

 

Prlo

 

Interações

Requerem ações

Imediatas

Imediatismo

Eu...

 

Eu fico me perguntando aonde foram parar aquelas paisagens cinzas, aquele chão de areia pontilhado por fios de grama sob um céu azul mais mortiço

Um cortiço ao lado dos meus dois pés, um dos pés eu perdi um dedo

E isso parece fantasioso pra essa memória

Parece que é uma outra pessoa, um sonho de fracassar para alguém que sempre deu tão certo

Andava sentindo a terra, o ar, o gosto até no clima morto de canto abandonado

Estava sozinho, envolto em convenções haver com fracasso

Aço, osso

Coisa dura

Mas às noites, quando dormia depois dos dias de sol, e sorrisos

Dos dias quentes, dos ares frios saindo da boca, das bocas, refrescantes

Das noites, as madrugadas livres e animadas

E metafóricas, eufóricas, eruditas e banais

Sexo

E pelo pubiano

Cheiro de álcool, um álcool que só eu bebo e não é da conta de ninguém

Não dava conta de ligar

 

De noite, dormia.

E sonhava com uma versão de si mesmo morta

Presa dentro de casa, presa dentro de si

Limitada

Parada

E conformada com isso ou conformada

Com as tentativas que já tinha tentado

Deixado pra lá

Vivia ali a vida sem ser mais sua

Uma alma carregando um peso morto de carne, um zumbi

Enquanto poderia aceitar logo a morte e sair voando, no céu soturno

Carregava com os braços cansados, mas fortes, mais fortes

Cada esforço a cada dia, todo dia de esforço, um escravo

Todo suado, e todo rabiscos

Todo atrapalhado,

Seus traços todos se perdendo, e indo vivendo

E os anos passando

À paz não dava seu tempo, e ao tempo de guerra dava o fracasso

Se dizia cego, mas talvez fosse mentiroso

Ludibriado com as próprias convicções, com as próprias teorias

 

 coesão

 

Não gosto mais de você,

E isso é difícil de admitir

É difícil jogar seu cadáver

Ou as promessas

O seu corpo nu

Seus peitos e sua bunda

 E seu cu

Pra baixo

Pro ar

É difícil me jogar junto

Tanto eu em você

Tanto eu preso e emaranhado, cabelo com cabelo, fios finos

Risco de lápis grosso passandorente a garganta

Eu não via mais nada

Apenas o som ensurdecedor

O suor

O enjoo

Não sentia mais prazer

Em cheirar o pó da terra

Não me sentia pronto pra viver largado

Não conseguia romantizar a solidão, nem bebia

Sonhava em afogar-se em álcool, mas não bebia

Não ia a lugar algum, nem mesmo a lugares errados

Ficava eternamente

Ad eternum

Infinitum

Ficava

Sem o sabor

Sem o doce de se conhecer

De saber quem era que estava ali outro dia

Quem era aquela triste companhia nas horas mais difíceis

Entre as frestas, entres as fitas, as pulseiras, as cordas que pendem do céu

Ueeel

Os sinos tocam, os batentes brancos batem forte na cabeça atordoada, lasca, abre e o sangue corre

Escorre e você morre

E está vivo, e não é bom como parece

Não é uma resiliência, um manter-se de pé

É uma convulsão

E uma confusão de palavras, a boca um mar de vômito preto, um engasgo de algas

Com o braço branco fino e engiado, com os dedos torcidos, enfia trêmulo na goela, puxa

-Puxadela-2

Alguma palavra, algum novo sentido, algum papel a assumir na vida, enquanto cumpre turno, cumpre carga horária

Quando vamos começar a construir o que pensamos pra nós?

Mesmo que pensemos mal, pensemos errado

 Erramos

Somos o mais baixo, vil e desprezível

Um diabo negro, de bucho quebrado de pau na mão e rabo entre as pernas, cabeludo

Com a cara ruim, com os olhos cor de sangue

Mas podemos fechar os olhos um instante

Ignorar todas elas

Todas as pessoas

E seguir.

 

pernas

 

Quando as pessoas vão começar a notar?

Que estou cansado

Que estou parado

E que me sinto mal

Quando vou notar o que elas notaram

Quando vou ser diferente do que tenho sido?

Quando vou quebrar essa roda

Esse feitiço macabro

Eu desisto de arrumar a casa pros outros

Eu vou me ouvir mais

Uma hora eu falo pra mim

E me respondo

Troco mensagens a distância

 Gracejos

No escuro do meu eu

De novo

Me vejo de novo

E quem sabe não me deixo ver

 

 

Ensaio

Madrugada

Já faz um bom tempo

O que eu tenho para dizer, agora?

Quais são as palavras

Os pontos chave

No meio desse pântano, desse musgo escorregadio, desse lamaçal

Desses rodeios

Desse meu passeio pela vida

Andei, e já fazem três anos

Essai

Say something

In other words

Perspective

Other i

Another neologismo

Tentar pensar de maneira nova, é errado

O certo é pensar somente, o verbo puro

O novo somos nós, com o passar das experiências

Dos ensaios, e das apresentações

Da sensação da cortina, saltando das mãos, das pontas dos dedos, áspera

Voejando pra frente do corpo e se abrindo, abrindo a figura minha, nossa, bem arrumada

O sapato apertando o pé, moldando nossa forma

Temos que estar apresentáveis, não só isso, fantásticos!

Somos o próprio espetáculo, que queremos vender

Há tanto a se ver por ai, porque me ver?

Às vezes, é época de vacas magras, me sinto como um dono de um show fracassado, melancólico

Com aqueles apetrechos todos, aquelas quinquilharias, as memórias no fundo de uma garrafa, de pouco álcool, agora, molhada de terra misturada com chuva, um litro pesado, um vidro dobrado muitas vezes sobre si

E uma escrita inconstante

Que esperava?

Uma iluminação,

Logo agora? Com a espada há tanto tempo embainhada

O corpo parado

Sem treino

Mas os braços mais maduros, o rosto mais peludo

Sobre o que é esse ensaio?

Ensaio sobre as madrugadas, a boca da noite e a garganta seca

O fio de água que não escorre por ela nem pelo nordeste

Essai

Poema

Fumegante, lilás suave, no meio de vários orixás, e coisas de religião

Coisas pra se encontrar

Tradição

Muita dição

Pra onde ir, pra onde não ir, muitos dizeres

E as rimas enterradas

Tudo tão turvo e cansado, tudo num esperar diferente

Num contemplar

As folhas da floresta no céu

Já estou andando por lugares novos, já há um tempo

Não anunciei

Não enunciei minhas aventuras

E daqui a pouco eu vou me deitar, o corpo, e dormir

O espirito já está deitado, por incrível que pareça, já está há um tempo, e não foi incomodado

Ainda está ali, em paz;

 

 

Foi gostoso de ler,

De ver você de novo no papel

De passar a mão na face nua da folha

Branquinha

E ir lhe desnudando, ao tirar a folha do envelope, ao deslizar a carta para fora, ao desdobra-la, tira-la de sobre si, cheira-la de maneira lisonjeira, educada, e depois cheira-la de maneira suja como não se deve cheirar uma flor

E ler, ali, aquelas palavras negras que você escreveu, sim, você falava sobre si, sobre tudo

Abria tudo e ficava a me encarar, pela janela, onde escorria uma gota de chuva pelo vidro, à cortar o horizonte cinza tomado de assalto por nuvens frondosas, parecidas com movimentos de pincel

Escorria também o suor, pelas minhas costas, pelos meus pelos, corriam de mim e saltavam para você, ê, corriam também as lágrimas, agora, vi que quando você escreveu também, o papel estava manchado. O céu chovia daí onde você estava, vi no aplicativo do celular, mas aqui fazia sol, calor, as pessoas andavam na praça, na orla da praia, não tornava o clima menos melancólico

A renda estava de novo nas minhas mãos, amassada

Mas a minha amada não estava ali na minha frente

O engraçado é que parece que foi eu quem escolhi isso tudo, que não foi tudo obra do tempo

Dos passares de página apressados, atabalhoados do destino, às vezes dos passares lentos, sendo justo e ainda crítico

Ele parece não saber ler um livro, quem dirá de uma carta? Uma carta de amor? Deveria ser mais fácil, amar.

Hoje o sorriso, os lombos suados, a barba encrespada, os riscos no rosto, está tudo cinza de novo, sépia em contraste com a felicidade de ver que o tempo passou, não seria, ora, desesperador começar a ler um livro e não se ver nunca progredindo com a história? A leitura, ora, o verbo, qualquer um, é sempre uma ação

E esse pássaro que assim se chama, se vai, e voa

Nem sempre escrevo sobre mim mesmo.

 

Companheira

 

Eu preciso de uma companheira

de uma parceira de fazer besteiras

preciso me desmantelar

tirar a roupa, tomar um ar

fazer alguma brincadeira

alguma cantiga, uma entonação

e só então, sorrindo, com os dedos sujos de tinta

um sorriso, uma mordida nos lábios, virado dois dias

eu e você

vamos correr, eu preciso correr, corre comigo?

eu preciso de um amigo, mas quem é que tem tantos?

ou tão prontos para os caprichos da tristeza?

quero ter esse momento particular

secreto, oculto

poesado? Não.

só sujo

sexual

vivo, real

um gozo

e uma conversa boa

uma aventura

 

 

Atirar, dois buracos de bala no peito

No seu,

No meu já há um leito

De maldizeres, de memórias perturbadas

E sonhos vivazes

O sangue pode escoar pesado e tenebroso

Não preto, preto é bom

Em você, mas em mim escorre rápido

Escorre como um suco quente, colorido

É um orgasmo, a bem dizer

Eclodindo na nuca, dois buracos

Passo a mão, sinto o cabelo raspado

A cabeça livre e nova, sinto o sol e uma manhã diferente

Sinto roupas velhas como roupas novas, sinto roupa nenhuma

Sinto a rola balançando, a barriga descansada, os pelos nus, mas sinto a pele diferente

A alma à movimentar animada as maquinarias do velho novo corpo

É como um show de luzes numa gaiola encoberta por um pano branco, uma tela já pintada, por pintar, a continuar rendendo

A arma na minha mão pesada

Suja do seu sangue, suja com as minhas lágrimas

Mas às vezes o que resta é chorar

E vai no choro tudo que estava dentro

Vou me esvaziando

O sangue todo indo embora

E eu permaneço branco de pé

Com manchas amarronzadas debaixo dos olhos e os lábios roxos e ressecados

Recentemente beijados

Os cabelos a mudar de cor, como se o tempo fosse correndo só em mim, num momento pequeno pro resto do mundo

Imundo, visto a calça, a blusa branca

Saio para tomar um ar

Eu não morri.

 

 

Escrever pra quê? Bah!

Me encontrar?

Parece que eu espero

Espero

Mas não vem

Só fico aqui de olhar cansado

Queimando no inferno

Mas respirando

Sentindo, fazendo

Mesmo num exercício inútil

Vai vir, eu sei

Dá pra sentir

Dá pra sorrir, às vezes

No sol

Uoooooou!

Dá pra bocejar, se imaginar

Diferente. Ou como é realmente,

Mesmo que a gente se trave pra outras pessoas,

Mesmo que ninguém saiba quem somos nós, quão profundos ou quão fúteis

Não importam valorações

Importa conhecer

Estar

Estar com o outro e ter alguém

Com você, vendo o que parece que só você enxerga

Mas pra quê?

Porque pra quê? Pra quê perguntar?

Que importa justificar o desejo?

De ter você entre minhas pernas,

De jogar meus lábios contra os seus,

De não jogar mais, de ir ali

Beijar um outro alguém, não beijar,

Ir lá, prali, acolá, ver a praia, o mar,

Tomar uma skol

Skull

Sentir a pele murchando e colando na caveira,

Olhar pro ar, no alto, ver

As coisas como eu quero, não sendo irrealista, não se enganando

Mas eu posso fazer algumas coisas do meu jeito,

Eu posso correr atrás de algumas coisas

Há tempo, há brisa.

 

 

Queixa

 

A tinta vai caindo,

A argamassa, a armação

O teatro do rosto já não tem mais plateia.

 

Epopeia mentirosa,

Sorrisos fundados em prosa

Conversas para boi dormir

 

As gotas brancas vão caindo.

Diluindo os azuis marinhos,

Entranhado nos cabelos desgrenhados lisos, arrumados

Entre os dedos das mãos que confortam os fios na orelha enquanto levam a água ao rosto encharcado de tinta

 

Tirando camada por camada, se desnudando, até abrir o oco

Esfregando, refregando, até sumir o nariz

Os olhos

Até que se vê, o reflexo do passado nos vê, e se decepciona.

 

 

Plástico!

 

Eu recebi o seu buquê de flores.

Eu senti o seu perfume mais uma vez, e lembrei dele misturado com o seu suor.

Eu li o recadinho no quadradinho de papel.

Cheirava bem. Papel novo. E o plástico que embalava as flores era cheiroso também.

Melhor eram os cheiros delas, um cheirinho de passado.

De água escorrendo da mangueira no chão de areia, formando uma crosta de água, um piso.

Cheirinho de água de manhã, quando todo mundo vai aparar água das cisternas.

Toca MPB no vizinho, mesmo sem se perceber, toda manhã toca.

E o sol, ah o sol! Ele é maravilhoso!

O sol da manhã é magia! É um toque orgásmico, é vida.

Ah, mas é de verdade.

De primeiro, todo dia a gente namorava com o sol.

A gente sorria sob ele, andava pra lá, pra acolá, passeava.

Passava nas ruas, pelos calçamentos, pelas estradas de piche e pelas de barro.

Pelos terrenos baldios entre as casas sem reboco dos lados.

Pelos pés de planta quebrando o cimento com as raízes; e as outras raízes dos ramais de fios de postes enganchadas no céu.

Ia alto e claro, depois quente e implacável, imóvel;

Depois debilitado e fraco, uma vela se apagando.

As nuvens tão levinhas, tão disformes, indo conforme o vento, os sopros.

Castelos sem escopos, sem escrúpulos, apenas indo embora.

Ir embora.

Do campo de terra, do futebol à tardinha.

Dos ralões nos joelhos, do gosto do catarro na boca e da fungada pelo nariz, que de vez em quando desentupia e colhia uma lufada de ar, pelo corpo novo, adentro;

O sangue escorrendo pelos detalhes riscados, uma dor ao mover a pele, e mesmo assim movíamos a pele, pegávamos na ferida até sujar os dedos e sentir o sangue quase sólido, palpável, empapeando as digitais.

Suor,

E pior,

Vocês do meu lado

Apenas no passado

Você do meu lado

Em algum dia ai perdido

Dia ido

E na lembrança não fica melhor

Mentira.

Melhor era no dia lá, a gente sabe quando tá vivendo aquele dia enquanto está vivendo ele.

É um orgasmo de vida, é um estalar nos neurônios, como um tapa de cocaína, um troço magnífico e místico, mágico, intrancedente.

Você não pensa que vai acabar, eu não pensei.

No fim do dia, você saboreia o fim assim como o início.

Saboreia.

Essas flores rosa, esse rosa rosa, esse rosa absoluto e estonteante,

Há quem olhe e passe rápido pelos elementos, ignorando todo pormenor,

Vivendo a vida acelerado, perdido num vulto,

Num mundo deles;

Caindo,

Sem sentir nada, apenas a ilusão de sentir alguma coisa.

Coisa boa, coisa má, coisa macabra.

Tinha a fitinha também; uma corda pequena, mas trançada nos mínimos detalhes, púrpura;

Roxa.

Ou lilás.

O sonzinho do pegar nas flores, o plástico amassando e remoendo e estalando todo, enquanto brilha e transparece as flores adentro, reluz afora, aflora os meus sentimentos romantizados e perdidos.

Vi um outro cartão azul,

Decidi parar de ler,

PARE DE LER.

 

 

 

Rebirth, Skyfall e Nie curtiram isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Eu estava olhando para baixo

 

E embaixo de minhas mãos suadas, agora borradas pela visão, eu via folhas pretas

Preto, mas se você as olhasse bem veria que era um preto meio fosco, que se esticava pela superfície da folha, deixando alguns lugares menos preto. Como eram folhas, sua estrutura fazia com que bem no meio se sobressaísse uma saliência, uma pançinha, arredondada

E bem, estava chovendo

Tudo demais ao redor era cinza, tudo enevoado pela neblina cinza, um cinza meio azulado; era neblina não fumaça

A madeira das árvores, era um cinza meio branco, meio futurista

Eu estava com uma camisa social branca, meio amarelada, parecia, era porque tinha listras amarelas por todo o tecido, linhas verticais, bem finas, invisíveis

Fiquei me perguntando se existiam linhas azuis claro na neblina, e se haviam linhas brancas nos caules das árvores.

Eram caules finos, cumpridos, corriam para cima dos céus ligeiros como um auge, e se desfiguravam quando estavam auto demais

Lá em cima era uma selva, e em baixo um cemitério

Embaixo muita gente já havia caminhando, trilhas surgiam e sumiam, os animais faziam tocas aos pés das árvores, e depois as abandonavam, punham ovos, nasciam filhos, morriam filhos, alguns filhos não nasciam, não eram

Tinha um esqueiro amarelo debaixo de algumas folhagens, uns três metros de distância de onde eu estava de cócoras, amarelo puro e plástico, mas nada muito chamativo, também não o vi muito bem debaixo de tanta coisa

Era isso. Era muita coisa, por cima de muita coisa, eram várias folhas de um calendário, ano por ano, ano sobre ano, e não só eram anos e anos de uma vida, eram anos sobre anos de vidas sobre vidas, eram o próprio tempo

As árvores eram testemunhas, molhavam seus pés na história da terra, viam serenas a passagem das águas sob seus narizes, submergindo seus pés, sentiam aquele frescor na sola dos pés, mas certamente ficavam entediadas aqui e acolá, talvez passassem algumas esticadas de galhos extremamente entediadas, depressivas, e já não viam motivo de continuar vivendo

Não saiam do lugar, apenas viam o tempo passar, talvez por isso soltassem as folhas, já pretas

Ao chão

Mas, isso são apenas suposições

E eu não acredito muito nessa teoria, por isso formulei outra

Haviam várias voltas, vários contornos

Riscos e pinceladas

Preto

E ausência de preto

Branco, Cinza

Gostaria de que tudo fosse mais simples, mais estético

Mas haviam também linhas de cor, e colorido

Na verdade, não era tudo muito solene e parado, não sempre

Aquela chuva, aquele clima nublado e cheio de neblina, e a chuva junto? A chuva não era calma, logo se mostrou, logo se viu isso

Era uma tempestade tremenda

Caia como se, se jogasse violentamente contra uma porta que havia abaixo dos céus, a querendo por abaixo

O som era lindo

Estar ali era bom, tão bom quanto o era quando ela corria tranquila

Depois da chuva, as árvores estavam maltratadas

Dava pra ver melhor as dobras que tinham dado sobre si mesma, sabe, a árvore, seu caule

Na verdade ele é extremamente fino, como um rio que corre escondido dentro de si mesmo, como uma bica de onde escorre chuva fraquinha, já no final, ou seria no inicio? Não é o ponto. O Ponto é que esse rio vai produzindo células novas e mantendo-se vivo, e as células que morrem vão formando uma crosta, uma camada, que vai envolvendo esse rio verde e brilhante, e o ocultando, e o escondendo

E indo o rio correndo, e quando se vê, há um caule

Mas não parece a mim, que o caule das árvores sejam um monte de árvore morta, é como os anos que passam, não os que voejam, ou os que se registram nas folhas do calendário

É como o tempo passa na gente

Em mim já vejo a barba grande e crescendo, e desgrenhada

Formam rodopios que saltam da pele, tenho bigode

E meu cabelo está grande

Há ondulações pretas, onde o preto se estica pelo cumprimento dos fios, e no âmago das ondas de fios se vê um palude, cor de madeira, duro, um espaço que reluz, mas que é um com o negro dos cabelos

Com a imagem de um monte de rabiscado que deixa ali no meio, uma face suja, mas que no meio do sujo, há ali uma face

Não seria um desenho se eu não tivesse a liberdade de desenhar o que me achava a mim ser lo mejor

Tenha dó, meu cigarro se apagou na chuva, o esqueiro era meu, joguei-o fora com raiva

Estava iracundo, minhas mãos suavam, e a chuva escondia

As folhas, conluiadas entre si, não diziam a ninguém que passei por ali como um búfalo atrapalhado, correndo por esquinas de árvores, que não fizeram questão de ficar fofocando o que viam por entre as frestas das portas e das janelas de seus seres, mesmo assim foram olhar

Parei ali ofegante, não sei se chorei

Não sei se vi o mal nascendo dentro de mim, ou se sempre estivera lá,

Será que nunca havia me visto en lo reflexo de las águas?

Me sentí vivo

Peludo

Hierba negra, matorral

Los huesos cumplidos y activos

Sentí que aún quedaba mucho por vivir

Todavía podría seguir caminando más profundo en el bosque, y más allá, en los claros

Y en ciudades

Y en cualquier lugar

Fuera de mi mente

Además, me siento así

 

[

Me sentia vivo,

De cabelos desgrenhados

Relva negra, matagal

Os ossos cumpridos, e ativos

Sentia que ainda havia muito por viver

Ainda podia continuar caminhando para mais fundo na floresta, e pra além, nas clareiras

E nas cidades

E em qualquer lugar

Fora da minha mente

Também, eu me sinto assim

]

 

Sobre se sentir normal

 

E escutar música nas memórias

E depois já não nelas, o som irrompe o visceral

Do meu subconsciente... Carnaval!

 

Em plena ação invadindo cada ato que faço

Está agora no meu dia a dia, nem sempre é alegria

Às vezes é uma triste sinfonia que me deixa descalço

Sem cálcio nenhum, sem forças, sem firmeza, diria

 

Sobre escrever com mais calma, falar menos

Ser mais ameno, e tentar pensar diferente, com mais alma

Minha alma parece que tomou um banho, e está andando nua por ai, não sei o que por aqui

 

Sobre beijar com mais gosto, mas sobre beijar

É um mover-se, um mover-se constante, mas sem pesar

Sem amarras, amarás bem melhor

Belchior

Porque gosto de ouvir, não por que virou moda

Sobre achar as coisas que te fazem feliz, sobre se expressar

Tem como fazer o que você gosta parecer interessante, mas pra quê?

 

Mas, mas, mas masmsmamsmams é sobre falar menos

É sobre controlar as palavras, é sobre falar somente o essencial

Experimente deixar os cabelos crescerem e os pelos do rosto esticarem as pernas

Experimente deixar que soltem as alpergatas e estirem as pernas até que elas se enrolem em si mesmas, experimente se soltar

Deixar as amarras todas soltas, o corte de cabelo, o padrão

É um outro modo de ver, é bonito também

É livre.

Editado por Geu
Skyfall e Nie curtiram isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

 

 

A verdade é que ainda estou ali

Olhando para a vida que quero ter

A observando, enamorado

O fascínio está estampado na minha cara

Como rosas bravas a crescerem por todo lugar

A brisa não passa por lá

Queria vento, ventania, correria, e batuque no coração

Mas fico aqui a olhar, com a mão na cintura, cansado

Já fiz de tudo que conheço como fazer

O que fazer agora? Como transcender o que conheço? Como aprender...?

Parece que tem algo haver com o tempo, mas é tudo tão rápido

Tanto no moderno, quanto no espiritual

No final o velho e o moço concordam: tudo passa bem rápido

 

 

 

Meu braço de metal está enferrujado agora, há um braço de metal acoplado nas cicatrizes

Há uma cicatriz, houve uma história

Tenho barba, tenho pecados

E não é certo, ser o executor dos crimes, eu ando pelas ruas e vejo como as pessoas me encaram

Param, começam a andar, com o passo desritimado

Há quem ouse defender a contravenção dos meus atos, mas eu errei

E estou aqui depois dos erros

E é como se eu precise errar mais, não consigo ficar quieto, é como se algo entrasse em ebulição dentro de mim

E depois há uma calma, uma sabedoria, uma conformação com o bom, como se eu já estivesse onde eu queria estar, ou melhor, eu continuo seguindo em frente, mas eu já estou minimamente, não, estou o bastante onde eu queria estar

Lá na frente, na curva, depois da subida, e assim eu já sigo mais tranquilo

Mas é tudo uma transmutação

Logo depois me vejo de olhos fundos, desesperado

Consumido, sem o fogo do viver, com medo?

Não tem como passar pela vida de bem com todo mundo

Mas por que pareço tão distante?

Parece que faço tão pouco, ou que me contam muitas mentiras, e acredito

Outras pessoas parecem mais longe de si mesmas, eu observo às vezes, mesmo assim ainda não estou ali comigo, e eu quero passar a cerca, pular e ir conversar comigo do outro lado

Antes eu estava mais longe, é verdade, e hoje eu não faço ideia de como eu estava ali atrás

Mas eu já estou com o braço de metal, eu já estou em outro lugar

Ventilado

Misterioso, um horizonte lilás ou azul bebê por colorir

Ou, descobrir

Tem coisas difíceis ainda

Mas eu estou pegando o jeito?

 

 

 

Quero sentir o rosa

O rosa, a nuvem cor de rosa, como um algodão doce metafórico

Estrelado, e logo ali do lado um amarelo azedinho

E seus cabelos negros pendendo ao lado das suas bochechas com blush

E sua boca vermelha me chamando para cometer um pecado

E eu cometo, e fico querendo errar de novo

E não ligar para mais nada, e aprender a viver sem ligar

Mas minha vida é ainda tão em preto e branco

Estamos em extinção, e eu observo pela janela as cores invadindo as salas de cada casa

E eu fico, depois da aula, no pátio esperando minha vez de morrer, sem a camisa, com o peito nu

E nu

Po[etico, antigo.

E aqui e ali espirra um pouco desse rosa em mim, um pouco de amarelo

Eu fico sedento por mais

Mas não tive o bastante, outro dia estava ali no céu todo sujo

Mas a memória é fraca, não teve tantas repetições, a tinta não pegou no pano de prato

Parece que estou pintando cada pétala à mão, fazendo alguma imagem

E agora?

Bem, como se pede por mais?

Estou aprendendo a ser colorido ao mesmo tempo que faço as pessoas me deixarem em paz.

Estou pensando em pintar um quadro esses dias,

...

Falei outro dia com um rapaz e ele me disse que eu era vermelho

E no rosto, as pinceladas eram bravias e ferozes, ele me disse que queria ser como eu

Mas eu fico vendo no espelho, e vejo o vermelho borrado, e depois me parece preto e branco

Ou só branco, delimitado por um fio fraco preto, ou alguma noção que o amontoe

Como se eu guardasse a tinta nas mãos e não jogasse nunca, não soltasse nos meus pés brancos, e depois passasse no rosto, nas bochechas, na barriga, na língua, no pau

E depois na sua buceta, e no seus seios, e fosse subindo no seu umbigo, e depois no seu pescoço várias vezes com o pincel em riste um amarelo pintando flores, e tem um perfume na tinta, rosa, e seus cabelos são negros como a noite, e em algum lugar do desenho há estrelas, não lembro se no espaço dos seus cabelos, ou no seu olhar, ou nos seus dentes, na saliva que pende de um e outro enquanto se esconde um sorriso

Um sorriso errado

Mas tão colorido

Tão

Depois a tinta começa a chover, caí lenta e rápida

E já não parece liquida, mas bate em constância, e eu me vou na tinta

E você explode em outras mil, não é mais só amarelo e rosa, é rosa escuro, verde, e azul, e branco, e vermelho

E rosa de novo

É engraçado, porque depois a pintura não fica ali, no quadro, fica na memória

E some

Mas na verdade, outro dia, percebi que minha mão ainda estava manchada com as mesmas cores

E que eu já não era eu mesmo

Toda vez, e já não sei quem eu era

Meu cabelo cresceu, mesmo que esteja com a nuca raspada

Aqui e acolá venta, na minha nuca, tem ventado mais ultimamente.

 

 

 

 

Eu estou sorrindo,

Por algum motivo

Você etá tão linda do outro lado da sala

E eu sei que você quer me beijar, e eu adoro o jeito como você flerta comigo

Adoro como a gente conversa, e outro dia eu estava me perguntando porque não vamos nos beijar semana que vem?

Por que ainda estou aqui?

Sim, a gente já se beijou, mas eu não posso dizer a ninguém

Minha vida está toda travada

Está agrilhoada

Por tanta coisa, não tem como fazer mais um jogada certa, nem tampouco

Aluma jogada em que eu receba menos dano, ou perca menos peças

É perder ou perder

Mas eu tenho que perder, eu tenho que jogar o tabuleiro na parede

E viver do meu próprio modo

E explodir, como minha mente em metástase, como se eu estivesse me desfazendo em uma alucinação de LCD

E descobrir como e viver para além do que entendo sobre viver

Eu estou alcançado algo além do que eu conheço

E essa revolução toda se passa por debaixo de mim, por dentro de mim

E nem eu sei qual será a data do primeiro ato da revolta, quando toda a história vai se dar, quando será o início e qual será o fim, e quando enfim vão gravar a data e decidir que será relevante contá-la, quando eu vou contar

Pode não ser nessa semana que vem, pois sincronismo é uma bosta

É porque eu não posso antecipar quando vai vir, é um movimento muito importante por isso nenhum envolvido pode ter essa informação, nem mesmo eu posso me trair, ou ser torturado e revelar algo ao império, ele vai cair

Depois eu vou dormir cansado, lembrando das explosões

Algumas duraram tanto tempo, é como se eu ainda estivesse lá, ou como se eu já estivesse lá

 

------------------------------------------------------------------

São quatro, mas não usei títulos dessa vez.

Nie curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Em 22/02/2020 at 11:04 PM, IACOOBVS KAIZEN disse:

O dom de Geu se aprimora constantemente.

Muito obrigado, meu amigo!

IACOOBVS KAIZEN curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

 

All Things Must Pass

E eu estou aqui

Esperando a barba crescer de novo

O cabelo saltar ao lado das orelhas

E meu olhar estar mais certo

Menos cansado

Com olheiras

E mais cansado

Satisfeito

Com os ombros nus, sujos, o peito sujo de terra

A barba por fazer

Suado

Zuado

E sentado aqui no banco, uma tábua em cima e tijolos abandonados

Nada do meu lado

Apenas eu me imaginando, me fotografando

É um momento tão importante para mim,

Tiro mil fotos, na minha cabeça, faço uma pintura a mão, na minha alma

É a paz

Estar no verde, no natural

E estar cansado

O corpo parado e nada mais, é música, e está tocando em cada canto

Desse sentimento

Lamento, não sei descrever melhor.

 

 

~~^^~^^^^~~~~^^^~^^^^`~´~`^`~`~^´~``~`^`^`^´^^´^^~´~´~`^´~`^`^

 

 

Tenho algumas palavras para você

Embrulhadas como um presente, uma caixa dura de papelão branco, com uma fita vermelha em quatro pontas

Formando um X

Giz de cera e papel na mão

Escreva quando você abrir

Todo meu sentimento, dentro dessa caixa vazia, oca, e escura por dentro

Falsa

Alguém poderia dizer que ninguém abriria um presente, se a caixa fosse às avessas

Apenas papelão marrom, e escuro fora da caixa, mesmo que não fosse mais adentro

Lamento, e lágrimas, várias histórias ai, coisas por fazer

Há tanto à escrever, tanto não dito

Quer saber?

Escreva ai, e ouça, grave, cante uma canção

Esse sou eu, esse é você

Estou trocando o dia pela noite, não sinto sono

Sinto saudade

E tem muitas chuvas por vir, e muitos goles de água ardente

Siga em frente e estude bem

Não estou ferido, o tempo passou

E tenho histórias pra contar

O jardim está belo

E ensolarado, e depois nublado de tarde, e depois escurecendo, de noite não estou mais lá

Me fui, meditando, vendo o céu azul pontilhado de fumaça branca, e as construções caindo aos pedaços

Aço enferrujando, madeira velha, e a tinta branca despontando, caindo em farelos

Querelo

Bonito

Canto de pássaro, memória

Melancolia todo dia

E todo dia, uma porção de coisas, convulsão

Overdose

Outra dose, e mais algumas

E estou no chão pra morrer, no chão de areia afundando, na terra molhada, já secando

Caindo, indo

Escute bem, nem toda história tem final feliz

Nem toda história tem final

Ainda não

 

{}{}{}{}{}{}{}{]{}{]{][}{}{]{]{}{}{]{]{][]{}]]{]}}[}{}{}{[}[][}{}{}{}{]{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}}{}{}{

 

Estou esperando o verão

Dizem que é outra estação

Que vem depois do outono

é que só tenho visto outono,

esqueci se tem outras

Quero o vento no cabelo, na fronte da testa

A balança-los

Me balançar

Empurrar meu balanço, embaixo da árvore

E quero ver o sol que tem andado tão cansado

Quero animá-lo

Tô cansado de pisar em folhas velhas, e me ver rasgando tudo que eu gostava antes

Me cobro demais, nada que eu ganhei foi algo demais

Pra mim

Fico fazendo uma análise crítica

Também pudera

É sempre outono por aqui

Tudo tão parado

Tudo em espera

 

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

 

Seus cabelos negros

Faço balanço

Faço fantasia

/repito toda vez

Não canso dessa faixa

Seu sorriso

Como o astro, desse planeta que tenho morado já tem um bom tempo

E eu só lamento, que não tenha mais roupas para eu tirar

Porque eu amo fazer isso

E vê-la nua, é como pisar numa terra virgem

/num paraíso escondido, numa índia oriental

Coqueiros, mata silvestre, praias e costas

E mistério

Não levo nada a sério, é como estar numa página de livro infantil, daquelas histórias de aventuras

Urra

é uma aventura

mistura

não vejo poesia

mas eu sinto ela

Eu sinto ela

Sinto bem no fundo

É um sentir, pungente

memorável, são muitas vidas, por entre esses fios de cabelo negro

Você sabe muito bem

Eu e você meu bem

Nunca vai ser algo brega

é mais pesado, não é água com açúcar

Eu sinto você aqui embaixo

E nossos cabelos todos se entrelaçam

Voejam loucos, soltam todas as presilhas e todo tecido que o prenda toda faixa

Correm, caem aos céus como se chovessem

Saltam ligeiros, é como esticar os ossos

Como estalar os dedos da mão

É como soltar uma carga

 

ççççççççgççgçgçgçgggçgggggggggçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgçgççg

 

Barroco, oco

Casarão, do tempo da escravidão

Vazio, graças a Deus

Cruz de ouro, cruz de gesso

Molduras, pelas ruas, ao redor das portas

Todas tortas, arrombadas, sem portas, portas de ferrolho velho travado

Ou que fecha forte, e prende o coro do dedo da mão

Preto e branco

Incógnita

uma cidade toda, uma época distante

parafernálias

preciso me afastar

Viajar, dar um mergulho, tomar um ar

Mas a água do rio é santa

E meus olhos não são cegos, não mais

Não há volta, não dá para voltar atrás

Há apenas o distanciamento

A viagem

E o crescimento, experimentação

roupas pretas e longas

manga longa da camisa social

roupas azuis, brancas, amaciante

uma estante cheia de livros, cheia de crenças

Cordões, e peças do mar, jóias

vários cordões e pulseiras

Várias besteiras

Marcas na pele, tinta, linhas de expressão

Dá não

são vários símbolos

símbolos de que?

vou embora,

é bom ouvir história

o mais velho sabe

O mais velho pode ser eu

é preciso paciência

ouvir, e ir

vou me embora

sangue, corte no dedo, dedo na boca

farinha e pó

no ar

Sal no vento

e sol, casa em casa

rua de calçamento

sertão

casa abandonada

chácara vazia

escuridão

ritual, de noite, fingem não ver

ê

medo

e desejo de ver

ler

espairecer a cabeça

tenho temor

Rapei a cabeça, passei a mão

A mala tá pronta, e eu já estou viajando tem um tempo

A cruz no peito, um cordão

Eu fui, e voltei diferente

E quando voltei, não voltei

Quando parti, também partiu onde eu estava

E nada ficou, e não restou mais nada

O tempo passou.

 

kzkzkzkzzkzkzkzkzkzkzkkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzkzzkzkkzzkzkkzkzzkkzkzkzkz

 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

João

 

 

“Fazia tempo que eu não me sentia tão sozinho.”

Dizia o velho João, que fazia tempo

Pegava peça por peça, peças de ouro, peças de prata, e montava um velho relógio inglês

 

Pra lembrar a todo o povo que a hora passa

E montava um e montava outro e não acabava nunca

Os grisalhos de João já não eram especiais, quando cuidou, deu por si todo de branco

Como um coelho felpudo, ou uma lebre das neves, se sentia como se deitasse numa montanha coberta de neve todos os dias, à toda hora, com o rosto afundando nas nuvens

 

Eram como as nuvens, mas todo aquele pelo, não deixavam João sentir que era algo leve

Saía, ora, uma vez ou outra, de sua oficina, que ficava numa montanha normal

Pinos e grama a comer a terra por onde quer que a vista corresse

 

Esse era o dia a dia de João

E dormia pouco e acordava, as noites eram metade em claro, ao sopro do vento gélido e a luz da lamparina

Ao raio da luz se via a oficina do João adornada de todo o tipo de livros nas estantes, e escritos espalhados por todo lugar

E a oficina dele era também a sua casa, e havia uma porta escancarada porque nenhum ladrão passava por lá

 

Era um casebre pequeno, inocente e humilde

Como todas as coisas que apertam o coração

E ficava no topo da montanha, João podia muito bem cair de lá

 

Ha!

Voejava uma forma misteriosa pelo ar

E era azul escuro claro, ou azul claro escuro, com estrelas em seu âmago a cintilar

Mesmo a luz do sol, mesmo na luz da manhã, eram como diamantes num longo vestido de baile

 

E passava pelos olhos de João como algo de tão mágico que a vida pode oferecer em meio a todo o sofrimento

E só havia lamento, escondido com pesar, no chorar de João

Mas então essa ave passava por lá, esse fantasma

 

E batia assas, e já não parecia mais

Que João morava dentro de um relógio, preso numa gaiola mágica

Parecia um gnomo e tudo o mais era como num conto de fadas

João se enrolava na bandeira da Escócia, e tomava um copo de café toda manhã

 

Manhãzinha, madrugada

Subia junto com o sol, e descia junto com a lua

Ia capinar lote, ia partir troncos de árvores

 

Trabalho, trabalho, trabalho

Era como se João fosse vários

E cada João era como mais uma peça desse grande relógio solitário

Ele estava só e já não via mais seus amigos

 

Ficaram nas fotografias e no passado

No álbum manchado de lágrimas e empoeirado, empoleirado

Numa de suas estantes

 

E a cada instante, e a todo instante

Escrevia cartas que jamais chegou a enviar

A, e nem iria, diria

Baixinho para si mesmo

 

A esmo mesmo ficava tristonho

Seu nome era João não era Antônio

Mas todos esse símbolos já não importavam mais

 

Não lembrava da mãe nem conhecera seu pai

Não lembrava mais

Mas nesse tempo sozinho

Nessa lida, sem o v de vida

 

João encontrava um meio de

Sorrir novamente sem desistir

E ria, que às vezes era preciso chorar

 

E lembrava que a dor logo ia passar,

E voejava violenta, à toda velocidade, como o sol passando pelo universo

E voltava pra derrubar João

E foi, e veio, e foi, e se deu outra supernova, e outro big bang

 

As coisas ficaram velhas, as árvores cresceram, João as derrubou

E houve fogo, e houve chama, brasa a luz do luar e das estrelas

E elas cresceram de novo, e João já não estava mais lá para às derrubar

 

E vieram as plantinhas menores, e sentaram ao sopé da casinha de João, e em cada degrau e canto do chão

Subiram as paredes e viram seus mortos na estante

Porque não vieram antes?

E João voejou por ali

 

Como algo tão raro de ouvir

Que ver ninguém viu, ou vai ver?

E se viu pelo tempo que tanto amou, que tanto fez, tanto programou

 

E viu seu sorriso e riu

Editado por Geu
IACOOBVS KAIZEN curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Coragem

 

 

Toda vez que alguém resolver pular no mar

Ah

No mar da liberdade, no mar da falta de certeza

Toda vez que alguém resolver pular

Ah

Sem saber se terá o chão de volta, recebendo a planta de seus pés

Toda vez que alguém ousar ser feliz

Ou sonhar, guardar dentro de si a euforia

A cada dia, mesmo sabendo que não é uma coisa que se segure

E que logo ela vai voar e ir embora, e te deixar vazio

Ah

Mas você vai pegá-la de novo

Toda vez que alguém ousar sorrir de novo, e correr

Depois do pulo, correr feito um louco

Pros seus braços, pra abraços, fotografias

Dias que se passaram e ficam esperando eu voltar pra aquela realidade

Entrar naquela festa de novo, por entre uma multidão de pessoas se embebedando

Ah

Toda vez que alguém ousar, que não tiver medo de falar sobre si mesmo

De dizer seu sonho, antes de realizá-lo

Toda vez que alguém ousar ter fé, e falar de coisas boas e bonitas, mesmo sabendo que elas não são sempre assim

Toda vez que alguém procurar a si mesmo, ser quem esse outro alguém

Mas esquecendo desse objetivo, só percebendo todo o processo depois

Porque está muito ocupado batendo na sua porta

Fazendo essa ideia meio vaga, essa chama jamais apagar

Ah

Seus cabelos ruivos, claros como o sol da manhã

Como o sol que eu admirava quando tinha onze

Toda vez que alguém lembrar de um beijo, e sentir que amar é mais importante que sentir tristeza

Toda vez que saudade seja saudade boa, saudade bem resolvida

Pule, corra, nade

Quer saber a verdade?

 

Rosas

 

 

Tenho cultivado um jardim

De rosas negras

Num descampado entre as casas da minha infância

E está ali, bem situado onde mora a lembrança

E são paredes de tijolos alaranjados, grandes portais e janelas que dão pra escuridão

Minha roupa é preta e está suja com poeira, porque nada é tão escuro assim

 

E estou com a barba grande e encrespada, e o cabelo abraçando meu rosto de cada lado

Um chapéu, no topo da cabeça, e um sinto com colheres de jardinagem

As trepadeiras sobem por todo o tipo de lugar, e os carrapichos aprontam suas armadilhas

E eu não sei bem ao certo que tipo de rosa vai brotar do chão, mas por lá aparecem umas rosas bravas

Laranjas, vermelhas e azuis

No meio de tanto caos de um terreno baldio, abandonado

Tomado pelas noites de assalto, as crianças passam por lá brincando e o pisoteiam todo

Alguns jovem vem com o cair do sol, amigos que são da escuridão, fazem o que querem

Um cachorro passou, o cavalo que puxa a carruagem do Sr. Silva Praxedes, que tem um serviço de levar as pessoas importantes para passear pelo parque, e pelo centro da cidade, são magros como camelos, e tem as pernas finas, longas e altas, e comem alguma planta de vez em quando, ele mora aqui perto, eu não posso impedi-lo, não posso impedir seus cavalos!

As chuvas vem, torrenciais, e algumas rosas se abrigam debaixo do alpendre das construções, das portas arrombadas, sem portas, dos portais abertos, longe da chuva, e na escuridão, longe do sol

São rosas negras, que pareço insistir em escondê-las, guardá-las sob minha tutela, nos meus braços

É tudo um caos, o terreno não é sequer meu

Mas eu cuido com tanto afinco, passo tanto tempo por lá, me parece estranho, diria, até mesmo injusto como a prefeitura não me concedeu algum papel que me passe a posse das terras

Parecem ser minhas, parece ser algo de pessoal, parte de mim, como se tivesse florescido, nascido do terreno do meu ser, da minha própria carne, regada com meus próprios devaneios

Mas me vejo assim, sem controle, não sou dono de mim

Mesmo.

 

Pintura a óleo

 

Euforia

Na alforria de si mesmo

Expectoração das expectativas

Suor pingando

E exorcismo dos maus espíritos

Dos maus estados, do mal-estar

Expectação

De dias melhores

E purgação

Expurgação

E punição

E os dedos abraçando as costas e deixando o sangue vermelho

Aparecer na pele, na superfície

Na superfície do ser

Na constelação salmão, na galáxia de estrelas vermelhas

Um universo repetido, feito em fábrica, como humanos de laboratório

Poeira

De Bucareste

Buscares a ti

Buscas a ti

A ti buscas

Buscas a ti

Rebusca

Nas vinhas

Nas vias de fato, na sua via láctea

Suas raízes abandonadas

Seu tom mais básico, seu som mais cru

Seu corpo colapso, precisando de afago

A carne viva, retumbando prazeres e horrores, orgasmos

Gritos, uivos, e toda espécie de seres da meia noite

Não se afoite nessa dança mortal, nessa súplica

Nessa arte do viver.

 

Editado por Geu
Rebirth e Skyfall curtiram isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

17 minutos atrás, Skyfall disse:

pega essas poesias da onde? 

Eu que escrevo

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

2 minutos atrás, Geu disse:

Eu que escrevo

 

não parece

 

e pq ta com uma caricatura do Giorgio Tsoukalos de avatar?

KENSHIRO curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Agora, Skyfall disse:

 

não parece

 

e pq ta com uma caricatura do Giorgio Tsoukalos de avatar?

Giorgio tsukalos seu cu :lol: deixe de floddar meu tópico

Skyfall curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

vamos deixar esse tópico ativo po pra dar movimento e views nas "suas" poesias ctrl+c ctrl+v :lol: 

 

é quem na caricatura ali então? o Paul McCartney?

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Eu jurava que esse avatar era do Paul McCartney...

 

Essa poesia "João" foi fantástica, me provocou empatia.

 

Você pretende reunir suas poesias em um livros, mesmo que seja uma "edição do autor"? Para você a arte (poesia) é só um passatempo em paralelo ou você sonha em um dia poder dedicar-se integralmente a ela?

Geu curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

1 hora atrás, IACOOBVS KAIZEN disse:

Eu jurava que esse avatar era do Paul McCartney...

 

Essa poesia "João" foi fantástica, me provocou empatia.

 

Você pretende reunir suas poesias em um livros, mesmo que seja uma "edição do autor"? Para você a arte (poesia) é só um passatempo em paralelo ou você sonha em um dia poder dedicar-se integralmente a ela?

É do Paul sim kkk Agradeço pelo elogio e João também.

 

Eu pretendo sim cara, eu até reuni as poesias que eu tinha antes de ter voltado agora, as duas primeiras páginas desse tópico, imprimi e encadernei mais pra conservar e pra materializar, e visualizar como poderia ser, realmente seria fantástico poder publicar mas confesso que não sei muito bem quem procurar para me ajudar nessa empreitada, eu preferiria conseguir uma publicação do livro físico em detrimento de publicar somente no meio virtual, ai minha cidade é de interior não tem muita oportunidade do tipo, então estou sem saber qual seria o próximo passo para tentar esse caminho e apresentar meu material.

IACOOBVS KAIZEN curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

6 horas atrás, Geu disse:

É do Paul sim kkk Agradeço pelo elogio e João também.

 

Eu pretendo sim cara, eu até reuni as poesias que eu tinha antes de ter voltado agora, as duas primeiras páginas desse tópico, imprimi e encadernei mais pra conservar e pra materializar, e visualizar como poderia ser, realmente seria fantástico poder publicar mas confesso que não sei muito bem quem procurar para me ajudar nessa empreitada, eu preferiria conseguir uma publicação do livro físico em detrimento de publicar somente no meio virtual, ai minha cidade é de interior não tem muita oportunidade do tipo, então estou sem saber qual seria o próximo passo para tentar esse caminho e apresentar meu material.

Tem que começar procurar umas editoras, é difícil, mas, batalhando uma hora a oportunidade sai, muita coisa hoje dá para fazer remotamente.

 

Recomendo quando dispor de tempo dar uma olhada nesse material:

Spoiler

 

https://www.escrevaseulivro.com.br/como-publicar-um-livro-editoras/

https://www.escrevaseulivro.com.br/escrevi-um-livro/

https://blog.clubedeautores.com.br/como-publicar-um-livro

https://medium.com/@fernandomesquita/o-que-todo-mundo-deveria-saber-antes-de-publicar-um-livro-10-lições-sobre-o-mercado-editorial-4286ac659e52

Geu curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

12 horas atrás, IACOOBVS KAIZEN disse:

Vou dar uma olhada sim, valeu amigo.

IACOOBVS KAIZEN curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Postado (editado)

Sílaba

 

 

Sei

É

Pois é

Que amar

Que toda hora, ora é sobre o mar ou amor

Por favor

Continue

Diga

Cave fundo esse sentimento seu, e essa sua ideia de ser, de vir a ser

Vejo o tempo passando no meu rosto, no espelho

É na verdade um retrato, e essa moldura já tem visto tantas transformações

O espelho aqui de casa tem dos quatro lados um encarte vitoriano antigo, mas eu só penso no futuro, e no agora

Tá tudo parado

Está

Isso mesmo

 

Ente

 

 

A chuva vai caindo retinente, rente a gente, rente ao chão, rente,rente,rente, tente, mente, insistente, mente a mente, a mente sente quente, a gente sente toda espécie de orgasmo, rasfo,asgo,masgo,tasgo, trago outro afago, mago moribundo, vindo de’outro mundo, pundo, mundo is fundo,rundo, ruído vindo, todo-lado, ah!, aahhhhhhhhhhhhh!, gloooaaaaaaaabbbbabababababaabaaaababababababa...

 

A nau

 

 

Magia!

Is gia

Weberrrrr

De aranha

Wriiiic tic-tic-tic-tic

À tilintar sob as nossas cabeças, sob as velas esquecidas de alguma nau abandonada? Fantasmagórica

Agora eufórica

Estou nua sob os lençóis anormais do meu quarto, na minha cama nua descobrindo minha vergonha toda, caminhando em mim com os dedos

É segredo? Nenhum

Que o barco não é abandonado

Habitado do jeito que é, vosmicê assim me inqueres?

Que espécie de estupido eres? - Me queres, sei que queres, ou quero eu

Eros, hero, hera

Venenosa, asfixia erótica

Ouvi falar...

E que prazer há? Há aqui, agora

Poc-Poc

Pulou a rã, aham, aham, assim! Pulou na janela, e ela é redonda, e tem uma cruz à cortar a paisagem do mar, das beiradas da terra, às quedas do universo

Verso a verso e a ação se desenrola, e eu me desenrolo, e rolo, louca

Viro, pulo, mordo a boca, suja de batom, tom amora

Ora bolas

Vai lá fora ver o que há!

Que há tanta gente correndo apressada de um lado a outro da nau, com que aval? Que alvará?

Ahh, a liberdade, que não seja só a deles!

Meros seres todos nós, pena não cantarmos em uma só voz

Só os fantasmas emitem os mesmos ruídos em uníssono

Aaaaaaaaahhhhhh

Aaaaaaaaaaahhhhhhhhh

Ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ahhhhhhhhhhhhhhh!!!

Editado por Geu
Diable curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

A luz interior

 

Tudo o que eu sou tem passado por mim como um passe de mágica

E vai vertendo, vai caindo, vou caindo de mim mesmo como uma cachoeira

Derretendo, desfazendo como areia

Voltando ao pó, por blocos, bloco a bloco, brick, bloc, crack

 

Vão se criando montanhas? Aonde eu vou caindo? Me pareceu ver desfiladeiros, de relance

Montes altos, naturais, mesmo que livres de muitas árvores, mas perto dos ares, e da aguá

O ar cheio de água enche meus pulmões, mas há mais

Tem um círculo azul escuro, ou claro, como o fogo, inscrições

 

Na palma das minhas mãos, fecho as juntas no meu rosto, cobrindo meus olhos

Vejo o escuro, porque abri os olhos nesse espaço, e vejo o círculo mágico

Na minha frente, na minha mente, na minha memória

É tudo o que eu fui, é tudo que eu sou e tudo afora

 

Que há, pra mim, que há de possibilidade, de caminhos

Vou me meio sem destino, ao meu destino

Amigo do acaso, ou fecho os olhos ao que vêm me acontecendo ultimamente

 

Tento não sentir, tenho estado meio dormente

Dormindo

Fingindo tão bem, encenando tão bem essa peça de teatro

 

Às vezes tenho agido feito um rato

E isso não é poético(?)

É realista

 

Um animal encantado com a engenhosidade de suas próprias dificuldades

Amedrontado com sua própria montanha, que tem de escalar

Mas nem sempre fui rato, nem sempre fui outra coisa

Minha vida toda tem passado por mim

 

Como uma explosão de constelações, e eu pareço mesmo gostar de estrelas

Ou do pó estrelado, brilhante, cintilante

E na verdade não é diferente do pó que está nas estantes, que cobre os livros

Não é diferente do pó que cobre a terra, que voeja como vento

Não é diferente do pó que escorre pelo rosto, pelo peito, ao redor dos olhos

Que desprende de nós

 

E parece difícil que haja magia, numa tragédia

Num acovardamento, mas tenho visto essa caverna de cristais

Esse som retumbante, fala com eles, fala comigo

E são azuis claro vívido, vívidos, a queimar tudo que há de essência

Há queimar sua vida, combustão espontânea, espontânea, natural

E as cores sempre estiveram por lá na memória, e nas minhas bochechas

 

E têm chovido esse dias, tem outros que tem estado nublado

Estou triste em alguns deles, e nem em todos estou acordado

Tenho apanhado, tenho sofrido

Mas vejo meu cabelo crescendo, se arrastando pelo coro cabeludo

Se esgueirando ao redor do meu rosto, como rabiscos, como um monturo

De tentativas(?)

 

Idas e vidas

Passadas, vidas futuras, projetos de ser

Pessoas por ver, pessoas que vi, que quero voltar a ver

E o bigode tem dado as mãos a massa que emoldura meu queixo, como a mão de Deus tocando sua criação, com um esforço, de um ocorrido raro, mágico

 

Tenho imaginado coisas diferentes, têm brotado todo tipo de rosas na minha mente

Tenho andado por um jardim e estou cultivando, tentando cultivar, qualquer coisa, qualquer pretexto

Tenho falado comigo mesmo, monólogos(?) Diálogos(!)

Têm se passado tanta coisa, e o tempo parece que não passa,

Tenho sido motivo de pirraça

Tenho perdido a fé

Mas minha vida toda tem passado por mim esses dias, e todos os eu's, e eu agora

Estamos conversando, tenho visto meus primeiros projetos

E vêm tudo passando por mim e parece que vêm tudo ficando, quiçá sempre tenham ficado

E eu não percebia

 

Acordei um dia, e esse dia foi hoje

Por que esse dia vai passar logo mais, corrido, tangido

E não me parece muito provável que a vida se vire de uma hora pra outra como poucas vezes temos visto

Se anseia por isso

 

Mas

...

É

...

Eu tenho juntado tudo dentro de mim

E agora, sempre que fecho os olhos, vejo essa chama branca

Essa chama azul clara, como a própria luz

Uma (A) luz interior em meio a toda a escuridão do meu ser

E não sejamos hipócritas, nem sejamos incrédulos

Sejamos nós

Que amarram tantas pontas de cordas soltas, e deixam outras tantas soltas

Despreocupadas

E montam uma tapeçaria tal, tenho observado ela, vou vendo, depois de parar de olhar apenas para um ponto fixo

Fixei esse problema

Agora eu estou numa cabana de madeira, num templo de madeira, bem aberto

Um teto, vigas, um chão, como um tatame, a frente tem um desfiladeiro, estou numa montanha muita alta, no cume(?)

E atrás um floresta instigante, que eleva o coração de todos os homens e me atiça a curiosidade

Sobre mim mesmo

E parece que há algum sino, de não só uma cultura, há peças de bronze de metal, prata

Algum toque de linho, cortinas, ou sedas que pendem do teto, que parece bem alto, que não sei até onde vai

Mas na minha frente tem minha tapeçaria, que a venho produzindo

E aos meus pés, onde estava sentado a fazendo, e meditando

Tem materiais de feitura

E eu a tenho contemplado, e fico contemplando

E eu sou a tapeçaria

Diable curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

 

Moça

 

Doce dama do mar

Me diga que vamos nos ver de novo

Me fale quando vamos nos ver de novo

Me fale de novo

Só fale

Eu sinto falta do seu falar, do nosso papeado

Da nossa glosa

Dama do mar, que tanto encheu de alegria minha prosa

Que tanto me fez prosar prosa jocosa

Perder a compostura

Ao lado de uma cadeirola de praia, que imagino eu ter tiras verdes e brancas

Ao lado de um guarda-sol, da mesma cor? Ou só branco

Eu sinto o cheiro do mar, o gosto de sal e a maresia

As ondas que vão, que vem, e areia, meu bem, enchendo os espaços entre os dedos das mãos

Estamos no chão, à conversar, e nunca há conversa melhor

E eu te vejo sorrir, e eu sei coisas a seu respeito, mas não te vejo direito na minha memória

Sei que sua tia fora uma chata, e que você lidava tão bem com as palavras, escrevia tão docemente, muito embora eu só lamente não ser eterna como seus dizeres

Como seu falar, como o ar, entorno de você, em torno de nós, eu senti

É minha memória mais feliz, e sinto que eu ainda não vivi ela

E sempre que lembro de você, me sinto de novo no mar, na praia

E quando eu fui, é realmente parecido com o que você me descreveu, e depois daquilo também fui ao cinema, gastei muitas primeiras vezes, enfrentei tantos dilemas

Mas ainda me pergunto, que sentimento estranho é esse, e como ele queda e jaz aqui guardado debaixo desse guarda-sol, debaixo do seu sorriso, e do seu falar, do seu ar

Às vezes me pego vendo o céu avermelhado, laranja, vendo os contornos todos pretos, a sombra que paira e emudece as construções

Vejo a torre de rádio, negra como uma torre de conto de fadas, em riste e a distância; lembro como uma doce lembrança da capital

É em Brasília que você mora agora? Ou já se foi daí também meu bem? Se foi à fora do país? Se foi afora a outros ares? Outros patamares do viver?

E penso, se não tiveres tido melhor sorte, que Deus te livre ter conhecido a morte

Viverás ainda eternamente em mim

E se não se foi, ainda se foi pra mim, e quedo eu ainda assim combalido

Me vejo corrido, desesperado, com o coração a saltar e bater às portas do peito, me vejo sem eito, e meio sem jeito

Percebo que não é mais sobre o tempo, é um outro estar

Uma coisa que se esgueira pela minha realidade, que se agarra aos meus sentidos fraquinho

E eu te vejo, tão linda, tão em paz

E eu sinto o cheiro do mar, e eu toco a areia do chão

Provo o gosto do sal, e ouço sua conversa atento

E ouço como recordo, aquilo que sempre disse, e ouço tantas outras histórias que agora me contas, tanto tristes quanto felizes

Ah, e quem me dera houvesse um livro sobre você, de capa branca e com chuviscos, pontinhos em preto, com a lombada verde claro sorvete, e o título escrito com linhas finas e enroladas

Quem me dera houvesse uma carta, vinda do mar, dentro de uma garrafa de uísque, de run?

Run for your life, run for the life

Que não fosse carta, que fosse mapa

E que no X você estivesse lá de novo,

Moça, o moço cansou de falar, me deixe só lembrar,

Sei que é memória pouca, pequena. Mas é memória imortal.

 

 

 

Continua

 

Convencionei comigo mesmo ver a ruiva do mar outra vez

E é bem verdade que não te vi de manhã, muito menos à tarde

Muito menos no mar

Te vi de noite, como chama no escuro

E como um vaga lumes fui vagando no seu eito, voejando em seu redor, ao derredor todo sorrisos, e quando fui até você não tinha vidro nenhum em que eu batesse o rosto, posto que não era chama de candeeira, chama de lamparina

Era chama, chama livre, mulher forte, encanto meu

E como um vaga lumes no meio das chamas logo fui extirpado

E nos seus braços você pegou minha essência, e o seu beijo me beijou bem fundo e dissipou toda a fábula

Todo o conto de fadas, e você sabia que era hora, e que era tempo

E que podia o ponteiro do relógio bater meia noite, uma, duas, três da madrugada

Que não acontecia nada

Além de nossos beijos, nossos afagos, nossos rasgos e mordidas

Nossa chama atiçada, nossa expressão de vida

E que vida! e que noite in the time!

 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Extended Play

 

Colina

 

The mother of exiles

The mothers of invention

Of the wind

My mind Is blowind

Wind

Vento

Exílio e lamento

Uma colina pra correr bem adiante, mas também atrás de mim

Uma colina pra descer, mas pra subir também, e pra ficar parado

De braço aberto, deitado, à contemplar as coisas passando

Comigo e por aí

Vontade de partir

De viver

 

Clima

 

Ás vezes chove, ás vezes tá escuro demais pra eu perceber

A noite me deixa ébrio, e enevoado

A névoa vem escapando de mim, por todos os poros

Hocus Pocus

Pelo bafo de Halls,- hálito

Tem acontecido bastante coisas

E eu fico olhando, e parece que eu tô sentado na arquibancada e o jogo já acabou

E está tudo bem

Eu olho pro céu alto e distante, e azul claro, e o sol é presente mas não é forte

Pura sorte

Mas parece que toda manhã é assim

 

Música

 

Uma faixa, e outra, gravadas numa fita cassete, vou por no carro do meu pai pra tocar,

mais tarde

Agora é de manhã

E amanhã há outra, mas não há mais a de agora

Peguei a bicicleta e fui-me embora, á pedalo lento, á pedalo veloz

Ruas, e casas, vizinhos, lembranças passadas, histórias de baixo nível

Que ninguém dá a mínima

Mas que são as melhores de ler;

Uma faixa preta

Na cintura, uma faixa branca na cabeça

Manchada de sangue transparente

E eu tenho sangrado muito ultimamente

Tem chovido muito dentro de mim, e às vezes é frio, e ás vezes é casamento de viúva

 

Zero

 

Chá de boldo, um saquinho preto mergulhado num rio marrom cheio de reflexos

Pendendo duma cordinha branca ordinária

E tem restos vegetais dentro de um saquinho de papel

E a xícara é branca

E o que isso importa?

O gosto é indescritível

 

Corrida

 

Não me sinto mais atrás de ninguém

Vejo todos ao meu redor, e já não sei para onde eu quero ir

Já não sei onde podemos ir hoje a noite

E ás vezes parece mesmo que ninguém iria a lugar algum comigo

 

Quem sabe eu não tenho que ir andando sozinho agora

Ou quem sabe eu já não estava vindo lá de trás

Mas quando olho agora há tanto que ficou, há tanto que passou de lado

Desapercebido

 

Há tanto tempo sumindo,

E parece que estamos sempre esperando

Enquanto corremos

 

Quarto

 

Mar 

Room

My room

In my mind

In the air

In the middle

Tinky-Winky

Ou seja lá o quê

Tenho estado de bem comigo mesmo,

Mesmo que não pareça

Que eu não apareça mais

Que eu não esteja tão desesperado por aparecer

Vou mesmo é ir sumindo,

Mas ir

E como vou indo

Voo

 

Acampamento

 

Há uma certa floresta de pinheiros altos

E há um boné de caçador numa cabana de pinho, bom acabamento, verniz

Quis andar por estas bandas ultimamente, e cá estou

 

Mas o caminho é difícil de acertar e ás vezes eu me perco

Mas cá estou eu aqui, de boné na mão, arrumando o cabelo e eu coloco o meu boné azul marinho

E eu não sei o que estou caçando, mas vou caçar

 

LorranW curtiu isso

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Awards

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!


Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.


Entrar Agora
Entre para seguir isso  
Seguidores 0

  • Quem Está Navegando   0 membros estão online

    Nenhum usuário registrado visualizando esta página.