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Dentro da redoma, abaixo da imensidão de pedra, os passos de Dobei emudeciam. Uma mixórdia de sons, luzes e cheiros preenchiam a noite de Iwagakure, contrapondo a expressão de poucos amigos da mulher. Tivera uma reunião nem um pouco amigável com os conselheiros de Oomana momentos atrás e seu humor beirava à completa ira. Dava o crédito de seu estado de espírito a eles, porém muito mais se misturava ao seu estresse. O afastamento de Hiro tão repentino a pegara desprevenida em um momento em que não acreditava ser capaz de tanta responsabilidade. Suas remotas experiências com adolescentes resultara em pálpebra tremida e membros deslocados e a ideia de encarar cedo demais a tarefa, ainda mais em uma missão de Rank C, fazia seu estômago se contorcer. 

 

Dobrando o pescoço desviou de uma tigela de lámen, fulminando o arremessador bêbado com o par de olhos cinzentos. Uma mulher o puxou, antes que a jounin reagisse, para dentro da tenda. Dobei respirou. Traumas obscurecidos mergulhavam coração e mente adentro, relembrando-a do quanto era incapaz. Do quão deslocada se sentia na função, porém sua razão jogou-lhe na cara a dívida que tinha.

 

A frustração era sufocante demais e a cacofonia fazia tudo ser mais claustrofóbico. 

 

Foi então que saltou em direção aos prédios irregulares, rústicos, fazendo sua silhueta distorcer-se numa sombra apressada. Tinha coisas a fazer. 

 

/

 

Fazia um dia e meio que o trio encarara sua primeira missão, dando-os tempo suficiente para superarem o cansaço e prepararem-se para um novo passo. Surpreendidos foram em suas residências quando uma correspondência da Hokage chegou.

 

______________________________________

Hiro infelizmente não poderá seguir liderando-os. Encontrem seu novo jounin amanhã, às 18h, no portão principal.
Terão uma importante tarefa a fazer em Gojinka, vilarejo à noroeste de Iwa. Preparem-se. Esta é uma missão de Rank C.

 

Desejando força,

aaaaaaaaaaaaaaaaaaOomana.aaaaaaaaaaaaaaaaaaa

 

Do momento da entrega do bilhete teriam quase um dia para prepararem-se e para terem, enfimo primeiro contato com a verdadeira vida de um ninja.

 

Spoiler

Simbora <3 Utilizem desse momento para rp livre, explorar o final da missão, as impressões dos genins a isto, sua preparação para a nova e o primeiro contato no portão. A missão iniciará a partir do próximo turno, quando a Dobei aparecer.

 

@Hemurin @Keel Lorenz @ryu-ryu

MUSA | INORI | MUJA | LNC 

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Um dia após voltarmos de nossa missão, estava me aventurando pelos arredores de Iwagakure, vasculhando pedra sobre pedra para encontrar um lugar que fosse interessante para reunir o time recém-formado. Ainda pensava bastante sobre o fato de não nos conhecermos muito bem (no caso, Hakuryuu e Hiro), e o que isso poderia trazer de problemas em uma nova tarefa. Eu tinha em mente um lugar onde a gente pudesse comer, por motivos óbvios: se tudo de errado pudesse acontecer e no final restasse apenas ódio, a gente comia e ia embora. Não tem como ficar de mal humor depois de uma boa refeição.

 

Discuti essa ideia com Naraka na noite anterior. Mesmo com o seu pessimismo, ele pareceu aceitar que poderia ser interessante - bem, pelo menos até eu dizer que o plano era irmos com Hakuryuu e Hiro também. Após isso, ele pareceu um pouco desapontado (e eu impaciente, já que o time não se resumia a ele e eu), mas pode ter sido só impressão minha.

 

Após caminhar por algumas ruas sem achar nada que me chamasse atenção, encontrei o LUGAR PERFEITO. Não ficava longe do meu alojamento, não estava lotado nem vazio e tinha um aspecto de limpeza. Infelizmente esqueci de olhar o cardápio, mas como o nome era bem sugestivo, não deveria ser tão difícil adivinhar o que eles serviam. Mentalizei uma kunai cortando o primeiro passo do meu plano: 1. Encontrar um lugar para a reunião.

 

Passei para o próximo item da minha lista, que era encontrar os colegas restantes e convidá-los. Por pura sorte, notei um vagante Hakuryuu um tempo depois.

 

- Olá, Hakuryuu-san! Um momento, um momento! - falei, tentando chamar sua atenção para que parasse e pudéssemos conversar. - Agora que somos um time, achei que seria interessante nos reunirmos para comer e conversar um pouco... Afinal, como podemos morrer a qualquer momento nas missões, pelo menos saberíamos o mínimo de cada um para sentir um pouco de remorso, né? Já convidei Naraka e estou procurando Hiro-sensei. O que acha?

 

Esperava não precisar insistir muito e depois de receber a resposta, falaria para nos encontrarmos às 16:00 no início da rua, escondendo o nome do restaurante para fazer surpresa. Após isso, segui torcendo para encontrar o sensei rápido, quem sabe topando com ele por acaso. Infelizmente, isso não aconteceu. Caminhei por um bom tempo e nem sinal dele, então aceitei que ele devia estar bêbado em algum lugar esquisito, desisti da busca e fui direto pra casa.

 

Ao entrar no quarto, a primeira coisa que notei foi uma carta de aspecto oficial colocada por baixo da porta. Será que tivemos problemas na missão de trocar a terra? Será que teríamos que pagar com a nossa arcádia dentária para construir uma dentadura para Fugiro Nakombi comer os seus lanchinhos crocantes? Peguei a correspondência e a abri rapidamente, e tive uma notícia interessante... Nova missão amanhã, com um novo sensei, já com horário e ponto de encontro definidos, assinado pela Tsuchikage. O que aconteceu com o Hiro-sensei? Seria uma boa pauta.

 

Dormi imaginando diversas teorias que poderiam ter afastado Hiro do time. Vagava entre prisão por atividades ilegais (como criar problemas para que contratassem ninjas para resolvê-los), atropelamento por cavalos e cirrose. Tirando a cirrose, o resto parecia mais improvável. No outro dia, já perto do horário marcado com os companheiros de time, arrumei tudo que precisava levar para a missão, já que eu iria me encontrar com o novo jounin de lá mesmo. Naraka estava próximo dali, então não fiquei surpresa de encontrá-lo para seguirmos juntos:

 

- Oláá. Bem, hoje também teremos uma nova missão, e o melhor: uma missão Rank-C. Ao menos o nosso sucesso está vindo, mesmo que eu não ache que a missão anterior foi suficiente para testar nossas habilidades, mas se eles acreditam que damos conta... Então, vamos? Você só vai saber o nome do lugar quando chegarmos lá.

 

Seguimos andando, esperando encontrar um Hakuryuu no lugar que combinamos. No início da rua, o cumprimentaria rapidamente e iria direto para o Pinto no Balde, já que agora estávamos com o horário apertado. Escondendo a cara de riso quando estávamos à entrada do lugar, entrei e peguei uma mesa desocupada que estava no canto.

 

- Vocês viram que Hiro-sensei foi removido do nosso time? O que vocês acham que aconteceu? - perguntei com certa curiosidade, selecionando as melhores teorias para dividir com eles. Enquanto isso, verifiquei o cardápio que já estava na mesa. - Credo, só tem frango frito nessa droga? Eu nem gosto muito de frango frito... - já estava me arrependendo da minha escolha.

 

Fiz uma nota mental de no futuro pensar não só no aspecto do lugar, mas nos pratos também. Enquanto isso, uma mulher se aproximou, perguntando se já queríamos pedir.

 

- Aaa, sim. Bem, eu quero um frango fri... - fui interrompida pela mulher, que falou que não tinha frango no momento. - Como não tem frango se o nome do lugar é Pinto no Balde? O que vocês tem, então? - perguntei com certa impaciência, já sabendo que tinha sido uma péssima ideia ir ali. Ela repetiu que não tinha frango frito, como se eu não tivesse entendido, depois apontou para os aperitivos e as bebidas. - Então eu vou querer batata frita e um suco. - Ela perguntou qual suco eu queria, dando as opções de laranja, limão e melancia. - Hm... Vou querer melancia. - ela respondeu que não tinha melancia. - E PRA QUE VOCÊ ME OFERECEU? Laranja então, droga.

 

Depois de gastar toda minha energia para escolher duas coisas, voltamos a nos concentrar em assuntos mais urgentes: a saída de Hiro, o novo sensei e a nova missão.

 

- Será que descobriram que o Hiro-sensei estava envolvido com aquela terra esquisita na nossa última missão e levaram ele preso? Pareceu muito estranho que do nada ele resolvesse o problema, é como se ele soubesse o tempo todo. Ele também pode estar no hospital, passando por uma cirrose. - O nosso pedido levou um tempinho para chegar, mas não pude deixar de notar algo diferente no que eu recebi. - Ué, mas esse suco é de limão. Eu pedi de laranja, não foi? - a mulher respondeu que não tinha laranja também e eu já tava querendo virar a mesa de tanto ódio. Me contive com um facepalm e com uma evidente vontade de ir embora dali, voltei para a nossa conversa. - O que vocês tão esperando do novo sensei? Como não sou daqui, não conheço os jounins da vila. E pra ser sincera, eu só tô torcendo para ser alguém que, no mínimo, fique algumas horas sóbrio...

 

Continuamos a conversar enquanto comíamos nossa refeição sem graça. Alguém nos lembrou que devíamos ir embora, pois já estávamos perto do horário da nova missão. Então pagamos, com a atendente agradecendo a visita e pedindo desculpas por não ter frango, e fomos embora. Nota mental: NUNCA MAIS entraria nesse lugar chamado Pinto no Balde.

 

Segui andando para o portão principal, um pouco nervosa porque teríamos que começar tudo de novo com o sensei novinho em folha. Por mais que desconfiasse que Hiro-sensei fosse um jounin de verdade, ao menos ele não dava a mínima pras pessoas ao seu redor. Já pensou se o sensei novo fosse alguém que nem de gente gosta? Então, não querendo me atrasar, suspirei e adiantei o passo até o ponto de encontro.

Edited by Hemurin
2 errinhos de conjugação verbal djashdas
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Eu ainda não havia me recuperado da primeira missão ninja que havia participado no dia anterior, mas eu não me referia a fisicamente. Minha mente ainda não havia se recuperado da imagem do velho que nos contratou pelado, com tudo pendurado e cheio de pelanca. Aquilo era o estágio final que todo homem iria alcançar? Não havia como impedir que uma aparência tão horrenda fosse o meu destino? Ou, mais uma vez, chegar naquele estado era apenas azar?

Não fazia sentido. Se for por falta de treino corporal, eu não acredito que um fazendeiro que trabalha das cinco da manhã até as dez da noite falhasse nesse quesito. Seria então a forma que ele trabalhava os músculos, sempre de um único modo? Se for esse o caso, eu não vou terminar daquele jeito. Não mesmo. Deitado no chão do meu quarto, começaria a fazer abdominais de imediato, buscando, pelo menos, não ter uma bacia de pele na frente do meu sac-

Antes que eu pudesse terminar o meu pensamento, uma carta deslizou por debaixo da porta. Por mais que eu estivesse distraído comigo mesmo, eu teria visto o pé de quem deixou aquilo ali, mas quando dei por mim o papel apenas surgiu como um passe de mágica. Pelo formato dela, parecia de extrema importância, e assim que abri e li o seu conteúdo eu pude confirmar a minha teoria.

- Uma missão Rank C designada diretamente pela Oomana, a Tsuchikage de Iwagakure. – Disse me levantando, com uma clara expressão de desespero.

Fazendo o selo de cobra com a mão esquerda, bati no chão do meu quarto e subi uma pequena cratera de terra do tamanho de uma cesta de lixo onde joguei aquela carta dentro e imediatamente botei fogo. Aquilo havia sido um engano, não tinha como eu ser escalado para uma missão Rank C. Por mais que tivesse escrito algo sobre o sensei bebum, tenho certeza que eram códigos secretos e sem querer entregaram pra mim. Sim, é isso. Eu não podia ter dado o azar de cair em uma missão Rank C assim, do nada. Sendo assim, iria destruir a prova de que eu me envolvi com aquilo, agora eu só precisava ir provocar a Kana pra ela me dar um socão na cabeça e eu esquecer o que eu li.

Já que a garota era minha vizinha de quarto, chama-la até o meu e pedir pra que ela me apagasse foi fácil, e brutamontes como ela sempre foi, o meu pedido foi realizado alegremente por ela. Com apenas um murro, eu apaguei em cima da minha cama e dormi o resto do dia tranquilo fugindo das minhas responsabilidades.

Acordei no dia seguinte com uma puta dor de cabeça, mas eu não sabia o motivo. Enquanto coçava a parte da minha cabeça onde tinha um galo, levantei para ir até o banheiro, mas acabei tropeçando em uma espécie de cratera que tinha no meio do quarto. Como aquilo foi parar ali? Há! Claro, por puro azar. Suspirei fundo vendo que aquele iria ser mais um dia completo de azar, o qual não me deixaria em paz provavelmente nunca.

Botei minha roupa e sai, fui dar uma volta em Iwagakure até dar o horário de encontro com a reunião que a Kana queria fazer. Por mais que eu tentasse encontrar coisas novas naquela vila, de certa forma tudo o que eu via eram pedras. Pedras grandes, pedras pequenas, pedras coloridas, pedras de diversas formas. Mas, por mais pedregosa que o lugar fosse, as pessoas que eu vi na rua pareciam felizes. Por um minuto fiquei na dúvida se elas não estavam felizes por estarem rindo dos meus tombos, entrada em lugares errados, cachorros e gatos me perseguindo, crianças puxando a minha capa e quase me enforcando e mais uma série de outras cenas geradas pelo meu azar, mas acabei deixando pra lá.

- Você tá atrasada... – Respondi a Kana assim que a vi, nem um pouco interessado no lugar que ela fazia tanto suspense pra contar; o que fez com que eu não prestasse atenção em tudo o que a garota falou, fazendo também com que eu esquecesse os eventos anteriores.

A segui para que chegássemos logo na tal reunião sobre nosso time e o... Hiro? Quando pensei nesse nome, o galo da minha cabeça doeu por algum motivo me deixando levemente perdido quanto ao que tinha acontecido. Digo, o galo eu provavelmente peguei após bater com a cabeça enquanto dormia, digno do meu azar, mas porque aquele nome...? Fora então que encontramos Hakuryuu e enfim chegamos no restaurante misterioso que tinha um nome engraçado, apesar de tudo.

Assim que entramos e sentamos em uma mesa, mais uma vez o nome do Hiro foi mencionado e eu senti uma dor no meu galo. Pela forma que a Kana fez aquela pergunta, Hiro parecia ser o nome de alguém do nosso time – o sensei, provavelmente, e ele havia sido retirado do time. Mas, por qual razão? Ele havia sido um sensei ruim? Ah...

- Eu tive uma perda de memória... – Comentei comigo mesmo, demorando pra perceber o que havia acontecido comigo.

Eu havia conseguido ser tão azarado ao ponto de bater a cabeça enquanto dormia e, de brinde, ainda tive uma perca de memória. Eu não podia falar isso. Não mesmo. O que os dois iriam pensar de mim? Era tanto azar que chegava a ser engraçado e eu não queria que eles rissem de mim. Iria manter segredo. Sim. Eu só precisava agir como se conhecesse aquele sensei e os dois nunca iriam perceber que eu tinha batido a cabeça e perdido a memória sozinho.

- Ah... Acontece. Vai ver precisaram dele para um trabalho mais importante do que cuidar de três genins novatos. – Foi a minha resposta, em um misto de medo que tivesse sido rasa demais e de esperança que funcionasse.

Nesse momento a atendente do restaurante chegou para anotar nosso pedido, mas, segundo ela, nada do que queríamos tinha no momento. No inicio eu até entendi o porque da Kana ter ficada tão braba com aquilo e estava concordando com ela, mas pouco a pouco a minha ficha foi caindo novamente. Olhei em volta, dentro do restaurante, e percebi que não havia mais ninguém além da gente. Do lado de fora, o movimento das pedras era mais provável do que de possíveis clientes que fossem entrar ali.

A resposta então ficou óbvia.

- ............ É minha culpa........... – Falei momentaneamente, me levantando. – A GENTE TEM QUE IR EMBORA, KANA! SE NÃO SAIRMOS DAQUI AGORA EU VOU DESTRUIR ESSE RESTAURANTE! ISSO SÓ PODE SER OBRA DO MEU AZAR! NÃO TEM COMIDA, NÃO TEM CLIENTES, NÃO TEM NEM SUCO, E ISSO TUDO SÓ ACONTECEU PORQUE O AZAR SABIA QUE EU VIRIA AQUI E ELE COMEÇOU A AGIR DESDE CEDO PARA DESTRUIR ESSE LUGA! VAMOS EMBORA! – Bradei para a garota que, para o meu azar, não devia ter escutado uma palavra do que eu disse por estar mais uma vez gritando com a atendente que a trouxe o suco errado.

Suspirei fundo com meus olhos de peixe morto olhando o chão, completamente arrependido de ter ido a um local de público como era um restaurante. Eu não só havia tido amnésia por causa do meu azar, como agora iria falir o Pinto por ter entrado no Balde. Perdido nos meus pensamentos, me vi apenas comendo as batatas fritas que além de frias e meio duras, quase não tinha sal.

- Fukou da... – Disse baixinho, fazendo o meu melhor para, ao menos, não deixar que aquelas batatas fossem jogadas no lixo também por culpa minha.

Acabou que eu não prestei atenção nenhuma na parte principal da conversa, deixando tudo pro Hakuryuu resolver com a Kana. Eu tinha um trabalho mais importante para fazer agora. Iria mais uma vez rodar Iwagakure inteira em busca de uma loja que vendesse artigos de sorte e de remoção de azar para tentar ajudar o Pinto no Balde a ter seus clientes e boa comida novamente, uma vez que foi meu azar que tirou tudo deles.

Coincidentemente acabei indo na mesma direção que os dois ninjas do meu time, acabando parado no portão principal da vila. Será que eu deveria tentar buscar por uma loja fora ou dentro dela? Se eu procurasse dentro, mais cenas de azar ocorreriam e eu acabaria me atrapalhando, mas se eu procurar fora da vila posso acabar é nunca mais voltando pra ela me perdendo... Pensaria mais um pouco ali, parado, sobre o que eu iria fazer. Vai que uma alguma ideia surgia na minha cabeça nesse tempo.

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Para variar, mais uma vez havia falhado em suas tentativas de entender as pesquisas a respeito de sua própria linhagem. De certa forma, não estava decepcionado ou coisa do tipo. Ele meio que já esperava, afinal. Aquele troço grande, pesao, empoeirado e com bordas chamuscadas estava em grego, letras minúsculas e páginas finas. Parecia o inferno em forma de livro.

 

- Ah… - o garoto suspirou, batendo a pesada primeira metade do livro sobre a outra para fechar.

 

Manteve-se por alguns instantes imaginando como poderia transpor tamanho obstáculo. No entanto, todos os caminhos que conseguia formular pareciam ser lentos demais. Sentia-se ansioso para entender e, ainda que sentisse que era questão de tempo, no fundo não queria passar por tanto. Estava impaciente. Queria agora. Torcendo a boca, então, imediatamente levantou-se para sair de casa. Talvez a ânsia passasse se caminhasse a esmo um pouco.

 

- Ahn?! - assustou-se, ao ouvir seu nome enquanto caminhava só de corpo - Kana-san? - passeou os olhos pelos arredores rapidamente, reconhecendo a voz, até que finalmente fixou seu olhar na sua companheira de time - Aconteceu algo? - indagou rapidamente, preocupado, antes que a garota desatinasse a falar.

 

Não se importava muito em escutar, na realidade. Não estava apressado e nem tinha nada para fazer. Apenas queria distrair a cabeça. Manteve-se acenando positivamente com a cabeça a cada oração da garota, concordando com as sugestões dela. Não demorou praticamente nada para que entendesse a ideia dela.

 

- Acho que seria ótimo - disse alegre, mas contido por recear falar alto demais e, quem sabe, acabar chamando atenção indesejada - Bom… Nos vemos lá… - procurou finalizar, um tanto sem graça por não ter muita ideia de como prosseguir com aquela interação social. 

 

Para ele era mais simples e lógico somente comunicarem o horário, o motivo e lugar e só se encontrarem. Havia gastado os seus instantes de ócio em boa parte de sua vida pensando em muitas coisas. Porém, nunca havia se dado ao trabalho de pensar em como agir em situações assim. De qualquer forma, ponderou que no fim teria que voltar para casa de qualquer jeito para pegar algum dinheiro. Tinha saído muito de súbito, afinal.

 

Ao que chegou em sua casa, porém, deparou-se com um envelope bastante especial. O papel timbrado deixava claro o caráter oficial do documento. Era uma carta da Tsuchikage em pessoa, uma famosa usuária da mesma fusão elemental que Hakuryuu. Naturalmente, estava surpreso e com os olhos arregalados quando a ficha caiu da importância da carta. Abriu e leu rapidamente.

 

“E lá se vai outro sensei” - Han comentou consigo elevando as sobrancelhas, começando a ficar um tanto preocupado quanto a esses montes de trocas de professor.

 

Ao que finalmente se dirigiu ao local combinado na hora certa, acabou por inicialmente ignorar seus companheiros. Parou a alguns passos de encontrá-los quando finalmente prestou atenção suficiente na placa do local escolhido.

 

- Pinto… - cerrou os olhos, fitando a placa fixamente.

 

Não se lembrava de tal localidade na vila, entretanto de qualquer forma, apesar do nome, sentia que seria bom comer um pouco de frango frito depois de tanto tempo. Percebendo seus companheiros do lado de fora, adentrou rapidamente, acenando para eles assim que percebesse estar em seu alcance visual.

 

- Vi - Hakuryuu respondeu a Kana, torcendo a boca - Já é meu terceiro... - completou, meio lacônico enquanto checava os pratos disponíveis.

 

Estava até animado com a ideia de comer um balde de pedaços de peito de frango frito com algum molho. Já estava pensando em qual escolher: mostarda e mel, ketchup ou queijo? O único problema nessa equação - como bem percebeu ao ser puxado de seus pensamentos pelo tom impaciente de Kana - era que o lugar nem frango tinha. 

 

- Hmpf… Pinto - voltou a cerrar os olhos, mas dessa vez fitando algum logo interno do restaurante no ambiente interno.

 

Não gostava muito daquele restaurante. Não estava com muita vontade de pensar a respeito: tinha outros assuntos muito mais importantes e interessantes pelos quais sua mente queria se perder. Não estava com muita vontade de gastar tempo e ATP para decidir qual prato escolher só para depois dizerem que não tem e ele ter que repensar. Apenas pediria o mesmo que Kana, rezando para que não acabassem os ingredientes na vez dele. Bom, se o restaurante não tivesse nem laranja e nem batata… Bem... Aí Hakuryuu começaria a questionar se o local sequer tinha cozinha.

 

- Hum… - Hakuryuu resmungou intrigado com a teoria de Kana logo que sentou à mesa - É, acho que talvez seja só o que o Naraka falou… - Han logo concordou com a fala de Naraka como se estivesse tentando ponderar as teorias, mas no fundo meio desesperado para que aquela troca de senseis não continuasse acontecendo - Mas, hmm… Acho que cirrose também é uma opção - Hakuryuu logo pontuou ao lembrar-se do alambique ambulante que Hiro era.

 

Hakuryuu manteve-se calmo e introspectivo momentaneamente enquanto Kana e Naraka falaram. Estava já acostumado com as crises do garoto e, por isso, acabou ignorando 1000%. Durante isso, momentaneamente olhou triste para o suco de limão que havia chegado no lugar da laranja. Na realidade estava preocupado com outras coisas e, sem nem contar os assuntos mais interessantes nos quais preferia se perder, a fila até que pudesse se dar ao trabalho de se preocupar com o tipo do suco estava meio grande. Ignorou e contentou-se que tinham pelo menos entregado algo.

 

- Eu também não conheço muitos - o genin emergiu de seus pensamentos, sorrindo meio sem graça para Kana. Ele era de Iwagakure - Todos que eu conhecia fizeram uma missão e foram embora… - comentou, pensativo e novamente preocupado com o assunto, como se olhasse através da mesa - Mas talvez a vila esteja passando por algum problema e realmente o contingente de jounins encarregados esteja baixo - Hakuryuu pontou, voltando sua expressão ao normal, antes de pender a cabeça em uma expressão de “é... talvez seja isso”. 

 

A batata estava até gostosa, mas ao olhar a hora Hakuryuu percebeu que deveriam partir imediatamente se não quisessem se atrasar.

 

- Deu nossa hora - comentou, levantando e olhando para os companheiros - Temos que ir pro ponto de encontro - finalizou, saindo da mesa, esperando que os demais viessem.

 

Chegando ao portão principal da vila, Hakuryuu momentaneamente varreu a região com seu sensor. Estava meio curioso para saber quem devia ser o novo sensei. No fundo também queria saber o quão forte a pessoa era e quais suas habilidades. Quem sabe, caso suas reservas fossem grandes o suficiente, não poderia sentir sua força com o sensoriamento? Manteve-se quieto em busca de pessoas com uniforme de jounin para o caso do professor ter chegado antes. Porém, também estaria atento para assinaturas se aproximando.

 

@Jinkei

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            1º turno

Vulcão

 

O tempo até o momento marcado para a nova missão transcorreu rapidamente, preenchido de formas aleatórias pelos três genins e terminando em um céu alaranjado pelo pôr-do-sol. A chegada da noite diminuía o calor e a umidade deixando o clima milagrosamente agradável. E, paralelamente a um vermelho aqui e um rosa acolá atravessados pelas nuvens, os três chegaram. Devido ao horário a concentração de pessoas confluía para o centro comercial, enquanto que no portão da vila nenhuma vivalma além dos três se mostrava aparente.

 

Até que Dobei saltou em frente a eles. 

 

"Olá, Naraka, Kana e Hakuryuu." A mulher saudou em uma entonação alta e clara, de forma educada, enquanto abaixava seu torso. Quando retornou uma de suas pálpebras tremia. Talvez custasse muito esforço desempenhar aquela entrada, daquela forma. "Me chamo Deikazan Dobei, sua mais nova jounin." Após introduzir-se viu que Naraka vagava perdido, não prestando atenção exclusivamente na sua apresentação. "EI, CABELO VERDE, VEM LOGO PRA CÁ, SENÃO O MALUCO DO PORTÃO VAI TE PEGAR!" A gritaria contrapôs o tom de forma cômica e considerando a estratégia que usou parecia que conhecia muito bem os integrantes do time. "BEM," tossiu, emendando "o antigo sensei de vocês foi afastado pois será redirecionado de função. Por algum motivo a Hokage o quer em outro lugar. De forma a testar vocês três e a mim como jounin ela também inventou de nos mandar em uma missão Rank C, então espero que sejamos um ótimo time." Dizia com aquela expressão alterada. Respirou fundo, unindo as mãos em frente ao corpo em forma de reza. Parecia procurar o foco. "Então, estamos há cinco horas de nosso destino, Gojinka, que está localizado passando um contorno de montanhas à noroeste daqui. Ao chegar lá nos abrigaremos e nos alimentaremos, assim podendo debater os detalhes da nossa missão. Por agora, enquanto caminhamos, quero saber um pouco mais de vocês."

 

O novo tom de Dobei era forçadamente estável. Parecia querer conter sua verdadeira personalidade, criando uma espécie de barreia invisível entre ela e o trio. Era o primeiro contato de alguém com claras limitações sociais, então certamente seria difícil. Bastava agora os pupilos reagirem à sua nova sensei e ver no que se transformaria sua insistente resistência.

 

Partindo da vila um caminho amplo, rochoso e plano se estendia, ainda iluminado pela tímida luminosidade do fim de tarde. Mais adiante um caminho declinado à esquerda mergulhava no limite de uma primeira montanha, estendendo-se até sua base por longos quarenta minutos.

 

@ryu-ryu @Keel Lorenz @Hemurin 

MUSA | INORI | MUJA | LNC 

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Eu havia me decidido. A melhor opção era sair da vila para procurar uma loja especializada em artigos de sorte já que em Iwagakure eu não iria encontrar produtos tops de linha pela forma que a cidade andava economicamente. Se eu quisesse algo efetivo que realmente fosse surgir efeito no meu azar, teria que ser algo feito por profissionais que não haviam ali. Afirmei para mim mesmo com um gesto de “sim” com a cabeça e, decidido, dei alguns passos para frente pronto para começar a caminhar em busca de ajuda para o Pinto no Balde – mas, nesse momento, algo aconteceu.

Um grito feminino bradando algo sobre um maluco do portão me pegar trouxe minha mente de volta pro presente, fazendo com que eu olhasse melhor a minha volta. Uma mulher de cabelo branco parecia falar não só comigo, mas com Kana e Hakuryuu que também estavam por ali. Olhei em volta mais uma vez em busca do “maluco do portão” mas não vi nada do tipo por ali, só havia nos três – nos quatro ali, agora. Ficando um tanto quanto confuso quanto ao que foi aquilo, decidi me aproximar já que ela havia dito aquilo com o intuito de me chamar.

- ...Você por acaso não é um daqueles adultos que oferecem doces para as crianças e depois as rapta para vender, né? – Indagaria a mulher tentando entender quem era ela.

Mas entender quem ela era não demorou nada, foi mais rápido do que eu cheguei a pensar que seria. Em poucas palavras, tudo o que eu havia esquecido me fora relembrado como um filme que eu havia visto anos atrás e agora li sobre ele de uma forma resumida, lembrando exatamente de como ele era. Acompanhando a sensei naquela cena de expressão bizarra, mais uma vez, tive que fazer a minha de desespero.

- ESPERA, ISSO É UMA MISSÃO RANK C? A HOKAGE TÁ MALUCA? A GENTE TAVA COMENDO TERRA ONTEM COM UM SENSEI BÊBADO, COMO DIABOS ELA ACHA QUE A GENTE TÁ PREPARADO PARA UMA MISSÃO COM RISCO DE COMBATE REAL? ELA NÃO ENTENDE QUE ME POR EM UMA MISSÃO ASSIM AINDA MAIS COM OUTRAS PESSSOAS É O MESMO QUE MANDAR ELAS PARA A MORTE?! – Bradei erguendo minha mão direita até a altura do meu peito, fazendo um movimento do meio do meu corpo para a direita jogando o meu braço para trás em conjunto da minha capa preta.

Eu estava indignado, eu tinha certeza que havia deixado claro para todos o quão azarado eu era. Não é possível que a pessoa de maior respeito da vila fosse capaz de fazer algo tão inconsequente assim! Mas, no momento em que pensei nisso, a resposta para a minha incompreensão logo surgiu. Era apenas azar, mas, dessa vez, não meu. Eu por si só já era extremamente azarado, mas dessa vez quem deu azar foi a Kana, o Hakuryuu e a Sensei. Azar de terem sido reconhecidos para uma Missão Rank C me tendo no time.

- A propósito, você não tem compaixão nenhuma, né? Precisava realmente ter me dado um soco tão forte, droga?! – Disse agora a Kana, passando a mão na cabeça onde eu ainda podia sentir o galo da porrada que ela havia me dado para que eu esquecesse de tudo aquilo.

O que eu iria fazer agora era algo que nem mesmo eu sabia. Tinha o caso do Pinto no Balde e agora uma Missão Rank C que eu tenho certeza que eu não tinha a opção de recusar. Se ao menos eu pudesse ir sozinho... Mas tenho certeza que não é assim que funciona. Suspirei fundo arrumando a minha capa que havia saído um pouco do lugar no momento que eu me descontrolei, voltando a encarar a sensei novamente.

- Eu preciso mesmo dizer algo? Me chamo Naraka, tenho 15 anos. Meus pais são pessoas comuns sem envolvimento algum com o mundo ninja, exceto por terem me dado à luz. Quando completei seis anos todos os cabelos do meu corpo ficaram verde, principalmente meu cabelo, e então eu me tornei o ser mais azarado do mundo. Antes que algo pior do que já havia acontecido viesse a ocorrer com meus pais, uma ninja de konoha, Yana, me adotou e me criou como um ninja bem longe deles na sua vila natal – e aí eu conheci a Kana que apesar de tudo se tornou minha amiga. Ah, o ponto principal é que infelizmente o meu azar não se prende só a mim, quem está a minha volta acaba sendo afetado também. – Pausei a fala para caminhar um pouco na frente dos três, voltando a partir daí.

- Então, sensei, eu preciso te pedir desculpas. Porque se durante a missão houver algum combate de verdade, por conta do meu azar, infelizmente... Alguém irá morrer. – Finalizei olhando para trás com meus olhos de peixe morto e um pequeno sorriso forçado no canto direito da boca.


05%

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Seguindo para o portão principal, senti o clima ficar mais ameno agora que se aproximava do crepúsculo. A reunião anterior claramente não seguiu tão bem quanto eu imaginava... Obrigada pela ajuda, Pinto no Balde! Hakuryuu parecia concentrado em alguma questão, emergindo à superfície quando normalmente recebia alguma pergunta. Fiquei um pouco desconfortável com a caminhada silenciosa, mas tentei me segurar para não ficar forçando. Mantive meus pensamentos no que viria a seguir, e acabei soltando sem perceber:

 

- Hmm... Normalmente missões rank-C podem envolver algum tipo de luta, né? - perguntei, mais para mim mesma do que para os dois, tentando lembrar como eu sabia disso. - Droga, não treinei nadica de nada desde que cheguei da missão anterior...

 

Naraka, que ficou aéreo o dia todo, seguia em um ritmo apressado e se distanciava aos poucos. Senti vontade de perguntar o que estava acontecendo, mas provavelmente iria ganhar um "É AZAR!" como resposta e afundaria ele no chão de ódio. Ainda estava tentando me recuperar da crise anterior, então não sobrou muita paciência pra lidar com uma nova agora. Estalei os lábios, fazendo um muxoxo de desaprovação e continuei ignorando.

 

Uma mulher de cabelos e olhos cinzentos saltou em nossa frente quando chegamos no portão - uma entrada bem ninja, faltando apenas fumaça e uma pose para ficar 10. Ela não emanava aquele cheiro forte e enjoativo de bebida e nos chamou pelos nomes, sinal de alguém que fez o dever de casa. Por ser uma missão Rank-C, pude imaginar que ela deve ter se preocupado em olhar nossas habilidades, já que estaria conosco em campo. Minhas expectativas com essa nova jounin subiram.

 

Apesar de eu ter notado essa aparição, Naraka passou por direto por ela, tão rápido que nem bala pegava. Não pude mais ignorá-lo, já que essa anta ia fazer alguma besteira antes mesmo da missão iniciar. Respirei fundo me preparando pra gritar da forma mais doce e meiga possível.

 

- NARAAAAKAAAA! Volta aqui, lixo! - pude ouvir o grito da sensei ao mesmo tempo que o meu, o dela durando mais e falando sobre um maluco do portão. Fiquei ainda mais feliz que ela prestasse atenção em nossa existência, já que a minha experiência anterior tinha se resumido em ser uma pessoa ignorada por um bêbado. O surto monstruoso que Naraka vinha guardando desde antes da saída do restaurante se libertou da jaula, e lá estava ele gritando as besteiras dele com a jounin nova. Eu já estava pensando em fazer um movimento de alicate com meus dedos, puxar a orelha de Naraka e gritar um "ACORDA, DEMÔNIO", mas preferi que Dobei lidasse com aquilo para reforçar a sua liderança.

 

- A sim, perdão por isso. Era pra ter dado dois, mas você apagou no primeiro... Quer tomar o segundo agora? - respondi a um rabugento Naraka que reclamava do soco que tomou na noite anterior, ameaçando-o com o punho e fazendo uma cara de quem tá doidinha pra receber um sim.

 

Dobei voltou a falar, explicando sobre a mudança de jounin e a nova missão, tentando manter a compostura e passando por uma perceptível crise nervosa. Um sinal de alerta se acendeu em minha cabeça, mostrando que ali estava o tipo de pessoa que não seria sensato irritar. Se Naraka não se cuidasse, ele teria problemas em breve. Me apresentaria quando houvesse a oportunidade:

 

- Olá, sou Yamada Kana. Como Naraka, também vim de Konoha. Meus pais são ninjas de Konoha também, e não ficaram muito felizes quando me tornei genin e muito menos quando aceitei vir pra cá, já que eles queriam que eu fosse dona de um mercadinho ou outra coisa assim. - falei, revirando os olhos em uma clara reprovação. - Enfim, vi nesse intercâmbio a oportunidade perfeita para melhorar minhas habilidades e acabei aceitando. Pena que acabei ganhando esse encosto como carga. - terminei, apontando para Naraka.

 

Como andei bastante pela cidade anteriormente acabei escutando algumas conversas, então tentei forçar a memória para tentar lembrar se tinha escutado algo sobre Gojinka. Também aguardaria as próximas instruções da missão.

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Até então, esteve um tanto alheio aos arredores. Porém, diante da pergunta retórica de Kana, acabou por não saber diferenciar muito bem o subtexto. Rapidamente sua mente caminhou para um trecho de uma descrição que havia visto brevemente em algum manual chato.

 

- Missões de rank-c normalmente tem baixas chances de confronto direto - surgiu, meio mecânico, conforme ainda olhava para o além, distraído - Mas, considerando que muito azar em sequência também é algo improvável, acho que dessa vez podemos esperar uma missão mais tranquila - o garoto prosseguiu inocentemente, voltando a face com um sorriso simpático para adequadamente responder a garota que não queria exatamente ser respondida.

 

Infelizmente, sua habilidade em guardar informações de utilidade duvidosa era muito mais real do que gostaria.  Porém, ainda que no geral o nível de utilidade dos fatos involuntariamente memorizados permanecesse discutível, às vezes a memória de algum manual chato podia se tornar quase pertinente. 

 

O surgimento da professora surpreendeu Hakuryuu, que apenas levantou-se de sua postura recostada e superficialmente entediada. Com os olhos arregalados, até então em sua mente tinha estado bastante distraída em tentar descobrir qual era o assunto daquela missão. Entretanto, por mais que extrapolasse as coisas, não estava conseguindo resultados muito satisfatórios. Não tinha praticamente dado algum além do que era de conhecimento público na vila. Entretanto, naquele momento, tudo foi subitamente interrompido e quase que instantaneamente esquecido. A cena mental foi imediatamente substituída por um diagrama circular com o alcance aproximado de suas habilidades sensoriais. Em seguida, uma marca, simbolizando a sensei, cruzaria esse espaço em, possivelmente, menos de um quarto de segundo. Considerando os seus quase 250 metros de alcance, pode imediatamente ter uma noção do quão rápida ela era. Estava chocado.

 

- D-doumo… - Hakuryuu imediatamente saudou professora, ainda em choque inicialmente, mas logo aliviando-se por finalmente ter caído com um professor que parecia normal.

 

Entretanto, aquela sua visão não durou muito. Graças à saudação bem comportada da mulher, tinha abaixado sua guarda. Jamais esperaria por um berro daqueles naquela situação e, por isso, acabou tomando um susto. Com os ombros contraídos, uma mão sobre o peito e as sobrancelhas elevadas, observou aquela cena digna de hospício. Naturalmente, não apenas a sensei, mas também mantinha parte de seu foco em Kana que, após gritar, ia à captura do distraído Naraka. 

 

Ainda tomava sustos com aquele ambiente inconstante e caótico criado por aquelas pessoas que o cercavam nas últimas semanas. Contudo, sem dúvidas estava mais habituado do que no começo. Acostumado o suficiente para conseguir perceber alguns detalhes. Na realidade, a abordagem utilizada pela nova professora parecia um tanto eficiente demais para lidar com um time com elementos tão… Excêntricos. Até parecia que ela os conhecia. Mas  o fato é que Hakuryuu nunca tinha a visto na vida… Bom, talvez ela tivesse.

 

“Uma stalker?” - sua consciência rapidamente completou com a verdade que queria evitar.

 

E não parecia ser só isso que aquela professora escondia. De certa forma, ela ainda parecia ser algum tipo de represa, contendo algum grande rio de segredos. Suas expressões nervosas davam a impressão, inclusive, de que essa represa poderia a qualquer momento ruir. Algo preocupante, sem dúvidas. Hakuryuu não queria estar perto quando as atitudes de Naraka fossem a gota d’água para esse colapso.

 

Além disso, as falas de Dobei também davam a entender que talvez ela fosse uma jounin novata que, assim como eles, estavam sendo testada em sua nova função. O diferencial era que, diferente deles que estavam sendo testados em sua primeira missão rank-c, ela estaria sendo testada em sua primeira vez como jounin e professora encarregada de algum time. Além de tudo, ela parecia estar nervosa com isso também. Han não conseguia determinar o motivo do nervosismo, porém. Poderia ser tanto por medo de falhar para com a educação dos jovens da vila, quanto por simplesmente não gostar de crianças. Hakuryuu, sinceramente, preferia não cutucar a onça com vara curta para descobrir a verdade.

 

O garoto de olhos díspares tinha até ficado animado com a nova oportunidade de escutar sobre as habilidades dos outros. Entretanto, o momento parecia inadequado. Haviam muitas coisas naquele ambiente que exigiam um certo jogo de cintura que Hakuryuu sabia não ter. Era possível que acabasse dizendo coisas inadequadas em sua tentativa de extrair dados sobre habilidades. Naquele momento apenas pensou que gostaria de estar parcialmente errado sobre sua afirmação a respeito do azar em sequência também ser algo improvável. Ninguém deveria querer uma luta muito complicada, claro. Mas outra missão chata e parada como as anteriores também seria muito sem graça.

 

- Me chamo Han Hakuryuu. Sou de Iwagakure, mas a ascendência de minha mãe também não é daqui - enquanto caminhassem até a vila indicada, o garoto iniciaria sua fala, após ficar atento à sua vez de se apresentar - Sou um ninja do tipo sensor e usuário de ninjutsus elementais de terra, vento e fogo. Recentemente também adquiri domínio sobre o elemento poeira - prosseguiria, jogando um verde para ver se os demais também começavam a falar sobre suas habilidades. A sensei, principalmente - Gosto de praticar bastante shurikenjutsu, mas também sei alguma coisa ou outra sobre taijutsu… - finalizou, um pouco sem graça, imaginando se não tinha ido longe demais com a descrição e chamado muita atenção.

 

De qualquer forma, apenas prosseguiu adiante no caminho até a vila Gojinka com os demais do time. Tinha sido o último a se apresentar, por isso também estava esperando que Dobei completasse sua apresentação de antes com mais alguma informação pertinente. Afinal, se missões Rank-C realmente possuíssem certo risco de luta, então seria importante que falassem sobre suas habilidades combativas.

 

@Jinkei

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            2º turno

Vulcão

 

"Temo não conseguir muito dinheiro com vocês." Respondeu a pergunta de Naraka com uma carranca pensativa. Talvez estivesse ponderando mesmo o quanto conseguiria se os vendesse. Quando a pergunta do garoto logo foi emendada por uma gritaria sem controle uma veia saltou em uma das têmporas de Dobei. Quase que imediatamente a mulher respirou exageradamente profundo, anotando mentalmente o que acontecera. À medida que tomou o caminho e ouviu o desenrolar das respostas dos genins, a sensei desfez um punho cerrado que mantivera até o momento, direcionando os olhos em seguida para o de cabelo verde. 

 

"Devo alertá-lo, criança, que gritos altos nessa região provocam deslizamentos de pedras, grandes o suficiente para esmaga-los." Começou o aviso em um tom controlado, quase mecânico feito robô. Os olhos arregalavam-se ao passo que finalizava a fala. "E acredito que com seu azar nós três sejamos alvos fáceis para essas pedras."

 

No final anotou mentalmente a pequena biografia do trio, não se impressionando com a miscigenação de seu time. O caminho descendente se manteve até alcançar um paredão de pedra que anunciava a base de outra montanha. O caminho que tinham que percorrer agora era uma passarela rochosa estreita, havendo à sua esquerda um precipício inatingido pela luz e à direita a montanha em si. "Yare yare, entendo." Respondeu depois de um tempo. Os três quase conseguiam enxergar as engrenagens trabalhando na cabeça da mulher. "Como fez o menino bem vestido quero que também falem um pouco sobre suas especialidades em combate. Temos grandes chances de atingir o fracasso se a nossa ignorância sobre o outro prevalecer. Sobre as minhas, vocês a conhecerão no momento certo. Apenas quero que saiba que sou extremamente apta a cobri-los em quaisquer áreas em situação de batalha, então não temam." 

 

Na frente Dobei levantou o braço, apontando para baixo na esquerda do time. 

 

"Esse caminho é o mais seguro e menos custoso para nós já que Gojinka fica no sopé de uma cadeia de montanhas menores mais à frente. Se utilizássemos de nosso chakra para cortarmos o caminho seríamos alvo de animais selvagens e gastaríamos energia gratuitamente. Mantenham-se atentos onde pisam. Não quero perder um membro antes mesmo de iniciar a missão."

 

Após seu exercício de respiração e neutralizar mesmo que por um momento a dupla efusiva de genins a mulher parecia mais dona de si. Ainda eram um mistério suas características mais críticas e o que podia representar como mestre para os genins. 

 

Porém aquele era o ritmo que as coisas tinham que ter para Dobei. E, no momento certo, cada um deles saberiam o porquê dela estar ali.

MUSA | INORI | MUJA | LNC 

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Enquanto acompanhava o time, continuei tentando fazer um repasse das conversas que eu tinha ouvido pelas ruas de Iwagakure, procurando algo útil sobre Gojinka. A única coisa que me veio a mente foi uma fofoca sobre a vizinha que apareceu antes da primeira missão (uma senhorinha de 80 anos com a cara toda chupada) - reza a lenda que ela na verdade é uma grande piranha, adora casados e dança no pole dance toda sexta-feira no pub local. A coisa mais emocionante que vi a velhota fazer nesse tempo todo foi regar as plantas, então duvidei da informação. E, mesmo que seja verdade, errada não tá. Tem que aproveitar o resto da vida mesmo e é isso aí. Mas preciso investigar, por desencargo de consciência.

 

- Droga de descida íngreme... - resmunguei baixinho, meio que sem perceber, enquanto fazia uma leve careta pela lembrança da fofoca. Enquanto isso, Dobei tava dando um carão em Naraka por ter gritado como um doente por motivos que só ele entendia. - Olha, Naraka, to satisfeita com o lugar que as pedras estão. Prefiro não ser esmagada por elas, ok?

 

Voltei a conversa a tempo de ouvir a apresentação de Hakuryuu, que fez um trabalho mais completo do que eu ou Naraka. O senhorzinho de 4 domínios elementais, com habilidades sensoriais e bem vestido, que cozinha, lava e passa, é recatado e do lar, parecia mesmo um exemplo a ser seguido. Anotei mentalmente o que ele disse, parecia ser alguém que pudesse se dar bem em um confronto a longa distância, considerando suas habilidades sensoriais, possibilidade de conhecer alguns jutsus elementais e shurikenjutsu.

 

Nesse momento, nos aproximamos de um precipício. A sensei perguntou sobre as habilidades para quem não falou sobre elas - o que, na verdade, foi uma gafe grande e me senti muito culpada. Momentos antes estava preocupada em entender os pontos fortes e fracos do time, tentei até fazer a gente se encontrar com antecedência, e, mesmo assim, o objetivo do encontro passou batido. Mais um dia sendo uma grande ninja burra - algo que eu me esforçaria ao máximo para não repetir e precisaria me doar para compensar.

 

Bateu aquela vontade súbita de ser bem malcriada e responder um EU NÃO SEI FAZER NADA, só pra ver a reação. Mas como eu não queria levar um tapa na cara especificamente hoje, principalmente por alguém que podia ter um colapso nervoso, respondi relutante:

 

- Hmm... Venho aperfeiçoando o meu taijutsu e é realmente o que eu mais tenho treinado. Dominei o básico do Raiton, mas ainda não possuo nada muito útil para cobrir grandes distâncias, além de shurikens/kunais e da minha beleza.

 

Aguardaria Naraka falar sobre o que sabia fazer, enquanto dava uma boa olhada pro nosso próximo desafio, sem entender muito bem o que devíamos fazer, até a sensei apontar para um caminho estreito à esquerda. Aí sim começou a bater todas as minhas dúvidas, enquanto encarava o tal caminho seguro.

 

- Sei que somos ninjas e tudo mais, mas será que é mesmo seguro depender apenas do equilíbrio? - não estava muito preocupada comigo e acho que isso ficou bem claro na minha expressão, mas sim com Naraka, que com certeza já ia desatar a falar sobre azar e morte de novo. Ele acabou de sair de uma crise, estaria preparado para outra? - Bem, se não tem jeito... - com um leve dar de ombros, começaria a amarrar os cabelos, utilizando a bandana para fazer um rabo de cavalo puxado para trás, não atrapalhariam a visão num momento tão crucial. Por segurança, fiz uma uma última verificação pelos bolsos e aberturas da roupa para garantir que nada se perdesse na travessia.

 

Como último recurso, prendi o fio de aço em uma das kunais - mais por precaução do que qualquer outra coisa. Tive a sensação de que poderia precisar jogar isso em algum lugar (ou alguém) para termos uma travessia segura. Só esperava não precisar mirar bem, porque pontaria não era o meu forte.

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Os meus avisos foram ignorados – mas com isso eu já estava acostumado. Em meio a um grande suspiro de desanimo, observei a nova sensei, Kana e Hakuryuu passarem por mim conversando mesmo após eu ter dito uma frase de impacto dramático com direito a pose maneira e olhar penetrante. Talvez tenha sido aí onde eu falhei já que meu olhar de peixe morto não deve ser capaz de penetrar nem mesmo manteiga derretida. Me ergui e comecei a segui-los agora ouvindo a sensei, a qual deixava claro que gritos naquela área era perigoso já que poderiam causar deslizamento de pedra.

Dei uma leve risada que a olho nu parecia ter sido apenas uma leve tossida quando ouvi isso.

- Sensei, a senhora está acompanhada do MAIOR azarado que esse mundo ninja já teve o desprazer de conhecer. Eu posso te garantir que não vão ser meus gritos que vão causar um deslizamento de pedra, vai ser algo muito mais simples e direto: A minha presença... – A respondi dando levemente de ombros.

Isso não significava que eu havia aceitado morrer esmagado por uma pedra como um certo ninja gado e azarado, então apesar de tudo, tomaria cuidado com a elevação de voz. Se bem que eu já havia dito tudo o que poderia dizer para alertar que aquela missão estava fadada a dar errado e que iriamos morrer, então que se dane. As pessoas hoje em dia não levam o azar dos outros a sério, então, devido a ignorância, eu posso dizer que não é culpa minha... De certa forma.

Ao término da apresentação de habilidades da minha amiga de infância, comecei a minha.

- Bom... Eu uso doton. Os jutsus básicos mesmo, aqueles que tão em uma lista lá na escola onde qualquer um pode ver. Então se precisarem de alguém pra mover a terra, podem contar comigo.... – Disse de imediato demonstrando o quão incrível eu era, lembrando de algo importante nesse momento. – Ah é... Tenho também uma habilidade especial que a Yana disse que está meio que adormecida, mas que ela já viu acontecer enquanto eu dormia. Algo do tipo, me transformar no elemento que eu toco... Bizarro, não? Bom... Depois que se aposentou, a Yana começou a beber bastante então eu tenho certeza que foi só uma alucinação dela em uma noite bêbada, tanto que eu mesmo nunca vi nada do tipo. Isso não agrega em nada já que não possuo tal habilidade e nem mesmo deveria ter falado sobre isso, mas como eu vou acabar morrendo nessa missão mesmo, acho que vale a pena contar esse ""segredo""... – Finalizaria com um leve suspiro de desanimo, começando a procurar pela próxima pedra com espaço o suficiente para que eu fizesse de lápide e escrevesse minha carta final aos meus responsáveis outra vez.

Assim chegamos em um ponto de descida que não parecia nada seguro, o qual se concretizou devido aos avisos da sensei sobre tomar cuidado. Cuidado. A palavra que era completamente anulada pelo meu azar. Nem se eu fosse um super ninja capaz de andar no ar isso seria cuidadoso o suficiente, o meu azar com certeza daria um jeito de me fazer cair e enfim encarar o ponto final da minha vida. Sem mais esperança alguma, tomaria o cuidado de seguir a sensei apenas no sentido de que se eu tropeçasse e caísse eu não puxasse mais ninguém comigo – o que também, mais uma vez, levando em conta o meu azar, não iria rolar.

- Kana-chan... Você morreria feliz comigo? – Indagaria por fim a garota, deixando claro que eu puxaria o pé dela caso ela não viesse comigo.


09%

Edited by ryu-ryu
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A princípio, era óbvio que Hakuryuu estava levando os comentários sobre ser vendido na brincadeira. Esboçava uma certa expressão de estranhamento por conta do humor peculiar. Entretanto, cada vez mais convencia-se de que os integrantes de seu time, em especial sensei e Naraka, eram completamente insanos. Por vezes, a falta de hesitação nas falas fazia Han brevemente acreditar que de fato estavam cogitando tráfico humano ali. Ligeiramente duvidando da sanidade das pessoas ali, seus olhos arregalados passeavam pelo cenário, talvez em busca de uma rota de fuga.

 

- Eh? - Hakuryuu, então, surgiu de seu estado de suspeita, balbuciando surpreso diante do comentário a respeito de deslizamentos.

 

Novamente seus olhos preocupados passearam pelo cenário. Dessa vez, porém, observando o topo do relevo, de onde as pedras deveriam vir. Ouvindo a conversa dos três de fundo, que não pareciam gritar, mas também não pareciam fazer questão de se segurarem no tom de voz, Hakuryuu engoliu seco. Sentiu um frio subir pela espinha, virando imediatamente a face quando Naraka de ênfase em uma das palavras de sua frase, já quase como se sentisse as pedras se movendo lá no topo. Àquela altura, já sabia que o tal azar não era mais do que uma mera crendice. Entretanto, ainda temia que a despreocupação quase excessiva do grupo desencadeasse algo que sua pistolinha não fosse capaz de pulverizar.

 

Ao que se viu chegar à beira do precipício, novamente engoliu seco. Olhando para a esquerda, observou a escuridão, meio cagando de medo de tropeçar e, bem… Você já sabe. Entretanto, Han acabou por não ter muito tempo para se preocupar. Várias coisas aconteciam paralelamente ao surgimento daquela estradinha perigosa.

 

“Garoto… Bem vestido…?” - Hakuryuu repetiu mentalmente com uma expressão meio confusa - “Falar… Sobre habilidade especiais?!” - prosseguiu, arregalando os olhos ao que percebeu que finalmente obteria as informações que havia desejado obter desde o começo.

 

Seus sentidos e atenção, então, finalmente focalizaram-se. Estava atento, pois sabia que o que estava prestes a escutar certamente teria algum valor. Especificamente, estava um pouco incomodado com o fato da sensei não compartilhar um pouco do que sabia fazer. Tendo em vista o quão rápida era, Hakuryuu sabia que não devia ser pouca coisa. Entretanto, por preferir a discrição de não ser insistente, acabou por manter-se silencioso esperar atentamente que alguma pista lhe escapasse por entre as falas no futuro.

 

“Taijutsu, raiton e shurikens… “ - Hakuryuu escutava a tudo atentamente, fazendo notas mentais para que lembrasse de tudo - “Doton e… Fascinante...” - o ar de foco de Hakuryuu acentuou-se diante dos relatos de Naraka.

 

Sem dúvidas, tornar-se num elemento de escolha era algo interessante e útil. Apesar do certo ar de incerteza dado, Hakuryuu estava bastante esperançoso de que poderia ver uma técnica do tipo bem à sua frente. Melhor ainda seria ver o momento em que tal técnica despertasse. Por isso, sua nota mental teria sido manter-se atento a Naraka e possíveis reações de seu corpo.

 

Logo que Dobei voltou a falar, seu tom talvez atipicamente sério acabou por chamar a atenção do genin. Estava entretido em imaginar as habilidades de seus companheiros de time, porém também sabia quando era a hora de se levar as coisas à sério. Naturalmente, entendia o ponto de vista de Dobei, economizar a energia quando gastá-la não era a única opção certamente lhe parecia o certo a se fazer. Porém, não podia deixar de se sentir intrigado a respeito de qual habilidade ela deveria ter. Afinal, a sua escolha para aquela missão, naquele tipo de relevo não parecia ser despropositada.

 

- Entendido - Hakuryu respondeu firme, prosseguindo adiante com cuidado juntamente à sensei.

 

Com o devido foco em escolher onde era seguro pisar, conforme seguia Dobei, Hakuryu por vezes se pegava observando o semblante diferente que a sensei havia adquirido. Ainda tinha muitas perguntas a respeito de quem ela era. Ademais, estaria atento caso algo suspeito surgisse em seu sensor de chakra.

 

@Jinkei

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_____3º turno

Vulcão

 

Um sorriso tímido despontara nos lábios finos de Dobei enquanto as interações entre os três se desenrolavam. Talvez estivesse satisfeita com as relíquias combativas que tinha sob seu comando. Ao passo que avançavam o caminho começava a se alargar, diminuindo a tensão e periculosidade do trajeto enquanto chegavam por fim a uma planície rochosa com algumas árvores secas espalhadas aqui e acolá. 

 

"Quando superarmos aquela curva à direita" disse a jounin apontando com o dedo indicador um caminho diagonal na direção que contornava o sopé fissurado de uma pequena montanha. "Chegaremos à entrada da vila." Sua fala serviu mais como uma pontuação no meio do falatório, expressando ali uma Dobei mais compenetrada em seu objetivo. Longe dos ouvidos e consciência dos genins os pensamentos da mulher se entrelaçavam, chocando-se contra as têmporas como se quisessem saltar noite afora. Seus pesares e preocupações iam além de sua nova tarefa, andando em círculos em um passado que quase já não lhe dizia mais respeito... mas ainda machucava. Por fora, os três apenas viam sua silhueta caminhando cautelosamente. Para os sentidos aguçados de Han podia notar o chakra da mulher vibrar, como se borbulhasse. 

 

Não tardou para que identificassem o vislumbre de um vilarejo humilde, empoeirado e abarrotado de galinhas e galos. No centro de um par de bambus quebradiços, que aparentemente serviam como uma espécie de portão principal maltrapilho, havia um homem de vestes simples, rubras e puídas, de pele bronzeada e com os braços cruzados. Ao aproximarem-se logo disse. 

 

"Ei, boa noite" já se aproximava das 21h, o céu quase completamente engolida pela escuridão. "Cês é que são os mandado?"

 

O trio pôde ver a mulher engolir pesadamente. 

 

"Boa noite. Somos os enviados sim, prazer Dobei, Hakuryuu, Naraka e Kana. Estamos às ordens de Gojinka." O homem aquiesceu sem muita paciência. Parecia esperá-los. 

 

"Sou Hideki, o dono da pousada. Estão atrasado. Me sigam."

 

Tomou a frente com pressa, criando distância do quarteto. Dobei entortou a boca para cochichar. 

 

"Estamos adiantados. Esse cara fede à cachaça." Começou a caminhar, esperando que a seguisse. "Devemos nos animar pois a pousada dele deve ser uma beleza."

 

As expectativas foram devidamente atendidas com uma construção de barro com pequenos furos espalhados esporadicamente e uma marquise de tecido sustentada por dois paus. Lá dentro uma mesa em estilo oriental ficava no chão, já contendo a alimentação do time posta: Karaages (vulgo frango frito) com saladas e água fria. 

 

"Passando aquela porta nos fundo na direita tem duas beliche. Podem usa!" E desapareceu pela entrada, tão carrancudo como estivera minutos atrás ao recebê-los. Uma veia pulsando despontava no canto da testa da sensei, em contrapartida um sorriso abria a boca numa expressão nervosa.

 

"Bem, time, comemos! Itadakimasu!" Sentou-se sem cerimônia, caçando do balde um karaage, envolvendo-o em uma folha de alface. Em uma dentada fez sumir metade do frango, colocando-o pra dentro com um golão de água. Aparentemente a mulher não tinha etiqueta nenhuma para aquilo. Após todos se acomodarem ao seu redor, Dobei começaria. "Gojinka possui quase duzentos anos e nunca participou politica ou economicamente de Iwa. Sobreviveu todo esse tempo do setor de estalagens q-" Dobei tossiu, parecia irônico. Engoliu mais água e prosseguiu. "Que sustentou toda a movimentação financeira dessa região e ao mesmo tempo dava aos viajantes certa infraestrutura. Porém, de uns tempos para cá, uma gangue intitulada Muriyari, que diz preservar os princípios antigos de Iwagakure de autossuficiência e anti-estrangeirismo, está saqueando os estabelecimentos e provisões de Gojinka com o intuito de colapsar a sobrevivência de seus moradores e deflagrar um golpe contra Iwa em si e seu atual status de globalização." 

 

Dobei pausou para que assimilassem as informações enquanto servia-se de outro karaage. Estava faminta. Ou tinha o olho maior que a barriga. 

 

"Nossa missão aqui é afugentar a gangue enquanto um novo ataque acontece. De acordo com as informações repassadas para o QG existe um padrão de horário e dia e nesta madrugada ocorrerá um novo golpe. Os constantes saques estão provocando a ruína desse lugar e não há nenhum poderio ninja por aqui. Nossa querida Oomana achou mais do que certo que a salvação destas pessoas contassem com o nosso êxito desta missão." Olhou para cada um deles, mastigando um resto de alface. "E se depender de minha vontade como jounin assim teremos."

 

A última frase foi dita com uma das pálpebras tremendo. Os três não podiam dizer se era mentira ou a jounin temia apenas de pensar na ideia de encabeçar tudo, porém era evidente a convicção no tom de voz e na sua compenetração. Por fim, arrematou com uma pergunta.

 

"Quero que digam de forma direta suas fraquezas e o que mais temem, de forma geral. Precisamos esclarecer algumas coisas antes de mais nada."

 

Se prestassem atenção aos arredores veriam uma mandala de dimensão pequena girar logo atrás da jounin, como se quisesse refletir todo o mal que se direcionava para o estabelecimento. 

 

De algum jeito ainda acreditava que pudesse salvá-lo.

MUSA | INORI | MUJA | LNC 

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Seguindo os movimentos de Dobei, com uns pulinhos aqui e outros ali, a travessia no escuro com risco de morte correu até que bem. Cheguei viva até o final e, aparentemente, sem perder nada. Soltei o fio de aço da kunai que havia preparado antes e guardei ambos os itens. A adrenalina do caminho me encheu de energia, e respirando fundo aquele ar, continuei rumo a Gojinka.

 

Como se também obedecesse as instruções da sensei, a vila se apresentou após a curva. 

 

- Misericórdia. A cara do abandono esse lugar, né não? Bem, pelo menos se o Pinto no Balde fosse aqui, frango não iria faltar... - falei apontando para uma das aves não voadoras, que me encarou de forma suspeita.Gente, olha aquele frangão ali! Que coisa esquisita... Sei não, em... - devolvi a galinha meliante um olhar tão desconfiado quanto.

 

Logo tive que desviar a atenção, já que um homem nos aguardava no portão de bambu de Gojinka. Hideki, como se apresentou, provavelmente tinha alguma relação com o contratante (ou podia ser o próprio) e nos recebeu num tom frio e irritado, como se preferisse fazer qualquer outra coisa do que nos aguardar ali. Não sei se o fato de eu ter fuzilado um frango que podia ser dele com os olhos interferiu no tratamento que dirigia a nós, mas ele destacou de forma bem debochadinha o nosso atraso, que foi contradito às suas costas por nossa sensei.

 

- E como é que ele tá contando o tempo, por acaso? Só se aquele frango, além de espião desgraçado, for um relógio também. - respondi o cochicho de Dobei e soltei um muxoxo de desaprovação. Das duas missões, aparentemente, os dois clientes aparentavam alguma aversão aos shinobis.

 

Nosso jantar foi apresentado junto ao nosso espaço para descanso (bem acabadinho, por sinal). Parei de me preocupar com o frango no exterior para me preocupar com o frango no interior - morto, frito e coberto com um alface. Devorei o jantar (com um pouco mais de delicadeza do que Dobei, porque sou uma lady ninja) enquanto ouvia a história que nos levou até ali. O que me pegou de surpresa não foram os ataques, mas a contradição no propósito da gangue, que tinha um quê nacionalista com aquela conversinha de querer defender Iwa enquanto gera caos e tragédia no território.

 

Não lembrava que frango frito era tão oleoso, que droga... - soltei enquanto organizava os pensamentos e tentava limpar as mãos para responder Dobei. - Bem, acho que consigo derrubar qualquer um com alguns socos, mas meu estilo de luta acaba sendo muito limitado a curta distância. Não sei o nível de treinamento e armamento, mas precisaria ir vencendo um de cada vez, então não posso me jogar no meio deles de qualquer jeito, por mais... hmmm... destrutiva que eu possa ser. Caso sejam fujões ou tenham conhecimento em jutsu, vou acabar precisando de alguma distração para poder me aproximar também.

 

Falei enquanto observava a mandala giratória atrás de Dobei e ia divagando sobre coisas que poderiam me deter. Retornaria a conversa com as respostas dos meus colegas, esperando que as fragilidades de Naraka fossem mais substanciais do que o seu azar e pessimismo. Quais seriam os pontos fracos de Hakuryuu, um cristal lapidado?

 

Afinal, tem alguma ideia de quantos são, sensei? Além da frequência, há algum outro padrão no ataque, como a quantidade de pessoas que aparecem para saquear a vila ou por onde começam?

 

Quanto mais eu soubesse, melhor. O ideal é que me preparasse para o pior cenário, já que Naraka podia mostrar a situação pelo pior ângulo. Mas, pra falar a verdade, eu estava imaginando um monte de marmanjo catarrento e oportunista, que se acomodou com essa forma de sobreviver e ganhar dinheiro. Nada muito mais profissional do que isso.

Edited by Hemurin
Só adicionei uma virgula na última pergunta, porque a forma que tava antes não dava pra entender nada ^w^/
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Não seria no começo da missão que alguém morreria por causa do meu azar. Mesmo na escuridão que cercava aquele caminho pouco seguro, conseguimos atravessar sem que ninguém fosse acertado por uma pedra gigante ou tropeçasse e caísse para uma morte rápida e indolor. Com mais algumas instruções da nova sensei que ao menos parecia saber o que estava fazendo, chegamos em uma vila acabada – bem típica da região.

De certa forma eu já estava começando a me acostumar com o estilo de Iwagakure, até porque terra era o único elemento que eu sabia usar até então. Vai ver a ligação das duas estivesse fazendo com que eu me adaptasse mais rápido a toda aquela rusticidade do país. Ao menos para mim era assim, diferente da minha amiga de infância. Assim que a entrada da vila apareceu sobre nossos olhos, pude perceber a expressão de desaprovação imediata da garota de Konoha que no seu quarto tinha uma cama super fofa com lençóis grossos como se fossem nuvens.

- Uma hora você acostuma, Kana-chan... Agora para de encarar as galinhas... Vai dar azar... – Disse para a garota meio que sem esperanças de que ela me ouvisse, como sempre faz. Tudo o que eu podia torcer era pra que aquelas galinhas não marcassem o meu rosto e quisessem me bicar depois na hora da saída...

Voltando ao presente após um suspiro negativo, um homem com a característica principal do nosso sensei anterior exposta pela nova sensei viera nos guiar para o nosso ponto inicial da missão. Naquele momento eu estava mais do que pronto para explicar aos meus companheiros de time o quão azar aquilo significava, já que da última vez que nos envolvemos com um bêbado terminamos tendo que comer terra e eu ainda por cima vi um velho que já deveria ter partido para a sua próxima vida pelado, mas acabei me segurando por motivos de sentir um cheiro bom do lugar onde estávamos nos aproximando.

Assim que entramos na casa de barro, um banquete de frango nos esperava. Meus olhos brilharam rapidamente enquanto o homem explicava onde ficava os beliches para descanso e assim que ele se mandou e a sensei liberou, eu parti pro ataque. A minha fome naquele momento tinha uma boa explicação que poderia ser melhor entendida a alguns posts atrás, então me pouparia de explicações no momento e apenas comeria. Com frango em uma mão e um copo de água na outra, eu me juntei ao time da sensei de não-muitos-bons-modos-ao-comer e ataquei a minha porção.

Enquanto comia, a explicação geográfica sobre gojinka fora feita pela sensei que basicamente entrou por um dos meus ouvidos e saiu pelo outro. Naquele momento eu não tinha muitas intenções de prestar atenção no que ela dizia sendo que eu tinha que escolher sabiamente a hora certa de atacar a porção da Kana-chan. A maldita, por algum motivo, parecia ter pedaços de karaages que brilhavam como se tivessem sido fritas em ouro – eram apetitosas e eu as queria, mas conseguir pegar algum pedaço sem que a garota explodisse a minha mão em um tapa era uma verdadeira missão ninja que eu por hora teria que desistir.

Para não deixar claro que não havia entendido mais do que pegar uns cara que estavam zoando com a economia local sobre a missão, eu responderia a sensei logo depois da Kana.

- Nada. Tudo. Os dois são basicamente a mesma coisa pra mim, uma vez que se eu não tivesse medo de nada o meu azar faria com que eu tivesse que temer tudo. Ao mesmo tempo que se eu tivesse medo de tudo, não adiantaria nada já que meu azar também faria com que eu apenas sofresse ainda mais com isso. Então, querendo ou não, eu to meio que preparado pra tudo, sensei. – A respondi pela primeira vez de uma forma séria e sincera, sem cair pro lado do pessimismo ou do azar.

- Ah. Mas pensando melhor... Eu talvez tenha medo de velhos pelados... – Disse relembrando daquela noite traumática. – Eu... Não preciso falar sobre isso, né...? – Finalizei largando a comida de lado, ameaçando entrar em uma posição fetal por puro instinto de lembrar claramente do que eu tinha visto – o que eu querendo ou não, já havia afetado a minha sanidade mental.
 

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Naturalmente, Hakuryu esteve compenetrado nas informações que Naraka e Kana estavam fornecendo. Tomava notas mentais e cogitava possíveis aplicações em combates futuros. Estava bastante curioso para ver em ação, já que até estava um pouco incomodado com a falta de especificidade dos relatos. Tinha noção, porém, que deveria controlar um pouco mais os seus impulsos naquele aspecto. Como sempre, optaria por manter-se silencioso. Menos era mais, só teria que ser paciente para ver as habilidades das quais falavam. Foi então que a maior incógnita do grupo apareceu em sua mente.

 

“Meu rikudou…” - ao que seu foco brevemente flutuou para a direção da sensei, surpreendeu-se com a frequência do chakra da mulher.

 

O breve susto converteu-se em uma certa preocupação. A mulher parecia uma panela de pressão pronta para explodir. Seu exterior parecia que tudo estava sobre o mais absoluto controle, porém as vezes ela deixava transparecer o stress por alguns pequenos sinais. Só então Hakuryuu tinha percebido o quanto de stress parecia transbordar através da assinatura de chakra dela.

 

- Entendido… - respondeu em tom pensativo à pontuação da mulher, seguindo e observando a mulher com um ar um pouco preocupado.

 

Perdido em pensamentos a respeito do que poderia estar fazendo a sensei dar aqueles sinais, a princípio Hakuryuu acabou por não prestar muita atenção no cenário. Demorou a perceber que haviam chegado. Foi quando os demais colegas de equipe começaram a discutir sobre galinhas que seu foco rapidamente se quebrou. Com as sobrancelhas contraídas fitou ambos, meio confuso, sem entender o porquê da conversa. No entanto, logo virou-se, percebendo a presença daquele que, por suas falas, parecia ser o contratante.

 

- Boa noite, senhor - Han respondeu, em respeitosa reverência, logo após a apresentação da professora.

 

Naturalmente, percebeu a certa rudeza nas palavras do homem. Entretanto, talvez por ser um tanto inocente demais, optava por manter-se sempre discreto. Jamais responderia à grosseria do contratante e apenas manteve-se sorrindo simpaticamente para a situação quando a professora e os demais colegas comentaram o equívoco do homem. 

 

“Ai… Mais um bêbado pra dificultar a minha vida…” - manteve-se sorrindo, achando graça para que “deixasse aquela passar”. Por dentro, porém, estava sorrindo de nervoso pelo fato de ter que lidar novamente com gente fora do juízo por causa da bebida.

 

- Dōmo arigatō - Hakuryuu agradeceu contido à hospitalidade do homem, tanto que duvidava se sequer seria ouvido por qualquer um na sala.

 

Não estava acostumado com aquele tipo de ambiente… De certa insalubridade. Porém, manteve-se calmo para não perder a compostura e nem a educação. Discrição, sempre. A sensei, porém, não parecia estar muito familiarizada com estes conceitos. Observou seus comportamentos iniciais, procurando não chamar atenção para o fato. Quase imediatamente também deu início à sua refeição. Sentado de postura ereta, esperou pacientemente até que pudesse se servir e calmamente iniciou a comer. Como sempre, relevaria a falta de etiqueta dos demais. Não seria de seu feitio criticar tais posturas de qualquer forma, afinal. Entretanto, ele mesmo jamais faria algo tão chamativo.

 

Seu foco quanto ao assunto, porém, rápida e facilmente foi tomado pelas explicações da sensei. Manteve-se lentamente comendo enquanto sua mente perdia-se visualizando as informações passadas pela professora. Era quase como se um filme passasse em sua cabeça. Não era difícil de compreender a motivação dos alvos daquela missão. Possuíam um certo ufanismo em relação à vila oculta da pedra que os levava a acreditar que a vila  poderia facilmente sobreviver isolada em sua grandeza. Qualquer um que entendesse um pouco do assunto sabia que o fechamento das fronteiras e isolamento econômico era incapaz de trazer crescimento para qualquer região.

 

Entretanto, teoria econômicas à parte, entender as motivações era apenas uma parte do serviço. Enquanto comia distraído, mantinha-se pensando a respeito de formas de agir. Quando a professora voltou a falar, seu olhar subitamente subiu, novamente entrando em um quase transe, visualizando as informações compartilhadas. Claro, entender o contexto no qual a inteligência da vila havia os enviado para lá era algo quase instantâneo. Hakuryu sentia falta de informações sobre como previam que o combate deveria ocorrer de fato. Só assim poderia começar a pensar em como reagir. Entretanto, de antemão, graças à informação de que um ataque ocorrerá de madrugada, Han já podia antever que precisariam descansar em turnos. 

 

- Hmm… - Hakuryuu resmungou baixinho, percebendo o surto da professora. Para ele parecia que Dobei na realidade não queria ter genins em sua cola, já que era algo que poderia arriscar seu histórico de missões como jounin - Bom… - recompôs-se como leves tossidas depois de crer ter percebido algo a respeito da sensei - Nem de longe sou tão forte quanto a Kana-san, mas procuro sempre treinar meu corpo para não ficar na mão em combates corpo-a-corpo - iniciou, assim que os demais terminaram de falar, lembrando-se das ondas de impacto que Kana conseguia produzir na terra em sua missão anterior - Se algum lutador conseguisse se aproximar de mim, conseguiria me virar por alguns segundos com evasivas razoavelmente rápidas. O problema seria o contra-ataque, já que eu dependeria de executar selos durante a evasão - Hakuryuu deu uma breve pausa - Entretanto, creio que genjutsu seria o maior dos problemas para mim… - logo retomou, meio pensativo, mas voltando-se para seus dois colegas de time - Kana-san, Naraka-san, o quão bem vocês lidam com genjutsu? - finalizou, indagando aos colegas de equipe, já que habilidades ilusórias tendiam a ser um pouco raras entre os ninjas.

 

Estava prestes a fazer as devidas perguntas a respeito da inteligência feita por Iwagakure, porém Kana antecipou-se.

 

- Sim, essas informações seriam muito úteis - concordaria com a kunoichi assim que ela terminasse de falar - Acho que seria bom nos dividirmos em turnos de guarda - prosseguiu, passeando os olhos pelo ambiente, atento ao seu sensor - Dobei-sensei, por acaso você possui algum tipo de técnica sensorial? Porque se tivesse, poderíamos nos dividir em times de dois. Enquanto dois descansam, dois vigiam. Cada time com um sensor - finalizou, esperando atentamente pela resposta dos integrantes de seu time.

 

@Jinkei

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       4º turno

Vulcão

 

Uma cachoeira de óleo escorria por um dos cantos da boca da mulher quando os genins rebateram com perguntas mais específicas sobre a situação. No contexto geral Dobei estava lidando com um time coeso, combativamente falando, então ministra-los em combate talvez não seria um problema. Problema seria apenas conviver já que parecia que uma aura de desastre pairava no ar, como se tudo fosse sair de seu controle a qualquer momento. Enquanto uma mão fazia um estrago no jantar, pondo para dentro da boca o suficiente para empanturrar a jounin, a outra coçou a nuca. Pensativa, a sensei respondeu. 

 

"São cinco no total, mesmo que no final das contas não passem de arruaceiros acreditando que têm um ideal eles são organizados. Até o presente momento não causaram nenhum dano físico a ninguém da vila, os saques sempre ocorreram discretamente, tendo sido presenciados esporadicamente por alguns civis. O montante de informações coletadas nessas ocasiões foi o repassado para a cúpula de iwa. Essa é a primeira vez que a tsuchikage cria uma operação para resolver isso. E isso é tudo o que temos... talvez tivéssemos mais coisas se eu não tivesse gritado com eles..."

 

Usando as bandas enroladas em uma das mãos, Dobei limpou a boca, dando um último gole na água. 

 

"Não sou" respondeu Hakuryuu "e a ideia de nos organizarmos já foi concebida. Segundo o que nos foi repassado, caso os delinquentes sigam o padrão repassado pelo representante da vila, o próximo saque ocorrerá às 2h dessa madrugada. A partir desse momento quero que suprimam a aura de chakra para que nada seja captado. Se eles forem articulados como dizem podem estar atentos a isto. O representante é aquele desagradável que nos guiou até aqui. Dá pra ver que estão em boas mãos." Erguendo-se, Dobei emendou, enquanto pegava de uma bolsa quatro mantos amarronzados e maltrapilhos. "Vistam isto, temos que nos camuflar entre eles." O traje era nada além de uma capa com gola. Felizmente era uma noite de muito vento, a umidade havia abandonado a região e o clima permitia que o vestissem sem incômodo. "Não podemos ficar em um ponto fixo já que podem direcionar o saque a um ponto específico e a gente fique chupando o dedo. Feito isto, me sigam."

 

A jounin lançou sobre o corpo a capa, lançando-se porta afora e esperando que seu time a seguisse. Quando a mulher atravessou a soleira, sem ninguém perceber, a mandala rachou, criando uma fissura dentro do padrão de círculos. 

 

Uma vez estando acompanhada pelos discípulos Dobei começou a andar pelo vilarejo. O lugar era composto apenas por duas vias compridas e largas, com casas simples dispostas ao longo de toda a extensão. A movimentação era escassa, tendo alguns homens com vestes simples perambulando aqui e acolá com sacos equilibrados nos ombros. No final de ambas as vias uma construção de pedra, já antiga, se erguia. Na fachada se via "Sumi". Certa de que estava sendo escutada a mulher falou. 

 

"Kana e Hakuryuu, você seguem pela rua paralela a esta à direita, em direção ao norte de Gojinka. Eu e Naraka estaremos seguindo por esta indo na mesma direção. Lá na frente encontrarão um prédio, com Sumi na fachada. É a casa do representante. Quando chegarem lá, retornem pelo mesmo caminho e voltem para este alojamento. Durante este trajeto coletem informações de civis que encontrarem, quanto mais detalhes soubermos mais eficiente será a nossa reposta. Quando nós quatro estivermos de volta a este alojamento, após a etapa de interrogatórios, compartilharemos nossas informações. Caso nesse meio tempo encontrem algo de estranho usem o chakra de vocês, os emitem de alguma forma. Eu saberei onde estão. "

 

Tendo respeitado a ordem da jounin e ido para a rua paralela, Kana e Hakuryuu veriam uma via quase idêntica a outra senão fosse pelo maior número de galinhas. Uma dupla de homens corriam atrás delas, para aprisioná-las em um cercado. Mais à frente, seguindo ao norte, uma senhora balançava-se em uma cadeira inclinável em frente à sua casa. Outras movimentações ficavam mais à frente, inalcançáveis naquele momento aos olhos da dupla.

 

Voltando para Dobei e Naraka, dois olhos atentos olhavam para o garoto, como se inspecionasse aquela figura tão instável e louca. Após alguns segundos a sensei voltou a olhar para frente, observando os civis recolherem-se para as suas casas. Não se via o homem mal humorado de outrora, assim como qualquer outro rosto. Parecia que as coisas por ali estavam mais calmas. A medida que caminhavam podiam perceber algumas janelas se fechando, como se respondessem ao avanço dos ninjas. 

 

Quebrando o gelo e esquecendo por um pequeno momento que estava lidando com um pessimista azarado, a mulher perguntou. 

 

"Naraka, como você lida com a morte?" 

Edited by Jinkei

MUSA | INORI | MUJA | LNC 

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Hakuryuu já tinha ouvido falar de mandalas e algumas de suas propriedades. Dentre elas a proteção, talvez. Entretanto um jutsu daqueles, por provavelmente cair dentro dos elementos yin e yang, certamente deveria ter propriedades e funcionalidades praticamente impossíveis de se prever. Talvez até devesse haver composições que conjurassem liberações elementais, entretanto o real conceito por trás do jutsu era ininteligível ainda para o garoto. Havia guardado a informação e, por ela já ter dito que não revelaria até que fosse a hora, Han optou por se fazer esquecer um pouco do assunto. Querendo ou não, ser shinobi ainda era uma profissão e, portanto, deveria se portar como tal. Não pode se distrair por tais assuntos.

 

O garoto não sabia dizer o que faltava. Porém, enquanto ela repassava as informações adicional, era como se sentisse algo como uma certa incerteza na linguagem corporal de Dobei. De qualquer forma, Hakuryuu ainda acreditava que poderia depositar sua fé na professora. Escutou atentamente às instruções, já que aparentemente havia uma previsão aproximada do horário do ataque e guardas não seriam necessárias. Não teve nenhuma objeção ao plano, já que diante da situação de incerteza de local de ataque, dividir-se e misturar-se parecia serem as melhores formas de se lidar com a situação.

 

- Entendido, Dobei-sensei - respondeu firme à ordem de seguí-la - Gochisousama - brevemente prosseguiu, unindo as mãos e respeitosamente depositando os utensílios sobre a mesa de forma organizada.

 

Tendo finalizado a sua refeição, levantou-se com presteza e alcançou a sua capa. Antes de vestí-la, no entanto, certificou-se de que sua bandana não ficaria à vista. A amarraria no braço para que ficasse coberta pelo manto quando a vestisse. Suas roupas não ficariam tão à vista, mas também tratou de dar um jeito no adorno de sua cabeça. Ao que puxou a espécie de ferrolho que o segurava em seu cabelo, sentiu um certo desconforto. Já havia perdido o costume de ficar sem ele e, por isso, não se sentia tão à vontade. Porém, diante da falta de opções, apenas soltou e ajeitou rapidamente seu cabelo que ficaria alguns centímetros mais comprido. Arrumando e guardando o adorno e as fitas com cuidado em uma de suas pouchs ninja, suspirou e finalmente terminou de lançar o manto sobre seu corpo.

 

Como sempre, optava por ser o mais discreto possível. E, por mais que o adorno não fosse sinônimo de discrição, o fato de que ninguém ali já havia o visto sem o item provavelmente deveria ser chamativo. Por isso, silenciosamente, um pouco corado e contendo a vergonha, Hakuryuu também rapidamente tratou de se lançar através da porta para seguir Dobei.

 

Caminhando do lado de fora, interessado em estudar o possível campo de batalha, distraiu-se de sua nova aparência temporária. Logo voltou o olhar para professora, que retomava suas explicações a respeito do plano.

 

- Hai - acatou, lacônico para variar, brevemente fitando Kana e esperando que estivesse pronta para seguirem pela rota estipulada.

 

Quieto, mas fervilhando por dentro, Hakuryuu levantava discussões internas a respeito de “como diferenciar os civis dos bandidos-alvo”. Talvez, se chegasse perto para conversar seus chakras denunciassem o nervosismo ou algo do tipo. Entretanto, sua maior preocupação era a respeito de julgar a aparência ou não. Por um lado, acreditava que ser possível que literalmente qualquer um poderia estar mancomunado com a gangue. Por outro, questionava se não estaria apenas pensando demais e levando as coisas ao extremo desnecessariamente.

 

Chegando à metade da vila deixada sob seu encargo, Hakuryuu silenciosamente passou os olhos pelos indivíduos mais próximos. Aquela altura, sentia-se calmo, quase com uma expressão sonolenta, ainda que sua cabeça fervilhasse com ideias. Apesar do caos causado pelas galinhas, prontamente focou na senhora adiante, que balançava na cadeira inclinável. Não só por sentir certa afinidade com a calma e lentidão com que a maioria dos idosos se portava, mas também por que não acreditava ter jogo de cintura o suficiente para se virar em uma situação social em que desconhecidos certamente estariam ocupados e distraídos com a fuga das galinhas.

 

- Kana-san, vou entrevistar a senhora mais adiante e ver se há mais candidatos adiante nessa rua - pontuou em tom monótono, prontamente avançando suas passadas na direção da velhinha.

 

Até mesmo uma velhinha poderia ser informante de uma gangue? Sim, era o disfarce perfeito. Pelo menos, era isso que um dos Hakuryuus chibi em sua mente pontuava para os demais. Outros, porém, contrapunham-se argumentando que talvez fosse exagero pensar assim. Indeciso, o garoto acreditou que talvez um meio termo fosse o mais adequado. Aproximaria-se calmamente, acreditando que a probabilidade do informante ser uma idosa era remota. Afinal, talvez nem enxergasse direito. Entretanto, por via das dúvidas, manteria-se atento ao seu sensor. Se sentisse grandes variações na frequência de vibração da senhora, aí sim suspeitaria.

 

Antes de atingir a distância apropriada para se comunicar, brevemente passaria os olhos pela rua adiante. Procuraria observar quem eram os elementos que compunham a rua da vila naquele instante.

 

- Boa noite, senhora - diria Han de forma clara ao que atingisse relativa proximidade, reverenciando a anciã respeitosamente. Contudo, talvez por conta dos pensamentos anteriores, omitiria as informações que denunciassem sua identidade - Cheguei recentemente a Gojinka e ouvi rumores a respeito de uma gangue... - emergiria em um tom meio pensativo após alguns instantes de sua saudação - Devo ficar por mais algum tempo e agradeceria se pudesse me confirmar se os rumores são verdadeiros ou não - finalizaria, mantendo-se em silêncio e esperando que a idosa respondesse.

 

Questionaria se não estava sendo robótico ou formal demais. Entretanto, o foco em suas capacidades sensoriais para com a aura da senhora e eventuais assinaturas suspeitas nos arredores cumpriam bem o papel de distrair sua mente do assunto.

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Compartilhando informações e recebendo mais instruções sobre a missão, continuei ouvindo o desenrolar da conversa com uma evidente cara de descrença com as respostas de Naraka. Mesmo com a longa convivência, ainda não consegui me acostumar com a sua natural estranheza.

 

- Hmm... Não muito, Hakuryuu. Genjutsu pode ser um problema...  - respondi enquanto ponderava sobre a quantidade de participantes do grupo. Ainda que Dobei não parecesse muito preocupada, o fato de apenas cinco pessoas incomodarem tanto o vilarejo mostrava que eles tinham algum tipo de habilidade, e a primeira coisa que precisávamos sobre eles era informação. Mesmo que concordasse com a sensei até certo ponto, não podia começar a missão subestimando-os. A jounin já tinha algo em mente e se colocou em movimento, pedindo para segui-la. - Sim, sensei.

 

Olhei para a capa e no breve instante que levei para decifrar a necessidade dela, Hakuryuu já estava coberto e removendo qualquer acessório que pudesse chamar atenção, como a bandana. O motivo veio em minha mente como um estalo: MANTER A DISCRIÇÃO. Joguei a capa sobre os ombros e tirei a bandana da testa para colocá-la amarrada ao redor da cintura, coberta pelo cinto de tecido. Pronta para partir, acompanhei a sensei porta afora para ouvir o restante das instruções, concordando com a cabeça.

 

- Aii, ter esse trabalhão logo hoje que fizemos a viagem pra cá... Vamos, Hakuryuu. Boa sorte para vocês. - ansiosa com o que poderíamos encontrar, suspirei com uma cara de que não tinha muito o que fazer a não ser trabalhar. Dei um tchauzinho para o restante do time e segui o caminho.

 

Assim que pisei no início da rua, algo começou a me incomodar. A vila era relativamente pequena, mas para apenas cinco pessoas causarem tanto problema, eles deveriam ter algum tipo de informante. Pensando no padrão das invasões e tudo mais, isso fazia sentido. Agora que via as galinhas soltas, encarar o frango mais cedo não pareceu certa... Até que ponto o possível vigia conhecia técnicas de espionagem e atuação? Pensando nisso, comecei a avaliar os meus movimentos para dificultar esse trabalho.

 

Ao caminhar pela rua, tentaria segurar todas as reações que pudessem levantar suspeita, como olhar muito para os lados, andar muito tensa ou com movimentos travados, me movimentar de forma que destoasse das pessoas dali, sem pressa ou com uma lerdeza excessiva. Utilizava de algumas desculpas para conseguir olhar ao redor, como colocar o cabelo atrás da orelha, me espreguiçar ou forçar uns bocejos. Em poucas pisadas, consegui encontrar um passo calmo e livre de tensão.

 

- Hakuryuu, nesse ponto acho que você já deve desconfiar, mas pode ter algum informante por aqui. Sei que é um saco, mas vamos ter cuidado, sim? - falei para o meu colega de time, vagando meu olhar sempre que surgia uma oportunidade para detectar alguém que desviasse o olhar repetidamente, nos encarasse de volta por muito tempo, entrasse muito em becos, se mantivesse nas sombras ou demonstrasse reações muito lentas. Forcei um leve sorriso para que um observador não visse nada além de uma conversa entre dois amigos, esperando que Hakuryuu não entendesse como algo esquisito. - Vou tentar falar com um dos homens das galinhas enquanto você fala com a velha. - Retornei alguns passos até um dos homens que tentava capturar as galinhas, de olho em seus movimentos, como mãos, olhar, tensão no canto da boca e o que mais pudesse levantar alguma suspeita.

 

- Olá, senhor. Tem alguma estalagem nessa direção? - apontaria para o fim da rua, no sentido que Dobei pediu para seguirmos. - Fiquei sabendo que vocês estão tendo alguns problemas com uma gangue, então me disseram para passar a noite por aqui.

 

Esperava que esse início de conversa pudesse desencadear alguma explicação por parte do homem. Caso não, tentaria perguntar se ele também recomendava passar a noite, e se sim, porque. Mesmo a resposta sendo negativa no caso de haver alguma estalagem, daria a desculpa de que precisaria chamar um primo para andar na direção que precisava, aguardando eles pararem de olhar para continuar por ali mesmo após a negativa.

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Suspirei fundo aliviado ao perceber que não teria que reviver o meu trauma novamente, por enquanto, na frente dos três. Enquanto a conversa se desenrolava mais um pouco, eu continuava a atacar os frangos fritos pensando melhor na opção de roubar os da Kana já que ela não parecia com tanto apetite assim. Será que eu deveria usar algum jutsu? Impossível. Eu só sei controlar a terra, ela perceberia na hora e me daria um soco só. Então, uma distração? Sim, uma distração poderia funcionar... Algo que a fizesse olhar para outro lugar por um tempo como... Como... Um genjutsu!

- SIM, GENJUTSU! BOA IDEA, HAKURYUU-SAN! DA PRÓXIMA VEZ IREI USAR GENJUTSU PRA ROUBAR A COMIDA DA KANA-CHAN! – Bradei ao garoto agradecido pela ideia que ele havia me dado.

Porém, nesse momento, percebi que não era bem nesse sentido que ele havia falado sobre genjutsu. Por estar perdido demais nos meus pensamentos, acabei falando o que estava pensando naquele momento ao invés de responder como eu lidava contra esse tipo de jutsu. Graças ao azar que me distraiu, meu plano perfeito que nem havia sido posto em ação já havia sido exposto e, consequentemente, canceladoh.

Agora prestando atenção no que a sensei dizia, vesti a capa que ela havia nos dado por cima da minha capa já imaginando a cena onde eu iria tirar aquela capa para me revelar mas aí teria uma segunda capa que não me revelaria, a seguindo assim que a mesma saiu do casebre junto dos meus colegas de time. O clima do lado de fora parecia tão ameno quanto tudo naquela vila inteira, o que fazia com que eu ficasse surpreso de realmente haver grandes ações como roubos e até mesmo brigas.

Fora então que a sensei nos separou mandando a Kana e o Hakuryuu pra um lado enquanto nos dois iriamos para o outro. De imediato fiquei surpreso com uma sensei se envolvendo tanto numa missão de genins como nos, mas logo entendi o porquê. Ela queria se livrar de mim. Kana era forte e inteligente, se aparecesse alguém metido a besta ela o derrubaria no máximo com dois socos. Hakuryuu era ainda mais inteligente e sabe-se lá quanto mais forte que nos dois juntos, ele era a estrela do time. E então tinha eu, o azarado que só sabia fazer castelinho de areia nos jutsus.

A forma que ela me olhou por alguns segundos e a forma que os civis daquela área estavam se comportando se recolhendo para não ver o que iria acontecer apenas reforçava a minha teoria. Aquele caminho iria dar provavelmente no cemitério, onde a sensei me enterraria sem que ninguém soubesse. Assim que a sua pergunta sobre a morte veio, dei um salto para trás sacando minha espada.

- CALMA LÁ, SENSEI! EU SEI QUE SOU AZARADO E UM FARDO PRO TIME, MAS NÃO É CULPA MINHA! EU NÃO QUERIA SER TÃO AZARADO ASSIM E MUITO MENOS QUE VOCÊ SE TORNASSE NOSSA NOVA SENSEI, MAS É TUDO CULPA DO AZAR! DIGO, MEU AZAR, MAS É AZAR! AZAR É AZAR! ENTÃO EU NÃO VOU DEIXAR QUE SE LIVRE DE MIM ASSIM TÃO FÁCIL! EU AINDA NEM BEIJEI NA BOCA, NÃO POSSO MORRER BV! – Bradei para a mulher empunhando minha espada firmemente na direção dela, com a guarda levantada pronto pra reagir ao ataque dela.

Era loucura tentar vencer uma ninja que foi oficialmente aceita pela Tsuchikage, mas eu ainda tinha meu orgulho ninja – iria lutar pela minha vida até o fim, mesmo que desde o começo eu não tivesse chance alguma. Meu coração estava acelerado naquele momento e eu quase podia sentir minhas mãos suarem, mas minha mente estava limpa. Se eu não morresse pro primeiro golpe dela talvez ela pensasse melhor na sua escolha de se livrar de mim e me desse uma chance de fugir, já que vencer ela seria impossível. Sendo assim, na primeira oportunidade que tivesse de conversar, eu iria tentar – por mais horrível que eu fosse nisso também.


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       5º turno

Vulcão

 

@Keel Lorenz | Ao se aproximar da idosa e redirecionar seu olhar para frente Hakuryuu podia notar um trio de crianças serem repreendidas por um casal que insistentemente os chamava para dentro da casa. Aos resmungos de reclamação os três arrastaram os pés de volta à casa, sendo engolidos pela porta batendo com urgência atrás deles. Quando emitiu sua saudação nada na postura da mulher se alterou, apenas uma aura melancólica flutuava ao seu redor. Mais próximo da mulher o genin podia ouvir agora alguns gemidos uníssonos ao balanço da cadeira. Alguns segundos passaram após a pergunta do garoto até a senhora balbuciar algo. 

 

"Cê... tem cheiro de mentira. Mentira... enganadora que nem os oculto. Os..."

 

Interrompendo a mulher e irrompendo no campo sensorial do shinobi um homem apareceu na soleira da porta, de vestes simples e puídas e com uma carranca de poucos amigos. 

 

"O que cê qué enchendo o saco da vó pirralho? Xô!" Expulsou Hakuryuu com um movimento de mão enquanto arrastava a cadeira para dentro da humilde casa. Quando a porta bateu ainda se podia ouvir os sons que aconteciam lá dentro. Parecia que o homem falava com a idosa. Mais à frente na rua algumas galinhas despontavam, correndo sem rumo. Uma mulher atônita surgiu correndo atrás delas, repetindo em voz alta e nervosa "Ó A HORA! Ó A HORA!"

 

@Hemurin | Kana, por sua vez, aproximou-se de seus interrogados de forma abrupta e questionou-os diretamente, sendo recebida com olhares desconfiados. 

 

"Aqui perde só quem tem o que oferecê, garotinha." Disse um dos homens enquanto o outro se ocupava em organizar as aves no cercado, este último saindo logo da vista da genin. "Se cê tem alguma coisa de valô segue teu rumo, se não tem o Hideki tem uma cama boa pra cê dormi na rua de cima." A garota não notava nada além de brusquidão e urgência na voz do homem. Mesmo que parecesse que queria se livrar logo da sua presença ficou aguardando se ela tinha algo mais a perguntar.

 

@ryu-ryu | Antes que a reação do garoto atraísse toda a atenção do vilarejo e que Dobei tomasse a agradável ciência de que o garoto ainda nem beijara na vida um punho fechado mergulhou rápido demais de encontro à sua testa, fazendo Naraka tropeçar à frente e seu discurso ser interrompido. "CA-LA-DO!" Exclamou cochichando Dobei, pegando o garoto pela capa nas costas e o pondo de pé antes que caísse no chão. "O que falamos sobre descrição?!" Perguntou a jounin enquanto se xingava internamente por ter esquecido de ser mais sutil em como tratava justamente o mais surtado do time. Respirando profundamente sorriu amarelo, pondo levemente uma mão trêmula sobre um dos ombros do garoto o incentivando a manter os passos pela rua. "O que eu quis saber, Naraka, é como você lida com a morte em si, não a sua. Nossa profissão se relaciona com a iminência dela a todo o momento e me choca encontrar alguém como você nessa jornada. Como você agiria se Kana estivesse em situação de perigo extremo? Você desistiria apenas por saber que esse azar faria tudo tomar o pior rumo?"

 

Não era possível ver dali e naquele momento a expressão da mulher, oculta pela altura e pela gola da capa. Em contraste ao momento de descontrole a fala da mulher carregava pesar. Talvez o assunto tivesse algo a seu respeito também. 

 

Se voltasse sua atenção à rua Naraka veria que naquela altura em que caminhavam não havia mais ninguém.

 

Em paralelo a noite solidificava um teto escuro e sem estrelas sobre suas cabeças.   

Edited by Jinkei

MUSA | INORI | MUJA | LNC 

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A luta pela qual eu estava pronto para travar pela minha própria vida fora completamente interpretada de forma errada por mim, no qual o erro principal ali era eu ter a audácia de acreditar que aquilo seria uma “luta”. Antes mesmo que eu pudesse falar um A direito, a sensei avançou sem me dar tempo de reação me atingindo com um golpe que eu por um segundo acreditei ser fatal – porém, para a minha surpresa, eu ainda estava vivo. A potencia do soco não fora no sentido de me matar, mas sim de me interromper – e meio que eu pude sentir também um pouco de raiva não por ódio, mas sim por vergonha de ter que lidar comigo.

No fim, se fosse uma luta de verdade, aquele soco teria realmente me mandado dessa pra melhor.

Me acalmei após ouvir o que a sensei realmente queria saber com aquela pergunta sobre como eu lido com a morte sendo quem eu sou, e uma série de respostas que eu poderia dar para ela envolvendo o meu azar se formaram na minha cabeça. Porém, desde que nos conhecemos, aquela sensei parecia estranha. Estranha porque ela parecia querer lidar comigo mesmo eu sendo tão azarado, não desistindo de mim – pelo menos por hora. Ela me lembrava um pouco a Kana nesse sentido, então...

- Nesse caso eu lutaria, sensei. Eu provavelmente iria apanhar e me machucar ou até mesmo morreria no processo de ajudar a Kana-chan por conta do meu azar, mas eu não o deixaria agir como bem entendesse. Digo, eu nunca deixei, mas como ele é mais forte do que eu, acaba que suas ações saem por cima das minhas. – Disse arrumando a minha segunda capa ainda animado com a cena de tirar aquela capa para me revelar tendo outra capa por baixo que não me revelaria. – Então a morte pra mim não é nada mais do que a forma mais fácil de escapar do azar. Apesar de ser pessimista e acreditar que vou escapar assim, eu irei lutar contra ela até o fim.  – A respondi com um tom decidido e claro de sinceridade.

Após isso, o deserto daquela rua voltou a me chamar a atenção. Se não estávamos indo para o cemitério e aquelas pessoas não estavam se recolhendo porque não queriam ver a cena da minha morte, porque diabos elas estavam fazendo isso então? Eu não poderia estar sendo tão azarado ao ponto de estar caminhando diretamente para a toca do lobo onde estão os canalhas que estavam perturbando os moradores daquela vila, né? Não, não, não. A sensei não cometeria um erro desses, não em uma missão tão importante. Sendo assim...

- Sensei, a senhora acha que tem alguma lojinha de artigos de sorte por aqui? Sabe, daqueles onde umas senhorinhas agradáveis com suas netinhas alegres bordam tudo a mão? Eu li um artigo ninja uma vez onde dizia que esses itens são os mais efetivos contra o azar! Seria bom comprarmos uns cinco diferentes para cada um do time, só por precaução... – Comentei com a mulher dando uma boa olhada em volta para ver se encontrava alguma loja do tipo. Caso viesse alguém que não tivesse estranhamente saído dali, iria até essa pessoa perguntar basicamente a mesma coisa que havia perguntado a sensei.



30%

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- Olha aqui, meu senhor... Eu não sou esfing... - interrompi meu resmungo e respirei fundo numa clara tentativa de acalmar os nervos. Quando me dirigi ao homem das galinhas, eu esperava que ele me mandasse embora, me chutasse, que se recusasse a responder ou até que fosse um inimigo disfarçado e tentasse me matar com os frangos, mas não estava nos meus planos receber um enigma. Rikudou sennin, se você existe, por favor, não deixe que eu exploda e bata na cabeça de gente inocente hoje, logo agora que eu preciso de respostas, amém.

 

O que ele quis dizer? A voz do homem ainda ecoava em minha mente, enquanto ele me encarava e eu sustentava o seu olhar com meus olhos cinzentos. Aqui perde só quem tem o que oferecê, garotinha. Se cê tem alguma coisa de valô segue teu rumo, se não tem o Hideki tem uma cama boa pra cê dormi na rua de cima. A gangue só roubava dos mais abastados, era isso? Uma espécie de Robin Hood com prováveis habilidades ninja? Mas não faz sentido. Nada dali era o que eu chamaria de abastado, e todos pareciam ter uma imensa pressa, como se obedecessem um toque de recolher. Os bandidos deveriam pegar o que pudessem por a mão e pronto, isso explicaria o porquê de todos estarem tão nervosos em guardar seus bens. Mas a principal pergunta ainda surgia: por que só 5 pessoas conseguiam colocar tanto medo em uma pequena vila que, teoricamente, os venceria em números?

 

Antes que o homem desistisse de mim e desse no pé, recomecei. - Perdão, por, errm... incomodá-lo - incomodar pareceu uma palavra melhor do que 'impedir que você corresse atrás das suas galinhas barulhentas'. Ainda assim, tentei sustentar a ideia de inocência, por mais que agora eu estivesse um pouquinho irritada. - Então eles são perigosos mesmo? Achei que fosse só um grupinho de beberrões encrenqueiros... Então eles podem ser, bem, hm... Ninjas? - Não acho que conseguiria arrancar nenhuma resposta direta dele, mas estava ficando sem tempo (e paciência). Aguardaria a sua reação, tendo ou não minha resposta, seguiria com um obrigada e boa noite, indo alcançar Hakuryuu o mais rápido que pudesse.

 

Tomara que ele tenha conseguido alguma coisa com a velhota. Lembrei do aviso da sensei para suprimir a presença do nosso chakra, e comecei a me concentrar em fazer isso, esperando que Hakuryuu se lembrasse também. Com certeza a movimentação da vila nesse horário tivesse o dedo de alguém preocupado em manter o povo em segurança, provavelmente o representante. Não é atoa que estivesse tão irritado. Mas a desconfiança das pessoas era esquisita... Se estávamos ali para resolver o problema, por que eles pareciam nos ver como um problema? Será que eles achavam que éramos pessoas iguais aos bandidos? Em que somos parecidos, para início de conversa?

 

Com muito mais perguntas do que antes e pouquíssimas respostas, segui andando para encontrar Hakuryuu, sabendo que essa noite seria longa e trabalhosa. A pressa das pessoas em sumir de vista estava dando espaço para uma calmaria forçada e suspeita, o que quebraria a nossa discrição, já que em pouco tempo seriamos os únicos seres vivos andantes por aquela rua.

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Cerrando os olhos, Hakuryuu lançaria um olhar desconfiado com certo ar de desprezo para Naraka. Ele já havia dito que sua fraqueza talvez fosse “velhos pelados”, e Han tinha um palpite muito forte para qual seria o motivo daquilo. Foi tentando espiar o banheiro feminino que ele acabou por se deparar com um dos contratantes anterior. E Hakuryuu não gostava nem um pouco de pensar nas indecências que seriam possibilitadas caso ele aprendesse genjutsu. 

 

- Hmm - balbuciaria, ainda com a expressão de desprezo, imaginando os tipos de depravações que ele deveria estar querendo cometer.

 

De qualquer forma, Hakuryu logo tratou de voltar a ponderar sobre eventuais lutas. Conforme a resposta de Kana, ninguém no time parecia ter boas capacidades no campo de genjutsu. Talvez seu controle de chakra auxiliasse em tirar outrem de uma ilusão. Porém, temia que aquilo talvez não fosse tão eficiente quando o atingido fosse ele mesmo.

 

- Sim, vamos - responderia, ainda um pouco aéreo devido aos planejamentos estratégicos internos, dirigindo-se para o lado de fora acompanhado da garota.

 

Tendo chegado à rua depois das instruções da professora, Hakuryuu ainda estava aparentemente um tanto alheio à situação. Naturalmente, cogitava diversas coisas por dentro. Ao que iniciou sua caminhada em direção à idosa, respondeu:

 

- Hai, vamos nos encontrar mais adiante para compartilhar informações… - prosseguiu, um tanto focado no caminho que tinha à frente, afinal realmente estava pensando bastante a respeito do que a garota a havia falado de espiões.

 

[...]

 

Momentaneamente, parando para pensar melhor, era estranho que um vilarejo de aspecto tão pacato tivesse pessoas tão apressadas. Foi ao que associou aquela pressa em entrar em casa por parte das pessoas por ali com o que pessoas de cidades maiores geralmente faziam por conta da criminalidade que uma luz se acendeu em sua mente. Todos os moradores pareciam saber que o ataque aconteceria em breve. Sua expressão sonolenta rapidamente despertou com um ar de preocupação.

 

- Eh? - o garoto surpreendeu-se com a resposta da velha. 

 

Não estava exatamente mentindo, afinal realmente tinha chegado recentemente, estava preocupado com a gangue e realmente estimava que talvez devesse ficar por mais algum tempo até que a situação fosse resolvida. Entretanto, a velha parecia ter algum tipo de detector em seu nariz. Talvez ela fosse como um dos seus antigos colegas de equipe, com um nariz excepcional capaz de captar vacilos na fala? De qualquer forma, ainda estava um pouco preocupado em conseguir informações antes que todos os aldeões sumissem das ruas e o ataque começasse.

 

- Os ocultos...? - indagou, agora confuso e gradativamente ficando com pressa para descobrir.

 

Foi surpreendido com o torso que surgia na porta atrás da cadeira de balanço. Brevemente levantou o olhar e encarou o homem um pouco assustado. Momentaneamente pensou que talvez fosse conseguir mais informações, no entanto o sujeito não parecia estar de muito bom humor. 

 

- M-mas… - balbuciou em resposta ao enxotamento, com o dedo erguido em sinal de “espere” - E-eu… - estava prestes a retorquir a insinuação de que perturbava a idosa quando estremeceu com o impacto da porta diante de si.

 

Em sua inocência, pensou em como as pessoas de Gojinka tinham um comportamento meio estranho, sem entender exatamente o porquê. O garoto reconhecia o perigo que rondava à vila, claro, mas não tinha como compreender o real sentimento daqueles que moravam ali. Por um momento, acreditou que teriam interesse em informar os demais para que se mantivessem seguros. Foi enquanto ouvia as vozes abafadas do outro lado da porta que percebeu que as coisas não seriam tão convenientes assim.

 

- Hmmmmmm… - atento ao seu sensor, virou a cabeça para rapidamente checar o perímetro.

 

Estava nervoso com o tempo que se esgotava, mas ao mesmo tempo sentia que seria errado aproximar os ouvidos. Permaneceu hesitante por uns breves instantes até que pensou que, tendo em vista a razão estar ali, talvez só uma espiadinha fosse justificável.  Avançando em direção à porta, manteria seus passos leves para que não fosse ouvido ou produzisse ruídos em eventuais assoalhos de madeira, por exemplo. 

 

Tentando colocar a orelha o mais próximo possível da porta, tentaria ouvir a conversa ao mesmo tempo que visualizasse as assinaturas de chakra no interior. Seria como ouvir duas figuras humanoides energéticas se comunicando, imaginou. Enquanto espiasse o assunto da conversa, ficaria atento ao chakra daqueles dentro da casa. Caso dessem indícios de que tinham percebido sua presença e fossem se aproximar da porta, rapidamente efetuaria os selos de um Shunshin no Jutsu (Rank-D) (sem a fumaça) para se fazer desaparecer antes que fosse visto. Fugido, procuraria algum lugar onde pudesse se esconder até que a barra estivesse limpa novamente.

 

De seu esconderijo, observaria a situação da mulher das galinhas, já pensando em como se aproximar para obter informações. A princípio, esperando que a porta da casa anterior fechasse, ficaria observando o trajeto para tentar intercepta-las. Assim que a porta voltasse a se fechar, sairia de seu esconderijo, procurando fazer-se percebido no campo visual da mulher para que não estranhasse. Então, assim que encontrasse a brecha para a interceptação, avançaria procurando agarrar os animais com cuidado para não machucar. Caso obtivesse sucesso, rapidamente as estenderia em direção àquela que parecia ser sua dona. Ajudando a mulher, esperava que ela pudesse lhe ajudar.

 

Ademais, estaria sempre atento se assinaturas de chakra suspeitas começassem a se aproximar em sua direção. 

 


 

Spoiler

瞬身の術 Shunshin no Jutsu (Técnica do Corpo Tremulante)
Rank-D | Ninjutsu
Suplementar. Habilidade Geral. Técnica de movimento em alta velocidade, que permite ao ninja se deslocar pode distâncias curtas ou longas de forma praticamente imperceptível. Para quem observa, fica a impressão de que o shinobi simplesmente teleportou. Uma pequena nuvem de fumaça é comumente utilizada para mascara o movimento do usuário, e é conseguida ao canalizar chakra para vitalizar temporariamente o corpo e permitir que ele se mova em velocidades extremas. A quantidade de chakra utilizada no jutsu depende diretamente da distância e elevação entre o ninja e seu destino intendido.
O Shunshin no Jutsu possui diversas variações entre as vilas ocultas, todas envolvendo elementos externos ao movimento em si. Tal elemento é, geralmente, algum tipo de substância utilizada para distrair os oponentes. Dessa forma, existem as seguintes versões:
{lista} 
砂瞬身 Suna-Shunshin (Corpo Tremulante na Areia) - Mostrada por Gaara de Suna, utiliza areia para encobrir a execução da técnica. Requer algum tipo de influência sobre tal elemento, como explosões, vento, ou manipulação direta da areia.
霧瞬身, Kiri-Shunshin (Corpo Tremulante na Névoa) - Utilizada comumente por Kirinin, essa versão aproveita a dificuldade de visão em meio a névoa para mascara o movimento do usuário. Requer a presença de névoa, natural ou conjurada.
水瞬身, Mizu-Shunshin (Corpo Tremulante na Água) - Assim como as demais técnicas derivadas da principal, esse jutsu usa água como forma de distrair o oponente e permitir que o deslocamento em alta velocidade ocorra com sucesso.
木ノ葉瞬身, Konoha-Shunshin (Corpo Tremulante nas Folhas) - Utiliza um redemoinho de folhas para desviar a atenção da execução real da técnica. Hatake Kakashi e Uchiha Sasuke fizeram uso desse jutsu ao aparecerem no centro da arena do Chūnin Shiken em meio a um turbilhão de folhas.
In: Carneiro.
Alcance: Definido pela distância a ser percorrida em comparação ao chakra disposto para a técnica, bem como o sucesso ou falha na distração do adversário.

 

Han Hakuryū

Chakra: 114 - 6 (Shunshin) + 2 (Economia - Controle de Chakra) = 110

 

@Jinkei

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       6º turno

Vulcão

 

@ryu-ryu | Com a resposta do genin algo pareceu desanuviar o rosto de Dobei. Seus pensamentos transpassavam memórias distantes ao mesmo tempo em que a mulher ponderava as palavras de Naraka. O diálogo pareceu ser no final das contas uma troca de gatilhos que despertaram na jounin mais certezas do que dúvidas. 

 

"Talvez isso soe como um conselho de gente velha mas talvez você acabe aprendendo que nada é mais forte que a relação que temos com as coisas que mais amamos, independente se isso for algo material, coisas intangíveis ou pessoas. Você acabou de dar um bom exemplo disso. Quero que se livre dessa insegurança em forma de mau-agouro antes que o mundo shinobi te consuma e cuspa apenas ossos." Mesmo que na fala de Dobei algumas coisas pudessem desencadear o modo full psycho do garoto um tom apaziguador, destoando de todos usados pela jounin até então, impregnava a sua voz. Parecia ser um conselho a ser aprendido rápido, como se previsse que algo aconteceria. 

 

"Acho difícil, aqui a princípio só tem tentativas de estalagens. E acho também difícil descobrirmos." Comentou enquanto vislumbrava as portas e janelas fechando. Se inspecionasse o semblante de sua sensei Naraka notaria que esta parecia inspecionar cada centímetro do lugar, enquanto as sobrancelhas encontravam-se numa carranca de preocupação. Na mente da mulher nada além de preocupação voltava a pairar quando nada encontrava nos arredores e notava cada vez mais os civis encerrando-se em suas casas. Tinha algo em mente mas não queria acreditar que a alta cúpula enviaria um grupo de genins para um lugar em que poderia haver a ínfima possibilidade de algo assim acontecer. Preferiu não externalizar seus temores, a reação do garoto não seria das melhores, por isso o mantivera consigo para evitar que saísse do controle longe de seu domínio. 

 

Foi então que algo atingiu a percepção de Dobei. 

 

@Hemurin | Pondo as mãos na cintura o homem encarou mais um pouco a garota, irritado com a sua presença. "Nunca nem vi essa gente, mas cê parece sabê mais deles do que eu. Se nunca vimo eles, então pode se que eles sej-"

 

"UMARO VEM PA DENTRO TÁ CHEGANDO A HORA!"

 

Uma voz feminina gritou pela janela enfurecida, o que fez os olhos do caçador de galinhas arregalarem-se. 

 

"AH, O ASSADO! BOA ESTADIA PRA CÊ AÍ!

 

Exclamando o civil deixou Kana sozinha, correndo para dentro da casa e batendo a porta atrás de si. Nas redondezas a genin não identificava mais ninguém, apenas a silhueta de Hakuryuu mais à frente. 

 

@Keel Lorenz | Tomando todos os cuidados o genin atuou o papel da governanta fuxiqueira, faltando só o copo de vidro na mão. Pôde ouvir lá de dentro o homem falando em um tom alto e exasperado. "É A NOSSA ÚNICA CHANCE VÓ, A ÚNICA!" Mais nada pôde ser escutado além de murmúrios inconclusivos da senhora que permanecia próxima à porta. 

 

Transferindo sua atenção à mulher, sem precisar utilizar de seu jutsu para evadir de quaisquer repreendas do homem, viu-a atravessar a rua enquanto duas galinhas se dispersavam. Observando seus trajetos Han, com sua agilidade, interceptou sem dificuldades as aves recebendo bicadas nervosas de ambas na capa. O tecido frágil, puído e que simulava a simplicidade do vilarejo acabou por trair o garoto, criando uma fenda que por fim revelou seu torso e sua vestimenta real.

 

"CÊ TÁ MUITO FERRADO PIRRALHO!!!" Exclamou olhando nos olhos de Hakuryuu, saindo com urgência em direção ao norte rumo a uma casa abatida de dois andares. 

 

A frase explodiu nos tímpanos do garoto ao mesmo tempo que algo penetrou no seu campo sensorial.

 

     00:00

 

@ryu-ryu | No momento em que aquela ínfima perturbação se tornou presente para a sensei sua postura mudou, abraçando Naraka como se fosse apenas um gesto de afeto, exceto por uma das mãos que estava sobre a sua boca. O garoto percebeu a capa da jounin encher nas laterais. "Apenas fique quieto Naraka, e finja ser um abraço natural." Logo que cochichou a mulher logo emendou. "Brigado pô ajuda essa mana gorda e desajeitada aqui, pirralho." O garoto logo relacionou o sotaque ao usado pelos civis. Então, por fim, viu uma sombra passar sobre eles, sendo seguido pelo surgimento de duas Dobeis por debaixo da capa. Logo todos saltaram, indo em direção à rua paralela. 

 

@Keel Lorenz @Hemurin @ryu-ryu| Kana e Hakuryuu apenas viram uma Dobei atônita aparecer aos seus lados, proferindo apenas um "venha", agarrando-os e saltando para longe da rua. O sexteto foi se reencontrar atrás de um trio de pedras, no sopé de uma imensa montanha que delimitava uma das laterais de Gojinka. Levou alguns segundos para as duas cópias desintegrarem-se em pedaços de pedra, com a original tomando logo a voz. 

 

"Um deles acaba de ir em direção à estalagem de Hideki. O chakra dele... não é normal." Disse a sensei com o fôlego descompassado. Os olhos fixados queriam expressar a segurança que a mulher não tinha naquele momento. "Eu estou com suspeitas martelando na minha cabeça mas... Kana e Hakuryuu, quero que digam o que acham da situação. Após considera-los daremos nosso próximo passo."

 

Como se respondesse à reunião do time o vilarejo se calou, sendo engolido pela tensão.

 

Spoiler

guys, esse é o último turno antes da porradaria. estou deixando a Dobei bem passiva ao enredo pois estou explorando os personagens de vocês fora de combate, deixando-os atuar mais livremente na narrativa. nessa parte decido explorar aspectos diferentes dos personagens de vocês, lapidando o caminho mais adequado à personalidade dessa jounin. após isso minha mestragem será mais condutiva.

 

MUSA | INORI | MUJA | LNC 

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