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Jinkei

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30 posts neste tópico

@Dona Kinne | Base principal da D.I.C.E. / Um dia antes da missão

 

Com um meneio cansado de cabeça Asichi deixou o quarto. Aparentemente havia conseguido o que queria o no final a moeda de troca sugerida por Nohime era algo extremamente simples. Mesmo fora do prédio a grisalha respirou fundo, lutando para se manter no controle de suas percepções. Pegando seu celular procurou por Aoi e clicou sobre a sua foto. Pressionado o botão de chamada de voz, disse:

 

Tenho novidades, maninha. Quando chegar vá para o meu alojamento, há alguém ocupando sua habitação no momento. 

 

 

No meio da soneca de Nohime um pop-up silencioso surgiria no ecrã do smartphone. No topo da mensagem dizia Asichi-chan:

 

"Sua mãe no parto foi atacada por um hollow, ou infectada de alguma forma pelo seu dna. Na sua constituição durante a gestação o código da criatura se impregnou na sua estrutura genética, permitindo que você possa compreender a alma dos objetos. Isso é a habilidade de fullbringer e quando você encontra um item com o qual você tenha um verdadeiro apego você então desperta técnicas estritamente particulares, como é o caso com a sua tesoura. Mas além das suas capacidades pessoais você tem as de cunho básico, como o bringer light. Ele nada mais é que usar do pressuposto fundamental do fullbringer que é moldar a alma das coisas, no caso o ar ao redor dos punhos ou pés para dar um impulso que realce o ataque ou a evasiva. Na teoria, você pode moldar a superfície física de qualquer objeto, desde que sua afinidade com manipulação energética seja o suficiente. O que fiz no chão para te desestabilizar no saguão foi isso :D Sobre as placas espirituais, bem... é algo mais complexo pois geramos algo do nada. Por ser especialista em manipulação foi algo fácil para mim, porém levando em consideração seu desempenho na batalha talvez demore mais um pouco para que seja capaz de lapidar algo distante do padrão de seu fullbring. Caso queira saber mais algo, só responder por aqui. Vou ficar online à noite"

 

Passaram-se alguns minutos e outro pop-up apareceu. Era Loki.

 

Uma mensagem de voz. 

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O lodo encharcava cada vez mais os tênis de Nohime conforme ela avançava para dentro da floresta. O vento soprava em sua direção, trazendo, além de folhas úmidas e minúsculas gotas de chuva, o cheiro de sangue e pranto feminino. A garota avançou, seguindo o som e o aroma. Seu coração batia cada vez mais forte. Quando achava que não ia mais aguentar, escutou um baque. Voltou a cabeça na direção do som e viu que um pequeno cadáver enrolado em fitas vermelhas balançava, suspenso a uma árvore.

 

A garota caminhou até onde o corpo estava pendurado. Mais adiante havia mais deles. Uma série de corpos dependurados como as vítimas de uma gigantesca aranha. Nohime sorriu. Suas bochechas coraram de excitação.

 

Ouviu a voz de Tomori, como se visse de trás dela:

 

Há criaturas lá fora com a capacidade de decepá-la segundos antes de ao menos pensar em conjurar esse martelo.

 

Virou-se para trás. A irmã estava de pé atrás dela, mas algo estava errado. Uma série de ranhuras marcavam sua pele, como se ela fosse uma boneca articulada. De cada articulação, brotavam fios vermelhos. Como se agisse sob a influência de um marionetista invisível, Tomori avançou e segurou seu pescoço. Tentou desprender-se do aperto. Seus golpes não atingiam a irmã. O corpo dela movia-se como uma coisa sem ossos. O rosto dela estava manchado de lágrimas.

 

 

O som do alarme ecoou no pequeno cômodo, acordando Nohime de sua soneca. Sua cabeça doía. Ela foi até o banheiro mais uma vez e lavou o rosto. Bocejou, espreguiçou-se e, uma vez que estava se sentindo mais acordada, voltou para a cama e pegou o celular para ver se haviam notificações. Asichi havia lhe mandado uma mensagem, assim como prometera. Nohime leu o texto atentamente. Tinha várias perguntas para a garota, mas o melhor seria enviar uma de cada vez, para que tivesse tempo de absorver cada uma das respostas. Digitou sua mensagem de retorno e enviou:

 

「Hmm... É, a Tomori me falou dessa primeira parte. Acho que vou tentar treinar as capacidades básicas do fullbring para ver se eu entendo melhor o que consigo fazer. Um negócio que queria entender melhor é aquelas barreiras que vc fez qdo a gente tava lutando. Elas defletem todo tipo de ataque, ou só ataques físicos msm?」

 

Foi só depois de ter respondido a Asichi que a garota notou que havia recebido uma resposta de Loki. Era uma mensagem de voz. Nohime sentiu seu coração acelerar. Nunca havia escutado a voz de Loki antes. Tentou não criar expectativas. Conhecendo Loki, era possível que aquilo não fosse o que parecia ser à primeira vista. Tirou os fones de ouvido da mochila e os inseriu no telefone antes de apertar o botão para escutar.

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@Dona Kinne | Base principal da D.I.C.E. / Um dia antes da missão

 

Quando apertou o triângulo de reprodução um chiado de tecido roçando no microfone se fez audível. Dois segundos se passaram e uma voz vacilante cortou o silêncio. 

 

No..hime. Socorro... — Começou a tossir. O som distanciou-se, como se o microfone tivesse sido afastado. Um grito pôde ser escutado por Nohime. Foi então que outra voz voltou, afetada por um agudo eletrônico. — Estou decepcionado com você. Não se brinca com o alvo, se termina o que se começa. 

 

O áudio terminou e a garota tinha uma certeza. A primeira voz era de Tenji. 

 

Como se aguardasse o timing, a resposta de Asichi veio logo em seguida:

 

"Uhmm, você fala das placas espirituais? Bem, não são pra refletir os ataques... é meio que para a locomoção. Apenas usei de uma forma diferente ;P Ah, Nohime-chan, vou treinar com Aoi em Sakurabashi daqui a pouco. Ela vai fazer uma consulta pós cuidado com aquela garota que você salvou e depois ela me ensinará como controlar minhas flechas cognitivas. Quer vir junto?"

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Sem que percebesse, Nohime prendeu a respiração. Então Loki estava com Tenji. As palavras eletronicamente distorcidas fizeram aflorar uma onda de raiva em seu estômago. Ele estava decepcionado? Achava que ela estava brincando com o alvo? No fim das contas, Tenji só não estava morta porque Tomori aparecera, junto com a porra de uma força tarefa da D.I.C.E. Ele esperava que ela matasse Tenji quando?

 

Aqueles pensamentos mal tiveram tempo de se alojar em sua cabeça quando dissiparam-se junto da raiva. A verdade era que estava criando desculpas. Sequer pensara em Tenji depois daquela noite. Distraíra-se com a aprovação de Tomori, com seu treinamento, com a missão que fariam juntas. Talvez, se tivesse procurado, haveria conseguido uma oportunidade para terminar o que havia começado. A garota passou as mãos pelos cabelos e deu um suspiro. Antes que pudesse começar a se perguntar o que faria a seguir, viu a mensagem de Asichi. Seus olhos arregalaram. 'Ela vai fazer uma consulta pós cuidado com aquela garota que você salvou'. Nohime passou os olhos pela frase mais uma vez, como se precisasse convencer-se a acreditar na enormidade daquela coincidência.

 

A garota pôs as mãos sobre o rosto. Seu corpo começou a tremer. Estava rindo. Que incrível. Estava prestes a dar razão para o garoto, quando o universo lhe mostrara, daquela forma tão explícita, que estivera certa o tempo todo em deixar Tenji de lado. A garota não valia a pena o risco.

 

 Ah, você foi descuidado, Loki... Agora depende de mim para te salvar.  Ela passou os dedos abaixo dos olhos, limpando as lágrimas do riso.

 

Não tinha muito tempo para pensar. Claramente, o mais seguro para Loki seria avisá-lo que ele teria companhia em breve, para que ele pudesse matar Tenji logo e escapar de uma vez. A despeito disso, a garota hesitava. Ela sabia onde Loki estava. Não seria maravilhoso ir até ele, matar Tenji, e escaparem juntos antes que Asichi e Aoi chegassem na casa dela? Ela mordeu o lábio. Era isso que Loki queria, não? Que ela matasse. Se fosse apenas para lhe dar uma lição de moral, ele podia ter matado Tenji, informado-lhe sobre o que havia feito e dado o fora da casa dela. Ele queria que ela fosse até ele, que contestasse que Tenji era o seu alvo e que era ela que devia matá-la. Ele queria vê-la tirar sua primeira vida. E não seria algo maravilhoso matar com os olhos dele sobre ela?

 

Ela apertou o botão para gravar sua mensagem:

 

Me espera que eu vou aí e termino. Deixo você assistir. — Deixou que o rapaz escutasse a excitação em sua voz.

 

Resolveu não falar para ele sobre Aoi. Tentaria lidar com isso sozinha. Abriu o chat com Asichi e digitou:

 

「Quando exatamente? Talvez eu esteja em Sakurabashi nessa hora e podemos nos encontrar lá (๑꧆◡꧆๑)」

 

Sem perder tempo, a garota conjurou seu martelo e abriu um portal para sair do alojamento sem ser vista. Uma vez que alcançasse um ponto seguro, chamaria um Uber para levá-la até Sakurabashi, determinada a chegar antes de Asichi e sua irmã.

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@Dona Kinne | Rumo a Sakurabashi / Um dia antes da missão

 

A caixa da última mensagem de Nohime não recebeu um segundo V de verificado, sem chegar no seu destinatário. Já Asichi respondeu de imediato:

 

"Ah, ela já deve estar lá na verdade... Ela teve que se retirar por certo tempo para tratar de assuntos pessoais da nossa família até dar o prazo de checagem do cuidado. Depois do incidente com a menina ela meio que se sentiu responsável por ela. Não sei o porquê. Mas enfim, ela não me falou o endereço da menina... mas podemos nos encontrar na estação de trem de Sakurabashi no limite com Komatsu. Acho que é uma boa referência. Estou saindo daqui!"

 

A mensagem de Nohime para Loki, ao longo da corrida da base até o ponto de referência, não chegou. A garota poderia tentar ligar para ele, era algo a ser considerado, mas pensando no tanto de artimanhas tecnológicas que o garoto inventara até então poderia ser algo sem sucesso. O sol já estava se pondo e um laranja saturado banhada os asfaltos que ligavam os distritos. No carro o rádio tocava já que o motorista se manteve em total silêncio, engessado pela timidez de um possível iniciante na função. A música talvez fosse algo aleatório, no entanto a garota, pela falta do que prestar atenção desse vazão para isto, notaria a letra:

 

Spoiler

 

 

Quando chegasse no destino ainda não veria Asichi, mas sim Aoi se aproximando. A mulher estava com um macacão branco e folgado, com o rosto amigável e emoldurado pelo cabelo curto e branco. O mesmo sorriso que a fullbringer vira a primeira vez que estivera com a mulher adornava os lábios. A única coisa notável de atenção era os respingos de sangue espalhados por todo o macacão. 

 

Boa noite, Nohime. Prazer em revê-la.

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"Merda", pensou a garota ao ler a resposta de Asichi. Com Aoi já em Sakurabashi, seu plano de encontrar Loki antes dela, cujo sucesso já era improvável, tornava-se completamente impossível. Sua mensagem, ao que parecia, jamais havia chegado a ele de toda forma. Nohime pressionou-a com o dedo e a apagou.

 

Enquanto a melodia enganosamente romântica tocava no interior do carro, Nohime passava as mãos pelos cabelos e suspirava. Por mais que ela pensasse, não via o que fazer a não ser avisar Loki sobre Aoi. Era o lógico a se fazer. Entretanto, se não falasse nada, tinha uma chance de conseguir vê-lo. Estaria junto de Aoi, talvez tivesse que lutar com ele, talvez ele acabasse morrendo, mas... Iria finalmente vê-lo. A garota mordeu o lábio. Não entendia por que estava hesitando daquela forma. A segurança de seu único amigo não devia ser mais importante do que descobrir a sua identidade? Do que adiantaria descobrir quem ele era se ele acabasse morrendo logo em seguida? Ignorando seus sentimentos conflitantes, a garota pegou o celular mais uma vez e digitou:

 

「Tem gente da D.I.C.E indo para a casa da Tenji agora.」

 

Guardou o celular no bolso da calça assim que saltou do carro. Não dava para ter certeza que Loki receberia aquela mensagem, uma vez que não havia recebido a primeira. Tinha de pensar em um plano B para o caso daquele não funcionar.

 

Boa noite, Suigara-san.  Disse, interpretando um tom de voz polido. Obrigada por me deixar participar do treino junto de Asichi-senpai. Espero poder aprender muito com vocês. Aliás, acho que vou avisar a ela que estou com você.

 

Nohime usou aquela desculpa para rapidamente ver se a segunda mensagem havia chegado até Loki antes de digitar para Asichi que chegara. Se não visse o segundo V confirmando a chegada de sua mensagem, emendaria logo em seguida:

 

Aliás, você sabe se Tenji-san está em casa? Será que não é melhor ligar para a casa dela antes de aparecer lá?

 

Caso Loki estivesse na casa dela, ouvir o telefone tocar seria algo que o colocaria com a guarda alta, ela supunha. Talvez fosse tão eficaz quanto um aviso direto.

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@Dona Kinne | Terminal Ferroviário de Sakurabashi, Limite com Komatsu / Um dia antes da missão

 

A amabilidade deu um lugar a uma expressão desconfortavelmente triste. Quando a mulher ia abrir a boca um carro parou, fazendo Asichi saltar de lá de dentro. Vestia um macacão justo e preto. Em volta do pescoço pendia seu colar. No seu rosto a mesma expressão de Aoi.

 

Foi então que a notícia veio. 

 

Ela está morta, Nohime. Vim até aqui avisar que não poderei ajudá-las neste momento, serei responsável pela autópsia do corpo. — O tom de voz da mulher estava firme, entretanto carregado de notável pesar. — Ela não tinha ninguém. Ninguém. — Tirou os olhos de Nohime e olhou para o sangue em seu macacão. Afastou os pensamentos com um gesto de cabeça e voltou a encarar as garotas. — Para a segurança de vocês peço que retornem para o QG. Tenho certas pistas sobre o autor disso mas desconheço a sua predileção de vítima. Se seguir o padrão de Tenji vocês são alvos fáceis. — Olhando no fundo dos olhos da colegial de cabelos negros, Aoi disse por fim, ternamente. — Meus pêsames, Nohime. 

 

A grisalha retornou pelo mesmo caminho que fizera e sumiu. Asichi aproximou-se lentamente, deixando uma distância saudável entre as duas. 

 

Recebi a ligação da onee-sama no caminho. Sinto muito. — Deixou um silêncio curto tomar a atmosfera. Agora era noite, com a lua despontando majestosamente entre nuvens pesadas que indicavam chuva. A estação estava vazia, recentemente fechada para a reconstituição da linha interdistrital, deixando assovios frios percorrem pelos pilares. Notou sua colega pegando o celular, possivelmente pedindo o UBER para a base. Se resolvesse pegar o seu próprio veria que Loki recebera a mensagem, sem visualizá-la e nem respondê-la.  

 

Enquanto estavam ali não choveu.

 

Dizem que quando alguém morre o céu chora. 

 

Talvez Tenji realmente não fizesse falta para o mundo.

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Ah... – Nohime não precisou fingir surpresa.
 
Era isso então. Tenji estava morta. Loki só havia lhe contatado para dar o aviso. Sentiu seus olhos esquentarem. Não era ruim que parecesse que queria chorar. Era ótimo. Aquela era a reação de uma pessoa normal. Ninguém teria como adivinhar o que realmente passava por sua cabeça.
 
Que estúpida ela era. Por pensar que Loki estava esperando por ela. Por pensar que ele precisava de sua ajuda. Nunca em sua vida havia se sentido tão humilhada.
 
No fim das contas, não chorou. Apesar disso, a reação das irmãs parecia indicar que haviam percebido o que ela sentia, por mais que não tivessem como interpretá-lo corretamente. Enquanto Asichi pedia o Uber de volta para o HQ, Nohime pegou o celular e viu que Loki havia recebido a mensagem sem visualizá-la. Colocou o dedo sobre ela e a deletou. Ele não precisava mais dela, afinal de contas. 
 
Suspirou. Não sabia se estava com raiva de Loki ou de si mesma.
 
Devia mesmo ter matado Tenji? Ela não era forte. Não podia sair por aí fazendo o que quisesse. Não ter matado Tenji não era apenas sensatez dado as circunstâncias? Era, mas isso não tornava a situação menos humilhante. Sua fraqueza era humilhante. Por que Loki tivera que jogar isso na cara dela? A raiva aflorou no seu estômago mais uma vez. Clicou no contato de Loki, bloqueou-o e deletou a conversa. Não iria mais contatá-lo. Era melhor assim.
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@Dona Kinne | Área residencial da D.I.C.E. / Manhã - Dia da missão 

 
A branquidão do quarto de Aoi ia em contrapartida à escuridão dos pensamentos de Nohime. As motivações de Loki ainda eram confusas para ela, porém no atual momento não havia nada do que fizesse para que detestasse menos seu amigo virtual. A chuva que ameaçara cair na noite anterior começou a sua queda naquela manhã, firmando as nuvens com um cinza ameaçador que escondia na sua vastidão embranquecida os trovões guturais.
 
Nohime levantara, fizera seu ritual matinal e não olhou o telefone. Tomori não havia falado com ela sobre a morte, apenas deixado uma mensagem avisando que sairiam às 9h em direção ao centro de Komatsu e que a buscaria na habitação. Não disse o porquê daquela localidade em específico. Não soubera qual fora o destino do corpo de Tenji, se houvera funeral, se ocorreria enterro ou se ainda estava sob a jurisdição da D.I.C.E. Aoi não voltara a entrar em contato com a colegial e Asichi apenas lhe enviara um sticker de uma nuvem de olhos fechados, dormindo um magnífico sono. 
 
No relógio marcava 8h e um temporal assolava o asfalto cinzento no lado de fora. O silêncio ao redor de Nohime parecia a incriminar do fim que a sua colega tivera. Seus pensamentos apontavam-lhe dedos que seu psicológico não a permitia entender. Talvez seus olhos ferveram úmidos apenas por pena. Pena do quão diminuta fora a vida de Tenji, mergulhada em um frustrado anonimato. 
 
Era aquilo que talvez pensasse. Se sim, mudaria de ideia em um futuro não tão distante. 
 
O tempo passava e os devaneios solitários foram interrompidos pelo som de pneus parando em frente à casa. Logo depois, só silêncio. Ninguém saiu do carro.

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Apesar dos acontecimentos inesperados da noite anterior, Nohime havia cumprido o que prometeu a Asichi e falado com Tomori sobre ela. Dissera à irmã que pensara sobre o que ela dissera, sobre ela precisar ser mais estratégica, e que achava que podia aprender muito com Asichi. Aquilo que ocorrera no treino não aconteceria de novo. Elas já tinham se entendido.

 

A expressão de Nohime estava tão cinzenta quanto as nuvens do céu. Nem mesmo a perspectiva de lutar trazia ao seu semblante algum ânimo.

 

'Matar é errado' era o que dizia o senso comum, mas aquilo não era toda a verdade. Havia situações em que matar era permitido, e Nohime havia se deparado com uma oportunidade para viver uma vida em que poderia matar sem punições, contanto que seus alvos fossem aqueles que a D.I.C.E. apontava. Parecia um arranjo perfeitamente conveniente. Estaria sendo usada como uma arma, mas também estaria usando a organização como pretexto para exercer os seus desejos. Era um acordo perfeitamente justo, não? Por que então tinha a sensação de que estava se contentando com a vida de um animal em cativeiro?

 

Já sabia a resposta. Era Loki. Era ele que a fazia se sentir daquele jeito.

 

Suspirou. Podia apagar todo o seu histórico de conversas, mas não era capaz de esquecê-lo. Entrou no carro.

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@Dona Kinne | Rumo a Komatsu / Manhã - Dia da missão

 

O semblante de Tomori indicava que dormira pouco e que estava com seu habitual mau humor. Quando Nohime entrou no carro as mãos firmaram-se no volante e o carro logo partiu, deixando para trás a base. Alguns segundos transcorreram até a mulher começar a falar. 

 

Às vezes eu fico pensando se não escolhi a profissão errada, Nohime. Me lembro da nossa mãe sempre acariciando nosso álbum de família, grávida de você, dizendo que o caminho da bondade não devia ser uma escolha. — As palavras pairaram por um instante no ar climatizado da caminhonete, esperando serem mastigadas e engolidas. — Agora estou aqui, ensinando minha irmã a matar hollows. — Se a garota optasse por avaliar a expressão da irmã veria uma carranca de apreensão crescer através da testa franzida. — E com um peso enorme nos ombros por você ter que se expôr ao perigo e à dor de perder gratuitamente alguém. Pessoas como Tenji, nesse mundo, são reduzidas a alimento. É por isso que passo a acreditar que a bondade é algo relativo. Se ela está no fim, possivelmente justificará os meios que escolhemos para alcançá-la. 

 

O carro descreveu uma curva e os limpadores lutaram arduamente contra a chuva que insistia em assolar o para-brisa.

 

Nossos pais eram shinigamis daiko, humanos com uma sensibilidade espiritual que receberam carta branca da Soul Society para atuarem como purificadores de alma. Eles não eram apenas um homem e uma mulher convencionais. — Trocando a marcha, a mulher acelerou. — As mulheres quando estão grávidas produzem uma pressão espiritual acima da média por estarem gerando outro ser. Nossa mãe nunca deixou de atuar como shinigami pois acreditava que era através do papel dela que encontraria o equilíbrio necessário para Karakura encontrar sossego, era então que durante nossas gestações virava um alvo mais fácil de Gillians e Adjuchas, estágios mais elevados dos hollows. Aconteceu na minha gestação e na sua, por isso temos a configuração genética de fullbringers. — Tomori não olhava para Nohime, nem ao menos certificava-se de que a estava ouvindo. Aparentemente precisava por tudo para fora. — Porém nossos pais encontraram um vasto lorde, último estágio da cadeia evolutiva, que matou nosso pai e feriu gravemente nossa mãe. É aí que a história toma um rumo que você já sabe. Nossa mãe apenas sobreviveu até sua hospitalização porque queria ter você, queria lhe dar a vida. Desde a nossa mudança para Kyoto, a cada segundo que passamos juntas eu via em você a vontade de viver da nossa mãe. Viver uma vida boa, com quem amava. É por isso que me cobro tanto em estar perto de você, lhe cuidando, como se quisesse manter viva a vontade dela. Mas sinto que as coisas já saíram do meu controle já faz algum tempo. 

 

O asfalto passou a atravessar um conjunto de árvores e então algumas formações rochosas. O cenário do outro lado da cortina de chuva mudara drasticamente. 

 

Por esse motivo no final do ano me mudarei de Karakura, após seu aniversário. Recebi uma proposta de emprego na Alemanha há algum tempo e a retive por essas questões. Acredito que Karakura e a D.I.C.E. possui a infraestrutura da qual você precisa para se emancipar totalmente, tanto como cidadã como combatente, por isto estimulo sua permanência. Esse distanciamento será saudável para nós duas. — Aquela decisão era mais dura do que soava nas palavras da oficial. Fluíam com firmeza por talvez terem sido ensaiadas, repetidas vezes, até serem convincentemente seguras para ela mesma. — Por isto quero treiná-la o máximo que puder antes da minha partida. 

 

O carro parou em uma clareira. Pela fresta momentânea que os limpadores criavam no meio das gotas podia se ver a entrada da caverna. Na entrada estava uma silhueta de longos cabelos cinzentos. Tomori olhou por fim para sua irmã. A amava tanto. Aquilo era tão difícil. 

 

Meus pêsames por Tenji. — Os olhos ferviam úmidos, porém não chorou. — Eu te amo.

 

Aguardaria uma resposta. Após ela - ou também caso não a tivesse - sairia do carro, para a chuva, em direção à caverna. 

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Era raro que Tomori falasse tanto. Nohime escutou-a com os olhos bem abertos, como se temesse perder qualquer palavra. Diante da revelação final, a garota franziu o cenho e olhou para os próprios pés. Diante daquela fala, a garota só conseguiu pensar em uma coisa. Estava livre. Havia, no entanto, um estranho vazio associado a aquilo.

 

 Alemanha, é? — Foi tudo o que conseguiu dizer de início.

 

Tomori, que por muito tempo ela havia visto como sua única amiga, ia se mudar para outro país. Loki, que por muito tempo ela havia considerado seu único amigo, havia sido deletado de sua lista de contatos. Entendia agora o que era aquele vazio. Era a sensação de estar sozinha no mundo.

 

Pegou na mão da irmã e apertou-a.

 

Eu vou ficar bem. — Foi o que falou. A entonação de sua voz permitia interpretar mais do que havia sido objetivamente dito. "Não precisa se preocupar comigo" ou "Você já cumpriu suas obrigações" ou até "O que acontecer comigo ou o que eu fizer a partir de agora não vai ser mais a sua culpa" eram algumas das coisas que se podia ler nas entrelinhas.

 

Largou a mão de Tomori e deixaram o carro em direção à caverna.

 

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@Dona Kinne | Em uma caverna em Komatsu

 

  Tá meio louca a pressão espiritual por aqui, ainda bem que chegaram! — Exclamou Asichi com uma expressão atônita. Estava vestida com um uniforme escuro da D.I.C.E., semelhante ao de Tomori.  Tava quase desistindo de suprimir minha reiatsu. — Quando se aproximaram de fato da garota ela saudou com formalidade. — Ohayo! 

 

Bom dia, Asichi. Qual é distribuição que temos? — Devolveu a mulher, inalterada. Aparentemente havia enterrado a fachada desestabilizada de momentos antes. 

 

Temos seis oficiais da minha patente pela floresta, o perímetro além da caverna tem uma van com um oficial no volante e um cara da equipe médica e acima há três sensores.

 

Após a resposta da aluna Tomori aquiesceu com a cabeça, voltando seus olhos para os de Nohime. 

 

Não achou que eu traria duas garotinhas sozinha para dar uma volta em uma caverna legal, achou? — Sendo retórica, a mulher sorriu. Algo respondeu lá dentro a troca de vozes e um pequeno rastro fétido pôde ser sentido no ar. — Segundo Aoi e considerando as informações que temos há grandes chances de o que quer que esteja lá dentro atrair os fantoches para cá, por isso distribuí uma equipe de contenção ao redor da caverna.  Meus superiores não estão tão contentes por ser essa a equipe que lidará com o problema maior, mas o tranquilizei dizendo que Aoi estará também conosco. Acho que isso será o bastante, mesmo que seja uma mentira. 

 

As três então seguiram para dentro, sentindo a pressão se tornar cada vez maior tanto através do ar quanto através do cheiro. Quando a luz reduziu-se a zero, Nohime pôde notar a liberação do fullbringer de Asichi e uma halo luminoso nascer sobre sua cabeça. Aquilo era o suficiente para tornar claro os arredores. Enquanto nada ofensivo era detectado, apenas a intensificação o odor pútrido que era evitado pela grisalha com a gola do blusão, a chefe da missão pronunciou-se. 

 

Se o inimigo atacar de média a longa distância com habilidades de manipulação, como reagem? 

 

Tomori soltou a pergunta no ar pesado, sem cessar os passos.

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Oh? Quando eu vou ganhar meu uniforme também?   Nohime perguntou. Sentia-se um pouco deslocada com sua combinação típica de moletom e calça jeans.

 

Escutou atentamente as informações sobre a distribuição de pessoas no local. Não esboçou nenhuma reação de surpresa. O que era realmente surpreendente era o fato de uma novata como ela estar participando de uma parte tão crítica de uma missão tão importante. Tinha a influência de sua irmã para agradecer por isso.

 

Caminhou ao lado das duas em silêncio, concentrada no cheiro do que quer que estivesse no fundo da caverna. A liberação do Fullbring de Asichi a fez estreitar os olhos brevemente por conta da luminosidade. Tirou a metade de tesoura do bolso, girou-a e liberou o martelo. Não ajudava na iluminação, mas caso elas fossem atacadas, aquele instante extra para liberar o Fullbring poderia fazer falta.

 

Usaria a particularidade do meu Fullbring para me aproximar do adversário e transformar a situação em um embate de curta distância. — Respondeu. A seu ver, aquela era uma das coisas que havia feito em seu treinamento contra Asichi que havia dado certo.

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@Dona Kinne | Em uma caverna em Komatsu

 

A aparência um tanto desleixada de Nohime destoava da negridão de Tomori (a quarta mulher) e Asichi (a segunda da garota), porém o futuro inimigo perceberia que em termos de poder as três eram coesas. Ao passo que avançavam o ar tornava-se cada vez mais pesado e o cheiro mais difícil de suportar, parecendo impregnar nos corpos molhados pela chuva. O ferimento na coxa da colegial não a incomodava ao caminhar, no entanto talvez demonstrasse algum incômodo caso não se atentasse à distribuição do peso de seu corpo nos movimentos. Em resposta à pergunta de Tomori, fora Asichi que respondera primeiro.

 

Analisaria seus movimentos até encontrar um padrão ou uma forma de encontrar aberturas. Só assim planejaria o meu ataque.  — Praguejando mentalmente a garota escondeu seu rosto ainda mais na gola do blusão. 

 

Após ouvir a resposta da irmã, Tomori emendou, sem esboçar alguma reação relevante.

 

Certo. Estamos lidando com um perigo de classe elevada e a presença das duas é um erro por si só, mas em nenhum momento as subestimo. Tenho um complexo de informações sobre o alvo comigo graças à área de inteligência da organização, então estamos seguras. Porém quero que encarem isso aqui como uma situação real de sobrevivência. O que temos são dados coletados até então. Caso algo novo apareça... bem, será uma total surpresa até mesmo para mim.  Repentinamente o caminho findou em uma parede larga, retangular e rochosa. Haviam áreas para além das laterais, podendo ser exploradas caso houvesse algum outro caminho. Diante disso Tomori pontuou.  Asichi tome a direita enquanto tomo a esquerda, talvez identifiquemos alguma abertura ou caminho para seguir até o interior disso. Caso alguma de nós encontre algo, voltemos para cá. Enquanto você, Nohime, averigue essa parede para ver se não é alguma espécie de habilidade de selamento. Se nada de diferente houver com ela, espere-nos para quebrá-la.

 

Dividiram-se. De imediato a garota apenas podia sentir uma pressão espiritual vinda do outro lado, tão forte quanto o cheiro de podre. 

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Não tinha como negar que o aviso de Tomori sobre encarar aquilo com seriedade era direcionado especialmente para ela. Lembrou-se do ferimento em sua coxa, resultado de sua imprudência anterior, e se perguntou se aquilo não poderia atrapalhá-la em uma situação de batalha. Bom, se Tomori tinha a trazido com ela, devia achar que estava tudo bem. Era mais um motivo para ser cuidadosa, no entanto.

 

Surpreendeu-se com a tarefa que a mulher deixou para ela. Compreensão sobre habilidades espirituais não era o seu forte. Se bem que talvez houvesse sido exatamente por isso que Tomori havia lhe dado aquela ordem. Aquilo também era um treinamento para ela, de certa forma.

 

"Dividir o grupo não é um clichê de filme de terror que sempre resulta nos protagonistas sendo mortos um por um?". Nohime apreciou sozinha sua piada de mau gosto. Seus lábios se curvaram em um sorriso debochado, mas a escuridão o engoliu quase que por completo.

 

A garota tentou concentrar-se para perceber as particularidades da energia espiritual que emanava da parede, mas não conseguiu aquietar sua mente. Aquele cheiro de sangue estava a deixando louca. Girou o cabo de sua arma e abriu um portal à frente de onde estava. Havia uma certa equivalência em termos de espaço entre sua dimensão e o mundo humano. Se aquela parede fosse apenas uma barreira de pedra, talvez fosse possível se deslocar para o outro lado passando por seu jardim, mas se houvesse um selo espiritual, talvez alguma barreira visível aparecesse na sua dimensão impedindo a passagem. Pensando nisso, deu um passo para dentro de seu jardim e verificou o ponto equivalente a onde a parede se erguia. Segurava o martelo com as duas mãos em uma posição defensiva.

 

As flores de entranhas que povoavam o seu mundo balançavam de um lado para o outro como se dançassem em uma brisa calma. Nohime sincronizou sua respiração com aquele movimento suave e concentrou-se, tentando perceber qualquer coisa espiritualmente fora do comum ou qualquer aproximação hostil. 

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@Dona Kinne | Em uma caverna em Komatsu

 

Tendo sob seu comando suas distorções dimensionais, Nohime não hesitou em rasgar uma fenda diante de si para testar as propriedades daquela muralha. Quando realizou o primeiro passo entre o mar de entranhas se viu de frente à sete figuras. As cinco crianças brincavam com as pétalas emuladas por tripas e lascas de intestino, a híbrida ficava atrás da mulher, espreitando juntamente à figura imensa.

 

São lindas, não? — Disse em uma voz cantada a mulher enquanto olhava para a imensidão podre e sangrenta. — Você tem um paraíso à sua disposição.

 

Caso Nohime olhasse para trás veria sua fenda costurada com uma espécie de teia espessa. Alguns milissegundos sucederam-se até a garota perceber que outra teia afixava-se ao seu martelo, partindo de dentro de uma das mangas do quimono da mulher. Seu mundo interno parecia carregar o mesmo pesar da pressão e fedor da caverna. 

 

Minha bela garota, é simples. Me diga o que desejam fazer aqui. Se notarmos qualquer movimento suspeito arrancarei seu machado de sua mão e você ficará presa conosco aqui. Mesmo sendo minha família... — Um tom dramaticamente desolado assumiu a voz da albina. — ... eles não costumam ser uma boa companhia. Porém, há uma outra alternativa. Se nos explicar o que fazem aqui e me garantir que partidão de nossa casa, a deixo criar uma nova fenda e esqueço de nosso encontro. 

 

Mesmo distante Nohime sentia a pressão espiritual do outro lado de sua dimensão oscilar. À sua frente o sexteto permanecera inalterado, aguardando a resposta da fullbringer enquanto as flores agitavam-se tranquilamente. 

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Mesmo com a guarda alta, Nohime não conseguiu impedir-se de ser encurralada pelo inimigo antes mesmo de perceber sua presença. Exatamente como aconteceria em um filme de terror, a personagem com o design de figurante fora a escolhida para morrer primeiro. A única coisa que tinha a seu favor era que a mulher escolhera conversar com ela em vez de assassiná-la de imediato.

 

 Obrigada.  A garota respondeu ao elogio feito à sua dimensão com um sorriso sincero, embora houvesse nele algo um tanto melancólico. Era triste constatar que, de certa forma, sua psiquê tinha mais em comum com aquelas criaturas que a sociedade havia designado como escória do que com os outros humanos.

 

Uma vez que havia deixado claras suas condições, o cérebro da garota começou a trabalhar, em busca de uma mentira que apaziguasse a mulher. Foi então que lhe veio, de súbito, a realização de que a melhor coisa que poderia fazer era falar a verdade. Não a verdade nua e absoluta, mas a verdade moldada e distorcida de forma conveniente - não, no entanto, ao ponto de deixar tornar-se mentira.

 

Eu vim aqui porque... Eu queria me tornar mais forte. Para me tornar livre. Sem querer abusar de sua hospitalidade, será que antes de eu partir, você poderia me dizer como você consegue? Quero dizer, como consegue ser forte e viver sua vida livremente apesar da presença de outros que querem destruir sua felicidade?

 

Não atreveu-se a tentar um movimento traiçoeiro. Mantinha o martelo na posição defensiva em que estava quando entrara ali. Aquela não era uma batalha que ela pudesse vencer com força bruta. Tinha de se usar suas palavras para estender ao máximo aquela interação e esperar que suas aliadas percebessem o que havia acontecido.

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@Dona Kinne | Em uma caverna em Komatsu

 

Aquela formação inconvencional nada se alterara com a resposta elaborada por Nohime, esta conseguia apenas distinguir algo como confusão no rosto da matriarca. Um sorriso torto manchava seus lábios, claramente pensando que a colegial a achava burra. Mesmo assim concedeu o prazer em responder a questão.

 

Eu sou forte e livre, com isso sabido minha jovem porque eu temeria algo? — Por um momento Nohime teve a certeza de que morreria quando sentiu uma pressão de algo afiado varar seu pescoço. O reflexo trêmulo da baixa luminosidade fez o fio destacar-se na imensidão, afastando-se. A sensação de perigo veio juntamente a algo fragmentando às suas costas. Se ousasse virar a cabeça veria sua fenda ser forçadamente aberta por uma dupla de reiatsu. — Antes que as amigas lhe salvem dessa particularidade ilusória quero que avisasse-as que não sairão daqui sem nenhuma morte.

 

Cada uma das palavras saíram dos lábios sem alterar a atmosfera gentil que a albina exalava. A garota viu-se afastar-se em um puxão para fora da sua dimensão subversiva, sendo novamente abraçada pelo ar pesado e fétido da caverna. À sua frente pôde ver Tomori e Asichi com ambas as mãos na rocha. A superfície seca e fissurada tremia, respondendo ao toque das quatro mãos. Com seus olhos vulgares Nohime via um pilar de vapor vermelho sair da parede. Fedia a carne podre. 

 

Desaprovada no primeiro teste. O que você e Asichi conversaram sobre as técnicas básicas de fullbring? Manipulação e compreensão da alma dos objetos? Há uma barreira de selamento dentro dessa rocha, apenas desativada quando manipulamos sua alma, a forçamos a vir para a superfície expulsando então o que a impregna. — Parecia que sua irmã e Asichi eram mais próximas o que pensara já que Tomori sabia das mensagens trocadas. Deu um curto tempo para alguma resposta da garota, então emendou, virando-se para Nohime. — O que viu lá dentro?

 

Asichi limitou-se a bater as mãos na vestimenta e voltar a esconder seu nariz na gola do blusão.

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Por mais que a matriarca parecesse saber que ela estava apenas ganhando tempo, não resistiu a responder o que ela diria. A resposta, infelizmente, não lhe trazia nenhum conhecimento. Aqueles que eram fortes e livres não temiam nada? Ela já sabia disso. O problema era como ser forte, como ser livre... Talvez fosse inútil pensar naquele tipo de coisa quando estava prestes a morrer, mas também, todo pensamento é inútil quando se está prestes a morrer.

 

A manifestação das reiatsus de suas aliadas estourou às suas costas, indicando que sua tentativa de ganhar tempo havia sido um sucesso. As últimas palavras de sua inimiga foram muito mais prestativas que as anteriores. Uma ilusão? Devia ter imaginado. Só abrira um portal. Era difícil que todas aquelas criaturas conseguissem entrar na sua dimensão pela porta pela qual acabara de passar sem que ela sequer percebesse suas presenças. Talvez tivesse superestimado o inimigo. Sua volta à realidade foi acompanhada pela fala de desaprovação de sua irmã. Parecia que, ultimamente, todos à sua volta só queriam saber de lhe dar lições de moral. Resolveu não responder à irmã. Aquilo só a faria continuar a enxergá-la como uma criança. Havia também outra coisa. Por algum motivo, não queria brigar com a irmã com Asichi por perto. Como se estivesse conversando com uma superior com a qual não tinha intimidade, Nohime relatou as informações que tinha da forma mais concisa possível:

 

  São oito inimigos. Cinco crianças, uma criatura humanoide de grande porte, um híbrido entre humano e aranha e uma mulher. Esta última é a líder. Ela pode usar habilidades ilusórias e utiliza fios cortantes para atacar e amarrar os adversários. Não sei se essa última parte importa, mas eles todos se tratam como se fossem família. É possível que suas habilidades sejam todas da mesma natureza, ou pelo menos sigam o mesmo tema.

 

Uma vez que havia terminado, ela virou o rosto para Tomori e depois para Asichi.

 

 E vocês? Descobriram alguma coisa? — Perguntou.

 

 

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@Dona Kinne | Em uma caverna em Komatsu

 

A parede parecia que, enquanto o diálogo entre as três se desenrolava, iria estourar a qualquer momento. Suas fissuras multiplicavam-se, ao passo que o vapor fétido começava a se extinguir. Nohime optou por ser concisa e expressar tudo o que vira momentos atrás, o que foi respondido por um olhar trêmulo de Asichi sobre a gola alta e um sorriso confiante de Tomori nos lábios.

 

Há uma fenda também selada na extrema esquerda da caverna, sem nenhum rastro espiritual notável no outro lado. — Como se respeitasse algum timing a parede fragmentou em pequenas pedras, indo ao chão num som pesado que ecoou pela galeria. Imediatamente Tomori e Asichi aumentaram a guarda, porém nada avançou. Apenas um vestígio fresco de reiatsu serpenteava pelo ar, seguindo escuridão adentro. Mastigando mentalmente as informações de Nohime, a mulher ponderou por alguns segundos, falando logo após. — Asichi, foque sua atenção nas suas técnicas sensoriais. Precisamos estar cem porcento cientes de que nada visualmente indetectável nos atinja. Claramente a inimiga consegue fazer a manipulação através dos fios. Nohime, não conhecemos o mapa desse lugar então evite usar suas fendas a não ser que as necessite por urgência ou em campo de batalha. Há grandes chances deles também serem especialistas em manipulação de energia.

 

O caminho antes percorrido, parcialmente coberto pela escuridão e relativamente largo, transformou-se em um ainda mais largo corredor, tão úmido quanto o ambiente anterior. A atmosfera antes pesada agora ganhava esporádicas correntes de ar aliviando um pouco o olfato das três.

 

Sem quaisquer avisos, Asichi materializou seu arco e disparou uma flecha ao fundo, lançando um halo luminoso durante sua trajetória. Alguns segundos se passaram até o disparo ser engolido completamente pela sombra. Os olhos da garota arregalaram-se, voltando-se para as outras duas.

 

Minha flecha foi desmaterializada. Há um inimigo no final do corredor. 

 

Mantenha-se na retaguarda, Asichi. — A oficial avançou, fazendo a equipe segui-la. Com a potencialização do bringer light o deslocamento de Tomori foi quase imperceptível para a irmã, que foi encontrá-la só segundos depois já em frente à criatura robusta que encontrara em sua dimensão. Durante à corrida a grisalha disparara duas outras flechas com o intuito de ocupar o alvo para que não se antecipasse. Porém o que a dupla viu quando por fim alcançaram o inimigo foi difícil de acreditar. Um dos abraços atravessava o centro de Tomori, enquanto seu corpo pendia moribundo sem vitalidade. 

 

Ainda na mesma posição, a criatura continuou a encarar as duas garotas. 

 

Pela primeira vez até o presente momento Nohime viu Asichi tremer enquanto segurava o arco. E tremendo disparou uma flecha em direção à testa do aracnídeo.   

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A imagem do cadáver de Tomori, atravessado pelo braço imenso daquela criatura monstruosa, assolou os sentidos de Nohime fazendo-a arregalar os olhos. Não. Era impossível. Não conseguia acreditar que sua irmã seria morta com tanta facilidade por um mero lacaio do inimigo principal. Aquilo parecia tão errado para ela que Nohime simplesmente não conseguiu acreditar no que via. Talvez não acreditar fosse uma artimanha inteligente de seu psicológico para conseguir lidar com a situação. Sendo ou não o caso, Nohime abraçou inteiramente a negação.

 

O inimigo tem habilidades ilusórias.   Ela repetiu para Asichi, como se achasse que convencer a outra da possibilidade de aquilo ser falso pudesse garantir que realmente era.

 

Hesitou, lembrando-se do treino com Asichi no dia anterior. Quando lançara suas ilusões na grisalha, ela conseguira localizá-la da mesma forma usando a percepção espiritual. Mordeu o lábio. Por mais tentador fosse abraçar incondicionalmente a negação conveniente, se o que estivesse vendo diante de seus olhos fosse a verdade, do que adiantaria correr para cima do adversário e morrer de forma patética? Não era isso que Tomori desejaria para ela.

 

Use sua percepção espiritual. Você consegue senti-la? Se não, talvez o melhor seja batermos em retirada e chamarmos por reforços. — Cada palavra era como uma colher de vinagre que ela tinha de engolir. 

 

Aquele raciocínio fazia sentido. Era daquela maneira estratégica que Tomori queria que ela pensasse. Não obstante, era revoltante, era asqueroso ser tão fraca que precisava pensar daquela forma. Esforçou-se para perceber o ambiente com sua sensibilidade espiritual e procurar por Tomori. Mas também não podia fazer só isso. Se ficasse parada ali, seria um alvo fácil.

 

A habilidade principal dos fullbringers era moldar a alma dos objetos. Nohime sentia que aquele princípio havia sido repetido para ela sem parar dentro das últimas horas. Estava na hora de usá-lo. Concentraria para tentar manipular a alma do solo próximo a seus pés e mudar sua textura, tornando-o mais sedimentoso, menos como rocha e mais como areia. Moveria o martelo em um arco fazendo a poeira subir pelos ares para que pudesse ver melhor as silhuetas dos fios que a adversária usava. Feito isso, a garota avançaria em direção ao adversário, certificando-se de manter-se a uma distância em que seus braços ainda não conseguissem alcançá-la. Abriria uma de suas fendas no chão e, assim como fizera no treino do dia anterior, conjurara um tentáculo de flores de seu interior para atacar a criatura a média distância. Focava energia espiritual na sola de seus pés para poder desviar com o uso do Bringer Light no momento em que fosse alvejada por qualquer ataque inimigo.

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@Dona Kinne | Em uma caverna em Komatsu

 

As palavras de Nohime foram como um tapa na cara de Asichi. Levantar a hipótese ilusória fez com que a grisalha se recompusesse, fazendo eu arco aparecer num brilho rápido. Enquanto isso o fluxo mental da Kisaragi dava voltas, considerando todas as possibilidades e tudo o que aprendera sobre suas próprias habilidades nos últimos acontecimentos. Em um encaixe inteligente, combinou as propriedades básicas do fullbringer com uma curva de seu martelo, lançando contra os fios uma armadilha que os evidenciou perante aos olhos vulgares da dupla. Ambas viram, na contraposição de luz e textura, fímbrias que cintilavam tímida e momentaneamente. Aproveitando-se disso, Nohime avançou juntamente à sua colega já dona de seu próprio controle. 

 

Não é uma ilusão, mas aquela não era ela.

 

Em um balanço brusco de braço a criatura livrou-se de Tomori, cruzando os membros em seguida em frente ao torso para receber o avanço das novas adversárias. Atrás de si estava mais uma parede espessa e rochosa. Parecia que o lugar era uma cópia perfeita do que estiveram momentos atrás. O chão onde o corpo moribundo da oficial havia sido jogado estava sem ninguém. De forma relativamente rápida a dimensão foi criada, vomitando alguns tentáculos escarlates enquanto sua conjuradora se mantinha atrás, preparada para evadir da resposta do grandalhão com seu realce de agilidade. Segurando com uma das mãos o aglomerado de flores putrefatas, a criatura urrou alto, descrevendo um puxão e estraçalhando as flores numa explosão sangrenta. Um pouco mais acima de Nohime avançava Asichi, superior ao inimigo em velocidade, em suas placas espirituais. Com o outro braço reagiu à sua aproximação, porém a garota banhou os pés com o bringer light em um impulso com um mortal, livrando-se do golpe e descrevendo em seguida um corte em seu ombro com algo que parecia ser uma de suas flechas. 

 

Algo esverdeado esguichou do ombro. Asichi havia conseguido sua condição. 

 

Criando mais uma placa realizou um mortal retrógrado, recuando ao passo que mais um tentáculo partiu em direção à perna esquerda do grandalhão, aproveitando-se da distração. Por algum motivo, mesmo após reagir aos movimentos da dupla, a criatura não saía do lugar. 

 

Não demorou para explodir o novo tentáculo com um golpe grosseiro de mão. Dois segundos se passaram até a boca cheia de presas abrir e vomitar uma teia hexagonal, repleta de emaranhados menores. Ela ocupava a largura e altura do corredor e voava na direção das duas com velocidade. 

 

Obs.: desconsiderei a eficácia dos tentáculos pelo motivo do movimento em si não ter sido bem descrito (direção, trajeto do movimento, alvo e etc). Asichi agirá em suporte à sua resposta à técnica de teia, mesmo ela tendo habilidades counters, já que quem tem que brilhar é a Nohime.

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Não era ela? Aquela não era a resposta que Nohime esperava. Claramente, ainda havia aspectos das habilidades do inimigo que ela não entendia.

 

Antes que pudesse obter qualquer esclarecimento quanto àquilo, o adversário reagiu, lançando um imenso ataque de teia na direção das duas. Nohime moveu a parte cortante do martelo contra a parede, criando uma fenda dimensional grande o suficiente para ela e Asichi darem um passo para dentro e fazer com que o ataque passasse direto por elas - assim como acontecia nos filmes de exploração de caverna, quando o herói se desvia de uma rocha gigante ao refugiar-se em uma passagem lateral. Ao contrário do que ocorria nos filmes, no entanto, Nohime não pretendia simplesmente esperar a rocha passar.

 

Eu vou chamar a atenção dele. — Disse, baixo o suficiente para que apenas Asichi a escutasse. O melhor ponto do fulllbring de Asichi era, com certeza, a forma peculiar que ela conseguia controlar suas flechas e explorar pontos cegos do inimigo. Tinha certeza que se conseguisse criar uma distração adequada, a garota seria capaz de explorar a oportunidade da melhor maneira possível.

 

Aproveitando-se que tinha duas fendas abertas, a garota deixou-se cair para trás, para dentro da fenda que acabara de abrir na parede, para então emergir do buraco criado à frente da criatura. Em conjunto com seu avanço, a garota conjuraria três tentáculos em direção ao alvo. Utilizaria a parte espinhenta de suas flores para dar ao ataque um aspecto perfurante. Dois alvejavam cada uma de suas pernas, e o terceiro avançaria na direção do tórax. Assim que as construções começassem a ascender, Nohime saltaria sobre a base do terceiro tentáculo, usando dos princípios de manipulação energética para tornar o ponto em que seus pés tocavam ligeiramente mais elástico e possibilitar um salto contra o inimigo, seguido por um golpe do martelo contra a sua cabeça. Assim que seus pés alcançassem o chão, estaria pronta para usar o Bringer Light de forma desviar de um possível contra-ataque contornando o adversário pela lateral e levando seu martelo junto para mais um golpe nos flancos de seu corpo.

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@Dona Kinne | Em uma caverna em Komatsu

 

A esquiva fora eficiente ao mesmo tempo que colocava as garotas em frente à criatura. Nada além de inalterabilidade pôde ser notada na última, movendo os braços confusamente para evitar qualquer novo golpe que viesse da dupla. Os tentáculos das laterais golpearam com êxito as pernas, criando feridas relativamente profundas, à medida que o terceiro dava à Nohime um ponto de apoio para um salto. Paralelamente um martelo voava de forma descendente à cabeça do mostro e o que fora o apoio de salto da fullbringer outrora perfurava avidamente seu alvo. Ainda enquanto estava no ar Nohime vislumbrou a porção inferior de seus olhos iluminarem-se com algo que notou ser depois uma flecha gorda e cintilante. Porém, em janelas de tempo que duravam apenas fragmentos de segundos, muita coisa acontecia. 

 

Livres, ambos os braços da criatura esperaram o golpe da Kisaragi, não só evitando o golpe como também roubando o martelo. Um pouco mais de um segundo se sucedeu com o corpo da atacante voltando ao solo, encontrando no caminho o apoio da robusta flecha ao mesmo tempo que via a parte superior do corpo do monstro desprender-se dos quadris. Um jato verde parecia querer em vão reconectar o pilar de carne, esguichando descontroladamente pelo torso, sujando flecha, chão e moletom de Nohime. Em seguida, enquanto assimilava a reação do inimigo e sentia algo fisgar feito anzol sua coxa, fazendo cair sobre um dos joelhos, viu algo emergir da confusão de líquido verde: quatro pares de patas escarlate substituíram as pernas humanoides, pousando no solo.

 

No período de tempo que a colegial usaria para reagir ou até mesmo usar para desativar seu fullbring e desarmar a criatura, sentiu o ar fétido e pesado distorcer-se com a expansão da reiatsu de Asichi. Apenas pôde ver um trio de flechas partirem em direção ao híbrido, unindo-se pouco antes de chegar à sua localização e criando no atrito uma maior em sentido giratório, como broca. Se não fosse interceptada a flecha perfuraria seu alvo até reduzir a resistência que encontrasse em migalha. 

 

E pelo que Nohime podia notar a criatura pretendia proteger-se com seu martelo.   

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