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[Lex Talionis] An eye for an eye


Keel Lorenz
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An eye for an eye

 

***

 

Turno

***

 

Após deixar Gardênia, o submarino pilotado por Alfred foi capaz de atracar em Khórus em poucos dias, graças à proximidade das regiões 4 e 3. Apesar do trato com Stella, o alto escalão havia sido veementemente contra que Claire pudesse participar daquela missão de alta importância. Sendo assim, um dos Reis de Espadas, que acompanharia o grupo de Kobayashi na invasão ao lar de Althea, arrumou para que ela ficasse detida na prisão da base central. Sendo a principal instalação de Spades no mundo, no entanto, a carona de Alfred só durou até ali.

 

Desejando voltar ao Paraíso, não demorou até que Yumi Suzume, Kobayashi, Daisy e Ye Xiu acabassem conseguindo uma carona até Vahlor Island. Afinal, Khórus era a maior base Spades e navios indo e vindo de todas as partes do mundo não era o que faltava.

 

Após alguns dias semanas navegando pelo Novo Mundo e após cruzar a Red Line, a tripulação passou por boas semanas em alto mar na primeira metade da Grand Line. Tratando-se de um navio encarregado de trazer carga para Khórus, muitas foram as paradas para coletar dos mais diversos tipos de produtos nas mais diversas ilhas ao longo da Rota 1. Foi nesse meio caminho em que Daisy e Ye Xiu eventualmente acabaram dando adeus para o grupo. 

 

Ao que finalmente atingiram Vahlor Island, Yumi e Kobayashi aportaram juntos na costa sul do Reino de Sôhmirs. Separando-se da tripulação do navio, que agora deveria voltar para Khórus, a primeira parada dos caçadores foi na capital do reino. No entanto, por razões pessoais, cada um acabou seguindo seu lado. Kobayashi, por sua vez, optou por seguir mais a leste na cidade, eventualmente parando em uma taberna nas porções finais da capital. Entretanto, sua escolha acerca daquele local não havia sido despropositada. Assim como diversos outros estabelecimentos por toda a ilha, aquela estalagem agia como fachada para uma pequena agência Spades. Os caçadores se reuniam na taberna localizada na parte térrea do prédio para coletar informações com o barista e até mesmo checar acerca da disponibilidade de novos trabalhos.

 

 

Com uma proposta obviamente medieval, a taberna em questão era bastante aconchegante. Kobayashi estava sentado junto de Claire em uma mesa colada à parede oposta à entrada da taberna. Ainda não haviam pedido nada, mas depois de tanta caminhada, com o cair do dia seu estômago emitia roncos dignos de um Devil Eater. Até então, o comportamento da cipher pol. parecia completamente normal. Ela estava de braços cruzados, quase jogada sob o encosto de seu assento, com uma expressão nada entusiasmada. Seus olhos passeavam pelo ambiente, por vezes.

 

Na parede à esquerda do rapaz, um pequeno grupo musical se apresentava. Dada a clara ambientação medieval, estavam todos caracterizados como bardos, tocando instrumentos antigos e músicas típicas. A frente do rapaz e a esquerda da entrada, o barman diligentemente passava pano em algumas canecas enquanto conversava com dois sujeitos de bruços no balcão.

 

Havia também outras pessoas sentadas em algumas mesas aqui e ali no interior do salão. Dado o naipe do lugar, nem todos eram pessoas “normais”. Muitos dos que comiam e bebiam ali portavam armas brancas ou armas de fogo em suas cinturas. Uma das figuras mais incomuns no local sem dúvidas era Primrose, que estava de pé adiante de um quadro preso à parede que ficava a direita de onde Kobayashi estava sentado. 

 

Naturalmente, não se conheciam. A garota tinha acabado de entrar e ido diretamente para o quadro, onde estavam pendurados cartazes com ofertas de missões remuneradas ou recompensas por criminosos. Como era de conhecimento de qualquer caçador na região, quanto mais bem paga a missão, mais difícil ela era. Por isso, os caçadores procuravam melhorar suas habilidades e equipamentos para que gradativamente subissem até o nível das ofertas mais bem remuneradas.

 

As missões oferecidas eram diversas. Dentre elas, nenhuma parecia estar sequer perto da faixa de dificuldade que Primrose estava acostumada a lidar. Aquelas que possuíam as recompensas mais próximas com a faixa que a garota costumava enfrentar eram: lidar com bestas que emergindo das redes de caverna da ilha e destruindo algumas vilas agrícolas; capturar uma quantidade específica de uma certa espécie que habitavam as cavernas; escoltar o contratante através de uma região bastante assolada por monstros. Dentre as recompensas por indivíduos vivos ou mortos, haviam três que estavam razoavelmente próximas da faixa da garota: uma rechonchuda, chamada de Natália, conhecida na região por “Estelionatália” devido à natureza de seus crimes; um careca, de nome desconhecido, mas conhecido popularmente como “Jalim Rabei”, cuja natureza dos crimes, a princípio, parecia ser sexual; por fim, uma okama conhecida por “Madame Betty Rivotril”, notória pelo contrabando de medicamentos e drogas ilícitas. Naturalmente, Primrose não os conhecia, mas com certeza eram bastante mal encarados.

 

Apesar de estar quase perto do seu nível, Primrose também sabia que o barman não simplesmente deixaria que tomasse um daqueles cartazes sozinha. Afinal, a política local era de que havia apenas um cartaz por trabalho e, quem quer pegasse primeiro, tinha a exclusividade de tentar completar a missão ou captura. E, quanto a isso, havia um certo controle de qualidade dos caçadores em relação à dificuldade da missão. Do contrário, os trabalhos demorariam muito a ser concluídos e os contratantes mudariam de estabelecimento.

 

***

 

@ryu-ryu @Hemurin

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An eye for an eye   ***   3º Turno ***   Ao que Prim sacou sou caderninho, os homens do seu lado do balcão novamente contraíram o cenho em estranheza. Porém, por razões além de sua compreensão e controle, a lacrada da garota acabou saindo em um tom muito diferente do que havia planejado. Os dois imediatamente elevaram as sobrancelhas, meio surpresos com o rumo que aquilo tinha tomado. O barman apenas bufou, meio que desistindo de tentar ser razoável. Com a mão

An eye for an eye   ***   7º Turno   ***   Devido à máscara, não dava para interpretar exatamente quais eram os pensamentos do Ás de Ouros. Seria interesse em Kobayashi? Alguma piadinha discreta? De qualquer forma, Kobayashi havia interpretado como algum tipo de deboche e Kobayashi reagiu, bem… Como um Kobayashi reagiria naquela situação. Levando à mão onde estaria a sua boca na máscara, o Ás deu algumas risadas bem discretas. No entanto, quase que imediat

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Posted (edited)

Recém-chegada em Sôhmires e, até então, sem pista alguma sobre o local que foi um trauma do seu passado, Primrose continuava com seu objetivo de conseguir mais informações, fuçando o máximo que podia dos lugares por onde passava. Toda a ambientação medieval do reino poderia transportar qualquer um para o século anterior, mas a mulher não parou para apreciar ou absorver aquela vibe, seguindo rápido como uma bala até a taberna onde funcionava a agência da Spades. A caçadora de recompensas nem ao menos agradeceu pela carona que recebeu até Vahlor Island, e muito menos se sentiu mal por isso. Assim que chegou na entrada do estabelecimento, a loira fez a primeira pausa da sua caminhada-quase-corrida unicamente para registrar a situação em seu pequeno caderno de anotações:

 

- Manhã. Sôhmires. Entrando na taberta dos Spades. - Primrose falava baixinho enquanto escrevia de forma bem objetiva, ouvindo o som de música e conversas. Antes de passar pela porta, a mulher fechou o caderninho com um sonoro *TAP* e guardou-o novamente em suas vestes.  

 

A bodega era um local fracamente iluminado, mas com um certo ar de graça e aconchego, mostrando-se bem diferente das expectativas criadas por ela - ainda mais porque contava com uma apresentação bem animada (e quadris não mentem). Aproveitando que as atenções estavam voltadas para o show particular e ignorando os poucos olhares que recebeu com sua aparição, a mulher posicionou-se diretamente em frente ao quadro com as missões e cartazes de procurados, buscando inicialmente algo que envolvesse desaparecimento de crianças e adolescentes, que ela imaginava estar minimamente relacionado com a ilha não localizada.

 

Analisando o quadro por um tempo, Rose não deixou de notar que recebia olhares periódicos do barman, que pelo seu notável interesse e olhar de desafio, parecia ser o responsável por direcionar as missões - ainda mais porque aparentava estar secando o mesmo cálice por mais de 10 minutos. Com um último olhar para confirmar a ausência de casos que despertassem o seu interesse de imediato, a garota parou os olhos num cartaz de um tal de Jalim Rabei. Pelo visto, ela teria que fazer alguma missão apenas para pagar a viagem até a próxima ilha, ou explorar os outros reinos em busca de eventos mais suspeitos.

 

Vagando seu olhar pela taverna, a coisa mais interessante de fato era a apresentação dos bardos, uma vez que não achou ninguém com chifres, rabão de peixe ou duas cabeças - ainda mais por conta da iluminação do local. Levando em conta que o quadro não ajudou com o que buscava, ela guardou a imagem do careca lustrosa do Jalim na cabeça e aproveitou que já estava perto do horário do almoço para se aproximar do balcão, ignorando os dois homens que estavam apoiados nele e falando pela primeira vez desde que tinha entrado no local.

 

- Estou no balcão. infelizmente, sua tendência em declarar algumas coisas óbvias permanecia. - Ei, olhos azuis, há algum caso de desaparecimento de crianças por aqui? - a caçadora encararia os olhos do homem aguardando uma resposta. - Aaa, e tem algo pra comer aí?

Edited by Hemurin
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Os dias passaram rápidos demais.
 

Muita coisa aconteceu desde que o problema em gardênia acabou, tanto que se eu fosse listar tudo pela minha perspectiva não iria sobrar espaço para o que estava acontecendo agora. Sendo assim, deixaria essa história para contar uma outra hora; quem sabe para minha kouhai, Claire, quando estivéssemos com tempo para conversar.

Claire que, por sinal, tornou-se uma aluna exemplar desde que a conheci. Ela abandonou por completo sua antiga escola “Cipher Pol” e agora era uma exemplar Spades! Pelo menos ao meu ponto de vista. Haviam muitos que ainda olhavam torto para, mas eu rapidamente resolvia com um belo soco para endireitar tais olhares.
 

De qualquer forma, são águas passadas e problemas que não são dignos da minha real preocupação pela forma que eu poderia resolver rapidamente.
 

O que estava realmente me preocupando naquele momento era a fome que eu sentia. Como sempre, Claire não ligava para o que acontecia e nem agia se eu não dissesse para agir – pelo menos não até então, o que significava que ela não iria ser uma boa kouhai que iria até o balcão pedir comida para o seu faminto senpai.
 

Com um suspiro, levantei da cadeira após entregar um rápido olhar de "guentaí que já volto”  para a mulher, indo direto para o balcão. De alguma forma toda a animação daquela taberna parecia apenas aumentar ainda mais a fome que eu sentia, como se a música dos bardos estivesse buffada propositalmente para aumentar o apetite dos clientes.
 

- Korrrrra, maldito barman. O rango dessa taberna vai demorar muito pra sair ou eu posso começar comendo todo mundo aqui na porrada? – Indaguei em alto e bom som para que todos me ouvissem, tomando espaço entre todos que estivessem próximos sem me importar se estaria os empurrando ou não.
 

Sendo bem sincero eu não gostava de brigar com a barriga vazia, mas eu também não iria negar um aperitivo antes que pudesse me entupir com um bom rango.

Edited by ryu-ryu
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An eye for an eye

 

***

 

 Turno

***

 

De longe, por si só a presença de Primrose já era capaz de atrair bastantes olhares. O fato de ser uma cara nova e ter se dirigido para o quadro de recompensas indicava que, além de estar armada, era uma nova competição. Aliado ao seu comportamento um tanto incomum, a cereja do bolo, criavam uma figura e tanto. Naturalmente, o barman acompanhou-a com o olhar conforme aproximou-se do quadro. Percebeu que havia arrancado um dos cartazes, afinal era responsável por supervisionar as ofertas. Nisso, os bardos iniciaram uma nova música.

 

 

Tanto o barman quanto os dois caçadores que atendia ficaram bastante confusos com a primeira declaração da mulher. Os caçadores trocaram um olhar confuso, um deles agitando sua cabeça, como se perguntasse se seu comparsa havia entendido a saudação. O comparsa estava tão confuso quanto os outros dois, porém a atenção dos três logo foi facilmente capturada pelas falas seguintes de Prim.

 

- Hmpf… - ele bufou, aparentemente um pouco irritado com a audácia da garota, porém ainda sem ver motivos para tratar mal a novata - Primeiro, garota, você tem que me perguntar sobre o cartaz que acabou de pegar - prosseguiu, um pouco ranzinza pela chegada dela - Segundo, ainda que perguntasse, eu te diria que você é muito nova para pegar um trabalho desses - cruzou os braços, após terminar de polir uma caneca e jogar o pano sobre o ombro - Ninguém aqui te conhece o suficiente para dizer se você conseguiria completar o trabalho ou só atrasar a vida do contratante - prosseguiu, lançando um olhar de cima a baixo à garota, que acaba um tanto convencidinha demais - A situação mudaria um pouco se você arrumasse alguém mais conhecido para dar uma garantia maior no trabalho - prosseguiu, torcendo a boca em um tom meio esnobe - Hmm… - ele balbuciou, levando a mão ao queixo, após as perguntas de Primrose - Vamos fazer o seguinte: enquanto você não resolve essa situação, devolva o cartaz e espere pelo especial do dia? - terminou, cruzando os braços novamente e cerrando os olhos sob a garota, após apontar para o mural.

 

Do outro lado do bar, Claire mantinha-se conforme sua aparência de Camille Gótica: era a cara do desânimo e falta de entusiasmo. Fria e calculadora como era - quase uma Peaky Blinder -, não conseguia compreender o motivo das ações de Kobayashi. Àquela altura da viagem, já havia se acostumado e aprendido a não questionar. Mas certas coisas até mesmo ela não conseguia se conter em comentar.

 

- Mas você nem pediu nada ainda… - disse ela, jogada sob o encosto de braços cruzados, contraindo levemente o cenho, mas logo voltando ao semblante de cansada.

 

Àquela altura, o barman, que havia acabado de fazer sua proposta a Prim, apenas voltou o olhar elevando a sobrancelha para o grito que conseguiu sobrepor até mesmo os bardos que tocavam ali. Os dois caçadores sentados ao bar olharam-se fixamente, certos de que os caçadores daquela região eram todos doidos. 

 

- Bom, parece que serão mais 3 especiais do dia - disse ele, olhando para a mesa de duas pessoas, onde Kobayashi bradava como um bárbaro por comida.

 

Ele não demorou para se enfiar nos fundos do bar, através de uma porta atrás do balcão à esquerda. Aparentava querer buscar informações acerca de crianças desaparecidas, mas na realidade a pressa se devia à segunda parte da fala de Kobayashi. Os caçadores que descansavam por ali não eram exatamente do tipo bem encarado. Alguns aproximaram suas mãos do cabo de suas espadas e outros dos coldres de suas pistolas. Apesar da ameaça de Kobayashi - que poderia não ser séria, mas o pessoal não sabia o que pensar -, os caçadores no geral eram adeptos da filosofia de não atacar primeiro. No entanto, não se mostrariam indefesos.

 

***

 

@Hemurin @ryu-ryu

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Primrose encarou bem o barman, que ela nem sabia o nome, enquanto recebia uma negativa sobre tudo, exceto o prato de comida. Pensando seriamente entre sacar as pistolas e meter tiro pra tudo quanto é lado ou ignorar tudo, comer e voltar a questionar sobre o cartaz como se nada tivesse acontecido, a garota pegou o caderninho das vestes e fez o próximo registro.

 

- Tsc... Machista. - já pronta para escrever, ela falava baixinho, ainda que fosse possível ser ouvida. - Quase almoço. Taberna. Barman machista não me deu informações e quer brigar por causa de um cart-----------...

 

O resto da palavra se perdeu em um rabisco descontrolado por conta de um leve empurra-empurra que seguiu em efeito dominó pelas pessoas no balcão com a chegada do megafone humano - um rapaz de aparência doentia, de olhos vermelhos e pálido como leite, sem medo de gritar e morrer. Focada em escrever, a mulher nem percebeu que a aproximação do marginal no balcão que causou a cadeia de empurrões, e, sem nem levantar o rosto, estendeu o braço para devolver o empurrão no individuo que estava do seu lado. Apesar do movimento e palavra que poderia mostrar certa agressividade, sua voz e expressão mantinham uma plena indiferença.

 

- Respeita meu espaço e não me empurra, nojento. - decidindo por um caminho mais pacífico, uma vez que queria informações, a garota sentou no banco e gritou para o barman que tinha sumido. - APROVEITA QUE TÁ AÍ DENTRO PRA PERGUNTAR SE ALGUÉM SABE SE TEM ALGUM CASO DE CRIANÇA DESAPARECIDA POR AQUI! VOU FICAR ESPERANDO COM O CARTAZ.

 

Não restando mais nada pra fazer além de esperar, Primrose prepararia a munição das suas pistolas. Para isso, ela pegaria o copo vazio mais próximo (se tivesse sendo usado, soltaria um descarado "Já que você não está usando..." e pegaria assim mesmo) e cuspiria dentro. No entanto, no lugar de bala, o objetivo era cuspir a munição feita pela sua akuma no mi. Com as 12 balas de mercúrio no copo, ela recarregaria as armas depois.

 

 

Edited by Hemurin
Errinho no terceiro parágrafo ;_;
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A resposta do barman foi o suficiente para conter a minha leve irritação pela demora da comida. Fingi que não ouvi o que a Claire disse já que eu jamais iria cometer o erro bobo de não ter feito o pedido do rango assim que entramos lá, estando satisfeito que finalmente iria por comida no bucho. Com um sorriso sacana no rosto, observei todos os outros alunos daquele bar da Spades me encarando mal como se quisessem ser meus aperitivos antes do prato principal e retornaria para a minha mesa tranquilamente se não aquilo não tivesse acontecido.
 

Um dos caras sentado próximo ao bar acabou me dando um leve empurrão que me emputeceu na hora, fazendo com que eu imediatamente fechasse o punho pronto para apresenta-lo ao rosto do infeliz – mas então eu percebi que, assim como eu, ele foi empurrado também. Pela expressão que ele fez seguida dos outros ao lado dele que também apresentavam a mesma, eu pude concluir que quem começou aquilo fora a última pessoa no fim do balcão ao oposto de onde eu estava.
 

Coloquei minhas mãos no bolso da minha calça e comecei uma caminhada simples mas esmagadora até a última pessoa sentada no balcão, a qual era uma mulher magricela de cabelo curto e expressão fechada – que inclusive não parecia ter educação por ter acabado de cuspir dentro de um copo em pleno lugar de alimentação. Com o pé, girei seu banco para que ela ficasse de frente pra mim, inclinando um pouco meu tronco pra frente em uma clássica pose de delinquente.
 

- Você... Sabe quem eu sou, kuso onna?
 

Iniciei a frase calmamente, olhando diretamente nos olhos delas por alguns segundos. Por mais puto que eu tivesse naquele momento, parecia que eu conhecia aquela mulher de algum lugar. Como se eu já tivesse conversado com ela ou algo do tipo, mas era difícil de lembrar agora devido ao fato de que eu conheci muitas pessoas desde que entrei na escola Spades e principalmente pelo fato de estar puto com ela ter me empurrado mesmo que indiretamente.
 

Dito isso, só havia uma coisa que eu podia fazer.

Me afastei da mulher erguendo minha mão direita pra cima, inflando-a rapidamente então explodindo. Meu intuito era não só fazer com que os bardos parassem de tocar a música como que todos ali sem exceções ouvissem quem eu era.

 

Muita coisa havia aconteceu depois de Gardênia e eu nunca mais deixaria pensarem nem um segundo que eu era fraco novamente.
 

- EU ME CHAMO KOBAYASHI, O REPRESENTANTE DA CLASSE ROYAL SPADES - REI DE ESPADAS! COM QUE CULHÕES VOCÊ ACHA QUE PODE ME EMPURRAR E SAIR IMPUNE, HÃÃÃÃÃÃN?!?!?!? – Bradei pondo a mão que explodi segundos atrás sobre a minha faixa de representante escolar enquanto a encrava, dando a ela uma colher de chá para que ela pudesse responder só pelo fato de eu sentir que já a conhecia de algum lugar. Dependendo da sua resposta eu poderia acabar a levando para fora do bar até um beco deserto a força para ensiná-la uma lição, então cabia a ela escolher bem as palavras que iria usar.
 

Desde que me tornei mais importante dentro da escola o meu lado delinquente acabou tomando mais conta de mim do que eu gostaria. A diferença é que eu não o negava mais, eu o aceitei e decidi domá-lo. Isso consistia em falar como um, mas nunca agir. As vezes. De qualquer forma, minha cabeça estava quente naquele momento. Haviam diversas situações que me fariam acalmar incluindo a própria Claire, mas eu não esperava que ela fosse intervir – até porque eu nunca a vi intervir em nada que eu não pedisse sua ajuda.

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An eye for an eye

 

***

 

 Turno

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Ao que Prim sacou sou caderninho, os homens do seu lado do balcão novamente contraíram o cenho em estranheza. Porém, por razões além de sua compreensão e controle, a lacrada da garota acabou saindo em um tom muito diferente do que havia planejado. Os dois imediatamente elevaram as sobrancelhas, meio surpresos com o rumo que aquilo tinha tomado. O barman apenas bufou, meio que desistindo de tentar ser razoável. Com a mão colada à face, tentou manter a compostura. Resmungando, atravessou a porta à sua esquerda, desaparecendo em questão de instantes.

 

A situação na bancada logo esquentou com a chegada um tanto desbocada de Kobayashi. Primrose claramente não gostou nem um pouco de ser empurrada e, após dizê-lo para o representante de sala, lançou um grito na direção da porta aberta atrás do balcão. No entanto, acabou não ouvindo nenhuma resposta, já que o homem parecia estar um tanto distante àquela altura. Em seguida, identificou o copo vazio mais próximo, à sua esquerda, de um dos homens que eram atendidos pelo barman antes de sua chegada.

 

- Hey! - o homem encapuzado imediatamente bradou, olhando feio para a garota. 

 

Ele parecia prestes a sacar alguma coisa do interior de suas vestes, porém Kobayashi interrompeu na hora. Quase numa espécie de kabedon, acabou conseguindo encurralar Rose contra o balcão, perguntando se sabia quem ele era. Contudo, antes que ela sequer pudesse responder, o rapaz acabou decidindo apresentar-se de qualquer forma. Conforme o esperado, a explosão de seu punho imediatamente paralisou todas as atividades paralelas que aconteciam no bar. Os bardos arregalaram-lhe os olhos, numa expressão assustada, enquanto a guarda dos diversos caçadores no bar se elevaram mais ainda. Alguns deles já estavam até mesmo de pé, prontos para sacar suas armas.

 

Com a apresentação subsequente, principalmente na parte que tocou sua patente Spades, uma boa parte dos caçadores pareceu desistir da situação. Kobayashi era relativamente famoso, não apenas por sua patente e seus feitos em algumas grandes missões da Spades, mas também por seu comportamento… Incomum. Ao realizarem de quem se tratava, a maioria simplesmente balbuciou irritada pela perda de tempo, voltando ao seus afazeres. Ainda sentada na mesa, de braços cruzados e num estado de absoluto desentusiasmo, Claire revirou os olhos diante daquela gritaria. Conhecendo a peça, acabou optando por fazer o mesmo que a maioria dos caçadores: cuidar da própria vida.

 

- QUE PORRA DE BARULHEIRA É ESSA AI?! - ele surgiu pela porta atrás do balcão, putaralhaço pela bagunça que Kobayashi estava causando - Rei de Espadas ou não, moleque, se causar problemas você vai se ver com os diretores do reino - ele disse, aproximando-se do balcão, colocando o paninho sob o ombro - OU PIOR: COMIGO! - continuou, batendo as duas mãos no balcão - Agora, vá sentar e esperar sua comida, pianinho, antes que eu chute sua bunda com força pra fora daqui - deu o ultimato, olhando fixo para Kobayashi.

 

Uma parte dos caçadores pareceu bastante surpresa com o comportamento do barman. Ele com certeza não parecia intimidado com a patente do representante de classe, muito menos com sua força, já um tanto notória dentre os Spades. Pela reação dos demais caçadores, aliás, o comportamento do homem parecia ter sido a gota d’água definitiva para que desistissem daquela treta e voltassem a ficar quietinhos em seu lugar. Não à toa, já que a aura do barman parecia bastante ameaçadora, até mesmo para o jovem Koba.

 

***

 

@Hemurin @ryu-ryu

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A aproximação do quase-slenderman-não-careca-de-olhos-vermelhos fez Rose endurecer a sua expressão. Enquanto ele falava naquele tom de marginalzinho superior, escolhendo uma investida claramente intimidadora, algo nele parecia bem familiar. Os gritos, a busca por atenção, a autopromoção - o empurrão havia ferido o ego do homem. Ela o avaliou por um tempo, mas não conseguiu distinguir aquele rosto, então foi direto ao ponto que estava incomodando.

 

- Você está perto demais, Rei de Espadas. - uma declaração desnecessária, visto que os dois estavam quase colados. - Você que me empurrou primeiro, apenas devolvi o favor. - Em seguida, ela virou o rosto e cuspiu uma bala na mão, colocando no cilindro do revolver, querendo aproveitar que a investida do homem o deixou com o pescoço bem aparente, um lugar perfeito para pressionar o cano da sua arma e forçar um afastamento.

 

Com os gritos de um barman furioso pra um c#ralh0, esse movimento não foi necessário. Então, ela apenas usou a posição meio torta para alcançar o balcão de costas e se sentar nele, encarando o homem quase do mesmo nível. Com um misto de irritação e curiosidade, ela voltou a carregar os revolveres e aproveitou a informação que conseguiu sem causar dor a ninguém. Desviando levemente o olhar do engraçadinho para o barman que agora estava às suas costas, suas próximas palavras traziam um certo ar de graça.

 

- Ei, barman, parece que estamos resolvidos. Você pediu alguém mais conhecido e estou aqui com Kobayashi, o Rei de Espadas. Então vamos conversar sobre negócios agora, sim? - com um braço ela apontava a arma indicando o tal "parceiro", e com o outro, mostrava o cartaz de Jalim. - Escreve aí no livrinho que Primrose vai meter bala nesse tal Jalim careca.

 

Com fome, a caçadora de recompensas voltou a avaliar o balcão. Ela estava surpresa que as pessoas se assustassem com esse tipo de situação. Naquela altura do campeonato, parecia até que nunca tinham visto algo parecido naquele lugar - essa cidade seria pacata o suficiente para isso? Continuou vagando o olhar, e caso encontrasse um prato de comida que ainda não tivesse sido comido, perguntaria:

 

- Você vai comer isso? - a provável resposta que receberia era a pessoa puxar a comida para mais perto, tendo em vista que ela já havia dado indícios que pegaria sem permissão, como o copo vazio do outro homem. Com um suspiro, ela voltaria para o comportamento de escrever no seu diário, que carregava desde jovem. - Ainda na taberna, sem almoço. Alvo 1: Jalim Rabei. Provável parceiro: Rei de Espadas. Recompensa? - com essa dúvida, ela voltaria o olhar para o barman, arqueando as sobrancelhas na tentativa de que ele desembuchasse logo o assunto.

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Aquela sensação era a melhor do mundo.
 

Após explodir minha mão e bradar meu nome, diversos alunos se levantaram e ficarem em modo de batalha prontos para brigarem comigo. Um sorriso de animação surgiu em meu rosto, mas eu tive que me acalmar. Apesar de querer muito, todos ali eram meus companheiros de escola e eu havia aprendido que lutar contra eles não traria nada de bom pra turma. A não ser que fosse uma luta de treinamento, aí era outra história, mas como eu só estava intimidando-os não iria ser algo desse nível.
 

Minha apresentação explosiva não só fez com que todos soubessem quem eu era como fez com que o barman retornasse da cozinha também, que era um dos meus objetivos com aquilo. Eu iria perguntar diretamente pra ele a demora em servir comida para provar pra Claire que eu não tinha esquecido de fazer o meu pedido quando ele tocou em um assunto extremamente sério:

Os Diretores do Reino.

 

Antes de desembarcar naquela ilha eu estudei sobre ela. Ao que parecia, ela era divida entre três reinos principais, as quais tinham suas devidas escolas. Isso não é algo normal, como uma ilha possui três escolas diferentes? Eles querem que o lugar seja uma zona de guerra com diferentes delinquentes tentando tomar zonas para si mesmo? Foi então que fiquei surpreso em saber que não havia guerra, as três partes viviam de boa cada uma em seu pedaço e isso era imperdoável. Como diabos a Spades pretende expandir seu território permitindo que outras duas escolas se estabelecessem ao seu lado? Foi aí que a minha vontade de vir resolver esse problema só aumentou. Se ninguém tinha força o suficiente para vir dominar as outras duas escolas, eu faria isso. Eu não era o Representante da Classe sem um motivo. Problemas escolares eram a minha missão principal e eu iria conquistar as outras duas escolas para mim.
 

Mas, para isso, eu iria precisar derrotar os Diretores dos outros dois reinos – e para chegar até eles eu precisaria primeiro chegar aos Diretores do Reino da escola dos Spades. Em suma, tinha muito chão pela frente ainda, então não pegaria bem pra mim ser visto mal pelos Diretores do Reino agora.
 

Em um sono TSC, cruzei meus braços atrás da minha cabeça e comecei a voltar para a minha mesa, e nesse momento a mulher que havia me empurrado mais cedo começou a falar asneiras dizendo que eu a empurrei blá blá blá; Ela pareceu não entender que o espaço daquele lugar pertencia a mim, tanto que chegou ao ponto de dizer que estávamos juntos como se eu fosse a ajuda-la a caçar um zé ninguém com recompensa sobre sua cabeça.
 

- Você tá bem da cabeça, kuso onna?

Indaguei a ela realmente um pouco preocupado já que ela não parecia bater bem das bolas, tanto que até me senti mal por ter pensado a alguns segundos atrás em dar uma lição nela. Aquela sensação de conhecer ela continuava me irritando, tanto que peguei o cartaz da mão dela para olhar melhor o “procurado” que ela parecia estar interessada.
 

- Tsc, levanta aí. Bora sentar pra conversar ali. – Disse sem apontar exatamente onde era o local, apenas comecei a retornar para a mesa onde Claire estava.
 

Durante o percurso, olhei para os bardos novamente dando um leve sorriso gentil para eles que claramente poderia ser lido como “podem voltar a tocar suas músicas ou eu mato vocês, malditos”, chegando em minha mesa. Sentei e entreguei o cartaz a Claire, puxando um prato com pequenas entradas aleatória salgadas e doces para a direção da mulher magricela dando-a entender para que se servisse.

-
Você conhece esse delinquente aí, Claire? A esfomeada aqui parece ter algo contra ele já que teve a audácia de dizer que eu a ajudaria a capturá-lo, então se você souber de algo ajudaria. Não acho que o maldito do barman vá dar tanta informação útil assim, então...

Dito isso, passei a ponderar a mulher novamente. Se tinha uma coisa que me deixava puto (dentre o mar delas) era tentar lembrar de algo e não conseguir. Não se lembrar de algo era só a prova de que você não havia estudado o suficiente para a prova do fim de semestre e isso era imperdoável. Como aluno, seu único objetivo é estudar e estudar, se você não lembrar de tudo o que estudou isso só prova que você não levou os estudos a sério. E isso, claro, me deixava puto também.
 

- Eu te conheço de algum lugar, kuso onna? Essa expressão séria e esse corpo magro sem atração alguma me é familiar de algum lugar. Por acaso eu já te ajudei a cair na porrada alguns anos atrás com uns moleques que te chamavam de menino? – Indaguei a ela forçando a minha mente a trabalhar, tentando enfim chegar a resposta de quem era aquela pessoa.

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An eye for an eye

 

***

 

 Turno

***

 

Puto há pouco tempo, o barman acabou inicialmente lançando um olhar um tanto fulminante contra a garota. Porém, logo que entendeu o conteúdo da fala da garota, sua expressão mudou. Revirando os olhos, ainda um tanto irritado, assentiu várias vezes com a cabeça, voltando para a porta de onde havia saído.

 

- Tá… Tá, já volto pra fechar o negócio - finalizou, sumindo através da porta.

 

Esfomeada, indagou se um dos caçadores próximos dela ainda iria terminar seu preto. Conforme esperado, os caçadores ao seu lado prontamente puxaram suas comidas, prontos para defendê-las. Sem ter muito como resolver sua fome, por ora a garota acabou voltando às suas anotações.

 

Inicialmente, Kobayashi não pareceu concordar muito com a proposta unilateral. No entanto, ele parecia estar disposto a conversar e, por isso, chamou Primrose para sentar em sua mesa com Claire. Seu olhar para os bardos foi suficiente para que eles rapidamente voltassem a tocar mais algum sucesso medieval.

 

Spoiler

 

 

 

Enquanto isso, um garçom saia da porta por onde o barman havia entrado mais cedo. Sobre sua bandeja haviam três pratos de comida e ele claramente se dirigia mirando a mesa dos três. Até então, garota sentada na mesa estivera bastante tranquila em seu calmo mundo interior. No entanto, a voz de Kobayashi parecia ser extremamente eficiente em puxá-la para fora dessa placidez. Revirando os olhos, de braços cruzados, acabou optando por ver logo do que se tratava, já que era mais fácil do que dizer não e o garoto acabar fazendo mais barulho.

 

- Nunca nem vi - disse seca, checando suas unhas logo em seguida e voltando a cuidar da sua própria vida.

 

Logo que o prato foi colocado adiante de si, elegantemente alcançou os talheres e começou a comer. Estava com bastante fome, porém tinha modos. Comia devagar e com garfadas pequenas, sem dobrar a coluna na direção do prato, como se quisesse meter a cara na comida para facilitar as coisas.

 

Na medida do possível, tudo parecia ter voltado à normalidade. No entanto, porque a música havia voltado a tocar sob o pedido “amigável” de Kobayashi, ninguém no salão acabou ouvindo o toque semelhante ao de um telefone que veio dos fundos uns bons minutos depois. Com o cenho contraído em estranheza, o barman alcançou o botão do dispositivo que nunca havia atendido desde que começou a trabalhar ali. Seus olhos se arregalaram ao que uma figura holográfica com voz surgiu diante de si. O conteúdo de sua fala certamente parecia ser preocupante.

 

Após algum bom tempo, o barman ressurgiu da porta atrás do balcão. Com os dedos na boca, deu um assobio que fez os bardos instantaneamente cessarem sua música.

 

- Missão de Emergência!! Marinheiros estão se aproximando da ilha! - disse o barman à beira da porta, com um semblante um tanto assustado - A Spades cobrirá todas as recompensas. Aquele que estiverem dispostos à missão, levantem a mão - prosseguiu, apreensivo, varrendo o salão inteiro com o olhar.

 

Àquela altura, Claire, que por sua vez havia demorado bastante para comer, já estava livre de sua fome. Ainda com uma suposta expressão de pouco entusiasmo, ela olhou de canto para o barman e, antes que qualquer um dos outros dois na mesa pudessem fazer qualquer coisa, subitamente levantou sua mão. Tirando uma caderneta de dentro de seu avental, o barman começou a anotar as identificações daqueles que haviam levantado sua mão, inclusive Claire a qual já havia sido varrida por seu olhar. Não à toa, praticamente todo o salão havia se oferecido para a missão, já que ela supostamente pagaria melhor do que qualquer recompensa que pudessem pegar no quadro.

 

***

 

@Hemurin @ryu-ryu

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Feliz após o barman perder a carranca e concordar com algo pela primeira desde que chegou, Primrose terminava as anotações da sua próxima missão. Estava tão focada nisso que nem entendeu quando Kobayashi questionou sobre a sua sanidade mental, soltando um vago e sonoro "Hmm?". A caçadora continuava com a sensação de que o rosto daquele delinquente rank alto na Spades era familiar, guardando novamente suas anotações e seguindo-o até a mesa.

 

- Tenho a impressão que já vi essa sua cara estranha em algum lugar... Não foi você que me deu uma carona pra cá, né? Hmm, acho que não... Você é de orfanato, por acaso? - Chegando na mesa, a mulher voltou sua atenção pra tentar conseguir uma cadeira, encarando uma mulher que parecia entediada só de existir. - Ei, você vai continuar sentada aí? Eu quero sentar.

 

Dificilmente a donzela se levantaria - isso se ao menos percebesse que Rose estava falando com ela. Então procuraria uma cadeira com alguém que tivesse acabado de levantar ou se sentando (mesmo que fosse no meio do movimento) e se posicionaria de costas para a mulher que olhava as unhas, sem nem perceber que ela estava acompanhando Kobayashi. Caso não encontrasse uma cadeira, ela sentaria na mesa mesmo, ainda de costas para a princesa entediada.

 

- Aah... Você tá com ele é? Parabéns. - Rose comentou quando viu o marginal falar com a mulher pela primeira vez. Então ela se aproximou do rapaz e o encarou bem de pertinho, como se isso fosse ajudar a puxar algo da memória. - Hmmm... Pensando bem, eu lembro de um moleque chamado Kobayashi que vivia roxo de tanto apanhar no orfanato... - Rose se afastou e pegou de novo o seu caderninho, voltando a falar enquanto escrevia. - Almoço. Taberna. Ainda não comi nada. Acho que encontrei com Kobayashi. Se for ele mesmo, continua com a mesma cara de idiota de sempre.

 

Com a chegada da sua comida, a mulher ignorou tudo e todos até devorar o seu prato da forma mais rápida que pudesse - um hábito que se enraizou durante toda a sua infância de escravidão na ilha desconhecida, onde ela só tinha direito a 2 refeições por dia e 10 minutos para aproveitá-la. Ainda que tivesse sido corretamente alimentada no orfanato, o tratamento da comida como algo escasso continuou. Saciada, ela cruzou as pernas e voltou a encarar o cartaz que tinha pegado, agora em dúvida se não deveria ter escolhido outra missão, como a da Estelionatália ou da Madame Betty Rivotril. Primrose saiu desse transe após a chamada do barman que mais parecia o chefe da taberna.

 

Não há algo que ela despreze mais do que a marinha, e a simples menção fez a loira contrair o rosto numa expressão de repulsa. O fato de existir parcerias com os piratas e até mesmo caçadores de recompensa mostra que a organização não está nem um pouco preocupada em manter a paz e fazer justiça. O que ela quer é poder, e continuar com ele, custe o que custar - motivo este que a fez ficar anos da sua vida nas mãos da pirataria e da marinha, servindo de escrava e cobaia para sabe-se lá o que.

 

Uma vez que já estava ali, iria aproveitar a oportunidade. Primrose levantou a mão, pronta para ignorar o cartaz do Jalim Rabei e atrapalhar os planos da instituição mais corrupta e contraditória que existe. Afinal, ela também poderia arranjar uma desculpa para torturar alguém da marinha e conseguir informações.

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Onde diabos eu tinha ido parar. Onde foi que o grande Kobayashi errou para chegar hoje a estar na mesa de uma taberna esperando por uma comida que ele NÃO esqueceu de pedir acompanhado de uma ex-delinquente entediada e uma possível maluca conhecida do seu passado? Eu mesmo não sabia responder. Certamente haviam escolhas que eu não havia feito certas, mas não era possível que eu merecesse aquele castigo. A minha vontade era de levantar e chamar todo mundo pra cair na porrada namoral sem perdera amizade, mas eu ainda estava com fome e já havia sido ameaçado pelo nome dos Diretores do Reino – então eu realmente só podia aguentar.
 

Nem mesmo a aproximação pra me encarar foi o suficiente pra me fazer querer pegar aquela maldita na porrada. Eu normalmente não levo nem esbarrão sem querer pra casa, mas dessa vez iria deixar passar devido a estar em uma situação complicada. Fora então que ela comentou algo sobre o orfanato de onde eu vim. Não entendi a parte de estar roxo de tanto apanhar já que ninguém nunca me derrotou lá, mas aquela marra em forma de mulher não me era estranho.
 

- ...Rose? – Indaguei após um nome aparecer na aleatoriamente na minha cabeça.
 

Nesse momento a nossa comida finalmente chegou. A possibilidade de eu estar reencontrando alguém da minha infância acabou ficando de lado por alguns segundos já que destruir aquela comida na minha boca e mandar pro meu estômago imediatamente se tornou minha prioridade. A demora acabou se pagando já que o rango estava bom pra caralho, tanto que eu com minha fome do diabo acabei o prato em poucos segundos. E fora durante a alimentação que eu pude ter certeza que conhecia aquela mulher. De todas as crianças e adultos do orfanato ninguém comia de uma forma tão desesperada quanto a Rose, Primrose.
 

- Então você tá viva, maldita? Pelo visto ainda não conseguiu largar esse hábito de comer como se fosse uma esfomeada... É por isso que você não era popular entre os garotos...
 

Na verdade ela até era, mas só quando estava calada lendo ou escrevendo algo. Em todas as outras ocasiões os garotos preferiam só não estar perto dela, diferente de mim que não discriminava ninguém e desafiava todos pra brigar independente do sexo idade tamanho etc. Não esperava que fosse encontrar alguém daquele orfanato em uma taverna aleatória depois de tudo o que aconteceu... Isso é um pouco legal até, de certa forma.
 

Antes que eu pudesse comentar mais sobre o passado, um assobio parou todo o som dos bardos músicos e então uma informação vindo direta do barman rasgou o silêncio formado por todos. Os malditos da escola Marinha estavam se aproximando da ilha e aquilo não podia ser mais perfeito para a ocasião. Eu estava alimentado – apesar de que tinha intenções de repetir mais umas quatro vezes pelo menos – e pronto para uma boa briga.
 

- KAH! A alguns meses atrás eu explodi esses malditos em Gardênia e agora eles estão vindo buscar vingança?! Que desperdício de vida... Barman maldito, cê não precisa fazer uma cara assim tão preocupada. Me diz a direção que eles estão vindo que eu vou lá explodir todos por você em gratidão a ótima comida que cê fez. Em troca, cê prepara mais desse rango pra eu vir almoçar aqui depois de terminar o serviço.
 

Pegando um palito do paliteiro, o coloquei na boca e levantei da mesa. Talvez eu fosse correndo até onde os malditos marinheiros estivessem pra aquecer e chegar lá pronto pro combate, mas talvez ter muita pressa fosse ruim. Seria um problema se eles fugissem se soubessem que eu estava a caminho... De qualquer forma, eu não podia estar mais empolgado para por um pouco de explosão pra fora.
 

- ANIME-SE, CLAIRE! VAMOS FINALMENTE CAIR NUMA BOA PORRADA E COM OS MALDITOS MARINHEIROS AINDA POR CIMA, VOCÊ NÃO TÁ EMPOLGADA?! – Bradei pra garota puxando-a pela mão em direção a porta, apesar de ainda não saber o local exato dos marinheiros.

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An eye for an eye

 

***

 

 Turno

***

 

Muitos foram os caçadores que se pronunciaram afirmativamente diante da missão. Vários, animados com a carnificina bradavam coisas, como “Manda ver!”, “Isso aí” ou demais tipos de comemoração random. O mais incomum em sua resposta certamente teria sido Kobayashi. Talvez até um pouco cringe, já que sua resposta enorme teria fixado a atenção do barman, que freneticamente contava os caçadores, por um tempo comprido demais. Enfim, balançando a cabeça após estranhar um pouco a reação, rapidamente terminou de contar quantos estavam dispostos.

 

- Certo, sigam-me! - bradou mais uma vez, andando firme na direção do pequeno palco circular onde os bardos se apresentavam - Xô, xô, xô vai - prosseguiu balançando a mão adiante do palco.

 

Os músicos atordoados e com medo rapidamente largaram tudo e saíram da frente do barman com cara de puto. Ele então meteu um chute anormalmente forte que jogou o palco para a direita, chocando-o contra algumas mesas e cadeiras vazias. Então, colocando ambas as mãos contra a parede, empurrou-a ao som de alguns pesados mecanismos ocultos. Uma pesada porta dupla não demorou a se revelar. 

 

- Todos Por aqui! Por aqui! - ele prosseguiu, descendo a escada na passagem secreta enquanto fazia sinais com o braço.

 

Junto dele, uma penca de caçadores também começou a descer pela larga e escura escada misteriosa. Todos sentiriam ter descido dezenas metros quando uma porta de aço se tornasse visível ao fim do caminho. Abrindo com alguns toques do barman na pequena interface de senhas na lateral, a porta revelaria uma grande sala tecnológica. Na parede oposta à entrada, um grande telão estava aceso. Nele, uma mulher de olhar afiado e letal esperava pacientemente sua deixa.

 

 

 

 

 Spades's Plain Ace - Ace of Clubs 

Ás Simples da Spades - Ás de Paus

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Nine

Master of Weapons

A Mestra das Armas

 

 

O olhar da ás de paus era um tanto perdido: ela não parecia ser capaz de reagir especificamente a nenhuma das faces surpresas que a fitavam na grande tela luminosa. Nem ela e nem o jovem de cartola extremamente ocupado, que aparecia logo atrás, à esquerda da mulher. Aparentemente, aquela era uma transmissão em massa feita diretamente do QG da Spades em Khórus.

 

- Senhores - de braços cruzados, a mulher sisuda cumprimentou com um leve acenar de cabeça - Recebemos a informação de que uma grande frota Marine está prestes a adentrar as águas de Vahlor Island - ela prosseguiu, gesticulando conforme um pequeno mapa surgiu ao seu lado, mostrando diversos pontos vermelhos chegando por cima e por baixo da ilha - Visto a irresposividade total por parte da frota, a Spades tomou isso como uma declaração de guerra e já estamos tomando as devidas medidas - a imagem do mapa, então, minimizou - Agentes foram enviados à costa norte e sul de Sôhmirs, onde já finalizaram as trincheiras para prevenir o avanço Marine em solo - uma nova janela surgiu, contendo a imagem pouco iluminada de um sujeito munido de equipamentos incomuns.

 

 

 Spades's Plain Ace - Ace of Diamonds 

Ás Simples da Spades - Ás de Ouros

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Leonard von Reinhardt

Megalomaniac Sniper

O Sniper Megalomaníaco

 

 

- Saudações a todos - o novo ás de ouros se pronunciou em tom bastante sério - Conforme Nine explicou, a contenção contra o avanço em solo se deve porque já preparamos medidas de contenção contra um eventual Buster Call - uma nova janela surgiu, ao lado da janela do ás de ouros, contendo uma outra série de pontos vermelhos, um pouco mais distantes que as embarcações marines, em rota de interceptação - Por isso, é certo que a marinha não terá escolha senão um ataque terrestre - o homem de armadura finalizou e a janela com sua imagem desceu para o canto inferior do telão.

 

- Cada supervisor regional estará encarregado de coordenar os grupos de caçadores pelo campo de batalha designado - a ás de paus ressurgiu com sua típica frieza, enquanto o barman mantinha-se de braços cruzados, ao lado do telão, acenando positivamente com a cabeça e observando todos os “soldados” que estavam sob seu comando - Não hesitem em acabar com os marinheiros. Serão bem recompensados por isso. - Nine pendeu a cabeça adiante, escurecendo suas expressões em tom taciturno.

 

- Não podemos deixar que a ilha caia nas mãos da escória do Governo Mundial - do canto da transmissão, com os braços cruzados, Leonard ressurgiu. - A Spades conta com todos vocês - o homem finalizou, cumprimentando levemente com a cabeça.

 

- Theodore - Nine voltou-se para o ciborgue de cartola que estava conectado diretamente a uma espécie de interface logo à esquerda dela - Temos alguma pergunta vinda dos setores? - a mulher indagou firmemente.

 

- Estou averiguando, senhorita Nine - o imediato respondeu, após encontrar seu olhar brevemente com a caçadora.

 

Àquela altura, esmagadora maioria dos caçadores parecia absolutamente tensa. Não à toa, já que se dirigiam ao campo de batalha. Claire, que obviamente tinha testemunhado tudo, parecia um tanto cabisbaixa. Entretanto, sua expressão não era algo que nem de perto lembrasse medo. Como sempre, mantinha-se fria. Porém, dessa vez parecia querer também manter-se discreta.

 

- Vamos lá, senhores! - o barman surgiu em tom firme para que todos na sala escutassem - Sem tempo a perder!! Temos perguntas??!! - bradou, tentando fazer com que os “soldados” acanhados reagissem e repassassem suas perguntas. 

 

A princípio, nenhum dos demais caçadores pareceu se pronunciar. No entanto, o barman ainda parecia sondar todos os rostos em busca de expressões de dúvida ou coisas do tipo.

 

***

 

@Hemurin @ryu-ryu

 

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As coisas naquele bar pareciam escalar rápido demais. A alguns minutos atrás eu estava comendo com uma amiga de infância, enchendo meu peito de lembranças do meu passado e pronto para conversar abertamente com ela sobre tudo o que aconteceu e de repente – como num passe de mágica – eu agora estava numa espécie de subterrâneo tecnologico cheio de alunos da Spades em frente a uma enorme tela onde a Nine e Leo estavam dando instruções sobre o ataque em peso da marinha a ilha onde estávamos.
 

Sinceramente, eu não sabia mais como reagir mais. A alguns segundos atrás eu achava que era no máximo uns três navios dos caras querendo vingança contra o que fizemos em gardênia e do nada parecia que estávamos, novamente, no meio de uma guerra contra a marinha. Não que eu me importasse, só não estava esperando aquele tipo de acontecimento novamente tão... Rápido.
 

- Eu tenho uma pergunta. – Bradei erguendo a mão e dando alguns passos a frente, buscando sair do bolo de Spades.
 

- Aliás, tá mais pra uma confissão... Digo... Em gardênia, alguns meses atrás eu meio que explodi um monte de marinheiro e suas embarcações... Então eles provavelmente descobriram que eu to aqui e vieram atrás de vingança... Então, como eu posso dizer...
 

Como se estivesse me preparando para me desculpar pelo problema que eu causei, ergui meu braço direito pra cima deixando bem claro a minha braçadeira de Representante da Classe e então abri um sorriso confiante no rosto.
 

- SE ALGUM DE VOCÊS MALDITOS SONHAREM EM ROBAR MINHAS PRESAS EU VOU EXPLODIR TODOS JUNTOS, KORRRRRRRRAAAAAAAA!!!!!!! KAH! Mas eu irei ser legal dessa vez, como o número parece ser grande irei deixar se divertirem também. Os marines só podem terem ficado malucos de invadirem a nossa escola no nosso território, então nada mais justo do que ensinarmos a eles com quem estão se metendo. Não há perguntas a serem feitas, só existe o óbvio a se fazer: DESTRUIR TODOS OS MALDITOS ALUNOS DA MARINHA E ENSINAR QUAL É A MELHOR ESCOLA DO MUNDO! – Disse meio que para os cara do telão e pros alunos que estavam naquela reunião. Eu não iria ser cuzão de guardar toda aquela diversão pra mim, pelo menos não dessa vez, então nada mais justo do que dar algumas palavrinhas de animo aos meus colegas de classe.
 

- Quanto a você, Nine... – Virei mais uma vez pra tela, tentando buscar a atenção da mulher que estava mais próxima a uma Diretora de verdade por ser quem mandava naquela porra toda. – O quanto eu seria recompensado caso trouxesse a cabeça da Diretora dos Marinheiros para você? – Indaguei a mulher olhando-a fixamente, preferindo não expressar por hora as inúmeras perguntas escolares que eu tinha a ela.

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Após aceitar a missão, Rose imaginou que tudo fosse ser resolvido levando o grupo diretamente até a marinha, então toda a apresentação que aconteceu a pegou de surpresa. Ela voltou a pegar seu caderninho de anotações para cortar a parte que dizia sobre a missão anterior, uma vez que não iria trabalhar mais nela. Enquanto fazia isso, acabou perdendo de vista o seu parceiro de mesa e companhia, já que antes mesmo de qualquer instrução, eles já estavam correndo para algum lugar. Fechando a diário, levantou-se e largou o cartaz de Jalim em cima da mesa.

 

A passagem secreta aumentou sua curiosidade sobre a Spades, uma vez que a participação de um idiota como Kobayashi, não só como membro, mas como alguém relativamente importante dentro do grupo, havia colocado uma grande interrogação sobre as atividades dessa organização. Parando em frente a passagem, ela sacou uma das armas, virou de frente para quem estava atrás com o dedo indicador apontado e declarou:

 

- Estou atravessando a passagem. Fique de olho nas armadilhas! - falando isso, ela passou de forma lenta e cautelosa.

 

Aparentemente, não havia nada demais além de pessoas descendo uma escada, então ela largou a cautela (que poderia estar gerando certa impaciência, ainda que a caçadora não tivesse tanta certeza já que não estava se importando) e seguiu até dar de cara com um telão que apresentava uma mulher de cabelos prateados, contando sobre uma invasão da marinha e um plano de contenção. A conversa se seguiu de forma rápida, com a apresentação de outros membros (como o Autobot de armadura brilhante) e Primrose quase que não conseguiu anotar os pontos importantes. Pelo menos o contato com outros membros, sérios e relativamente normais, serviu para reduzir o nível de desconfiança que tinha da Spades.

 

Após abrirem para perguntas, ela conseguiu encontrar Kobayashi no meio da multidão. Não foi muito difícil, já que ele mesmo havia chamado a atenção para contar uma história estúpida. Prim o fuzilou com os olhos mais que a própria Nine, tendo a certeza de que o conhecido de infância, além de idiota, tinha algum transtorno sério. Aproveitaria a próxima oportunidade da rodada de perguntas para questionar alguns pontos.

 

- Vou perguntar. Quem são os líderes regionais? Os grupos já estão divididos? Quanto tempo temos? - o objetivo era saber com quem ela se juntaria e começar logo a missão.

 

Ainda que fosse para prejudicar a marinha, a caçadora sentia que não iria ter tempo de coletar informações sobre a ilha que procurava, uma vez que ia deitar na porrada o primeiro que visse. Por isso, aumentava a sensação de que estava perdendo tempo - e precisava recuperar logo o tempo e dinheiro perdidos para chegar até Vahlor Island para apostar no próximo lugar.

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An eye for an eye

 

***

 

 Turno

 

***

 

 

 

Foi só após alguns segundos de delay diante da cena, um tanto repetitiva, que Kobayashi havia criado que o telão deu sinais de reação. Realmente pareciam estar distantes, já que a mensagem claramente demorava um pouco para chegar.

 

- Ehrmm… - o ciborgue limpou sua garganta como força de expressão, já que não havia como ter secreções ali - Nine-sama, parece que o Kobaya… o Kurassu Iinchou está em campo - o ciborgue prosseguiu, com um sorriso meio de nervoso, provavelmente em reação ao pronunciamento do caçador escolar 

 

O dito “autobot”, ao ouvir a alcunha da boca de Theodore, imediatamente pendeu o corpo  adiante. Por mais que procurasse manter-se com postura neutra, certos sinais corporais eram praticamente automáticos. Ao que parecia, ainda mais por se tratar de um conhecido.

 

- Ele quer dizer que… Bom, melhor a senhorita ver por si mesma - o robô retomou, fazendo a tela voar na direção da Nine.

 

Como se houvesse alguma força atraindo a tela holográfica para a palma metálica da mulher, ela facilmente aparou a tela sem nem mesmo ter que tocá-la. Cerrando os olhos, observou a tela que exibia uma gravação da cena que o rapaz havia acabado de causar, junto, claro, com mais um pronunciamento vindo de Primrose.

 

- Quanto à motivação do ataque, também acreditamos estar diretamente ligado aos eventos em Gardênia - fria como sempre, a mulher ressurgiu ao fim das últimas vozezinhas vindas da tela holográfica - Porém, acreditamos que um ato de vingança descuidado desses, apenas por conta de um artefato arqueológico roubado, não seja exatamente o perfil do Almirante de Frota - os olhos da mulher afiaram-se ainda mais na direção da câmera que levava imagens até àquele telão - Alguém mais passional deve estar por trás disso. Possivelmente a própria almirante da qual vocês escaparam em Gardênia. Afinal, o Deva não deve ter ficado nada contente com ela - um sorriso ácido e com tons de desprezo momentaneamente se esboçou nas expressões da ás - A cabeça de um almirante, não é? - a ás de paus respondeu a Kobayashi em tom pensativo - Bom, suponho que o suficiente para viver uma vida sem preocupações, já que ainda não há um número exato pela cabeça dela - disse, técnica como sempre.

 

Então, ela alcançou outra tela holográfica para consultar algumas informações. Logo retornou seu olhar para a tela.

 

- Os líderes regionais são Spades de alta patente, geralmente mais experientes, que tomam conta dos postos avançados nas ilhas, como este em que você está - ela prosseguiu, dirigindo suas palavras à novata - Sim, já estão divididos. Existem mais estabelecimentos como estes, cada um com seu fluxo normal de caçadores. Sendo assim, a princípio você responde ao líder que há pouco te recrutou para essa missão - graças ao que mais técnico que as perguntas tinham, a mulher apenas prosseguiu em seu tom robótico habitual.

 

Enquanto isso, o barman lhe lançou um olhar direto, indicando que era a ele quem ela deveria obedecer. Pelo menos, a princípio.

 

- Quanto ao tempo… Theodore, averigue a posição inimiga - finalizou, com cara de pouco entusiasmo.

 

- Sim, senhorita - disse o rapaz robô, rapidamente voltando-se para sua tela e começando a digitar furiosamente - Considerando a velocidade atual do inimigo... - ele iniciou, fazendo surgir novamente os diversos pontos vermelhos da esquadra aproximando-se da ilha.

 

No entanto, ao que os pontos desapareceram - dado o tempo de ir e vir das ondas do radar - seu reaparecimento acabou sendo nada normal. O tom de voz do ciborgue foi de desconcerto. Ele nem conseguiu terminar a frase. Aparentemente, a posição dos inimigos no radar era falsa, e sua real localização já era atracando na ilha. Antes que pudessem se dar conta do que realmente havia acontecido, um alarme começou a soar por toda a ilha.

 

- Mas… Como?! - o ciborgue completou, perplexo.

 

- Maldita Curie - o ás de ouros subitamente se pronunciou, também puxando um teclado de onde estava - Ela camuflou os navios e enviou embarcações com sinais falsos - o ás disse, conforme averiguava diversas colunas flutuantes de texto - Dado o tamanho da frota, uma técnica absurdamente cara para uma vantagem tão… - interrompeu-se, em desgosto.

 

- Aparentemente pífia. Porém, considerando o Buster Call… - Nine ponderou logo em seguida - Apresse-se, Leonard, por favor - a ás de paus dirigiu-se ao de ouros com a voz mais temerosa que lhe era possível, já que não era lá muito expressiva.

 

-  Ordene que desviem todo o poder para os propulsores - Em tom de urgência, o homem estendeu a mão, ordenando pessoas que deveriam estar atrás da câmera - Farei o possível para interromper o bombardeio - o homem finalizou em tom apressado, sumindo da conferência sem nem dizer tchau. 

 

- Senhorita Nine - o ciborgue voltou a falar, dessa vez mais - Confirmando invasão terrestre. Os marinheiros acabaram de chegar às praias através de veículos anfíbios menores. Os navios se mantém em formação de Buster Call, mas sem quaisquer sinais disparos ainda - o ciborgue virou-se para a comandante com um ar de estranheza.

 

A mulher parou por alguns instantes, entretanto a abordagem parecia clara. Se os inimigos estavam em solo, não deveria haver bombardeiros. Pelo menos, não por ora ou nem no campo de batalha. 

 

- A todos os líderes regionais: Avancem imediatamente. Vocês serão coordenados através de seus dispositivos pessoais - Nine voltou-se para os telões, dando o comando a todas as equipes na ilha.

 

Sem hesitar, então, o barman dirigiu-se para a lateral da sala, onde acionou um mecanismo de reconhecimento biométrico com sua palma. Outra porta secreta revelou mais um anexo: dessa vez um corredor ascendente muito mais extenso que aquele por onde haviam vindo. Entre a grande porta e o corredor, claramente uma estrada subterrânea, haviam dois caminhões, capazes de levar a equipe toda, além de alguns veículos de escolta armados.

 

- Aqueles com habilidade de navegação, fiquem de prontidão para pilotar os veículos - deu a ordem, avançando na direção dos mesmos.

 

A conexão com o telão, então, pareceu afunilar na direção de Kobayashi. Àquela altura, Theodore já havia trabalhado para cessar a comunicação com todos os setores, menos aquele.

 

- Quanto a você, Rei de Espadas, está livre para tentar capturar a Almirante. Não que eu recomende tentá-lo, claro - Nine voltou-se especificamente para o rapaz, pendendo a cabeça para ponderar o nível de poder do alvo - De qualquer forma, para você e para seus aliados, tenho uma missão específica. Além de ajudar o líder da sua região conforme ele lhe pedir, quero que cace o imediato da almirante encarregado da face norte - a mulher cruzou os braços, preparando-se para dar mais alguns detalhes - A almirante foi e está sendo bastante cautelosa com essa incursão, por isso ela não deve aparecer em solo - Nine prosseguiu, deixando escapar um quê de desprezo ao se referir à almirante - Nossa inteligência nos informou que, por conta disso, ela encarregou dois Vice-almirantes de cuidarem pessoalmente dos fronts ao norte e ao sul de Sôhmirs - continuou, gesticulando levemente, conforme explicava mais a fundo - Por isso, quero que você cace e traga a cabeça do oficial encarregado do front norte, para onde seu grupo se dirige. É uma ordem - a mulher voltou seu olhar mortal sobre o Rei de Espadas - Infelizmente, a almirante também foi cautelosa quanto à identidade dos seus imediatos e não temos quaisquer informações acerca do seu alvo - continuou, já em um tom de pouco entusiasmo para com os protocolos que tinha que seguir como comandante - Sendo assim, sua missão é determinar a identidade, a localização do topo da cadeia hierárquica em solo e então executá-lo - então, a caçadora manteve-se atenta à resposta do jovem caçador por alguns segundos antes de desligar a comunicação.

 

Àquela altura, à direita de Kobayashi e Primrose, a maior parte da equipe já havia se acomodado no interior dos caminhões. Enquanto isso, uma parte menor esperava do lado de fora. Tratando-se dos navegadores do grupo, esperavam que o líder regional os designasse para seus devidos veículos. Do lado dos dois, Claire parecia um tanto tentada a entrar na traseira de um dos caminhões e se misturar com a multidão de caçadores. No entanto, daquela vez não parecia muito inclinada em se separar de Kobayashi. A razão para isso, no entanto, ainda era totalmente desconhecida.

 

***

 

@ryu-ryu @Hemurin

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Ver o Leo ficar sem jeito comigo após aquela sua apresentação toda maneirona e pomposa de alguém grande na escola fora uma grande vingança pessoal minha contra ele. O desgraçado em um piscar de olhos havia ido mais longe do que eu mesmo já havia conseguido alcançar na escola, então eu não podia vê-lo de outra forma que não fosse a de um rival. E, claro, fazê-lo ficar sem agir direito na frente da Diretora era uma ótima forma de provocá-lo. Não pude evitar de fazer uma careta pra ele assim que ele olhou pra mim, parando alguns segundos depois após sentir o olhar de Rose me perfurar como uma sequência de socos nas minhas costas.
 

Porém, a resposta que eu recebi de Nine logo em seguida não me agradou muito. A forma que a mulher falara deixou claro que eu receberia uma quantia imensa de dinheiro se trouxesse a cabeça de uma almirante para ela, mas não era isso o que eu queria. É claro que o dinheiro é necessário para as ações escolares, desde o preparamento de festivais até a compra de produtos escolares que era importantíssimo para o funcionamento de uma escola de alta qualidade. Havia também o dinheiro dedicado a cada clube para ajuda-los em suas recreações diárias e por aí vai... Dinheiro era necessário, mas não era isso o que eu buscava dela.
 

- Tsc, poderia ter dito que eu entraria para a lista do próximo Diretor encarregado da escola... – Resmunguei pra mim mesmo cruzando os braços com uma clara expressão de desapontamento.


Após não atender minhas expectativas pessoais, Nine passou a responder as perguntas feitas por Rose que mostrava estar claramente interessada na missão. Pelo o que eu me lembro bem ela uma vez contou algo sobre odiar a marinha, apesar de eu nunca ter entendido muito bem o motivo – isso se ela realmente me explicou em algum momento, já que quando éramos pirralhos a garota não era de conversar muito.
 

Naquele momento eu estava pronto para pular em alguma memória antiga onde o mundo ainda era pequeno para mim e eu só sabia lutar com todo mundo do orfanato quando algo sério começou a rolar. Pelo o que o parecia a marinha já estava mais perto do que imaginávamos e ninguém foi capaz de perceber isso até então... O que era empolgante. Para terem conseguir burlar o sistema de roubos e furtos da nossa escola os cara não eram pouca merda, o que significava que eu encontraria gente forte lá fora.


Chamando-me mais uma vez, uma missão infinitamente mais interessante me fora passada pela mulher. Conforme ela ia falando os detalhes do que eu tinha que fazer, meu desapontamento anterior com ela foi deixando de existir sendo substituído por um claro ar de excitação da minha parte. Ao término de toda a explicação, inflei levemente minhas mãos para chocá-las em uma pequena explosão que apagou minha expressão negativa anterior totalmente – naquele momento, eu, de longe, era o mais empolgado no grupo inteiro ali.


- ORDEM DADA É ORDEM CUMPRIDA, DIRETORA! – Bradei para a mulher deixando claro com aquelas poucas palavras que aquela missão já poderia ser considerada feita.
 

Assim que ela sumiu com seu sorriso de canto de boca, voltei minha atenção a Claire que de alguma forma parecia não estar mais no seu modo ok tanto faz de sempre. Será que a comida do maldito barman estava fazendo mal a ela? Ou aquilo seria apenas nervosismo já que essa seria sua primeira missão oficial como uma aluna da Spades? Ao invés de apenas pensar, havia uma forma mais rápida de descobrir.


- Claire, cê tá bem? Cê precisa ir no banheiro? – Indaguei a mulher inclinando meu corpo um pouco para o lado para olha-la diretamente nos olhos. – Eu sei que essa é a sua primeira missão como uma aluna da Spades e que muita gente duvidava que você iria realmente se tornar uma ex-delinquente, então não a culpo por estar nervosa. Só que ao invés de se preocupar com isso, cê não acha melhor provar que está do nosso lado de uma vez por todas eliminando aqueles maldito da marinha, korra? E não se preocupa, eu vou estar com você. Afinal, fui eu que te trouxe pra esse lado, não foi? Irei me responsabilizar até o final, maldita! - Disse para a mulher sorrindo amigavelmente pra ela, finalizando com dois toquinhos no seu ombro direito.
 

Aguardaria então sua resposta para que pudesse me dirigir até o caminhão que o líder dissesse para irmos. Buscaria Rose para ver se ela viria com a gente também, seria meio chato me separar dela agora que nos encontramos após tantos anos – por mais que nunca tivéssemos sidos super amigos ou algo do tipo. Enfim, assim que estivesse tudo ok com a minha discípula, eu voltaria a focar 100% na missão de explodir marinheiros e o super marinheiro encarregado da área para onde iríamos.

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"...você responde ao líder que há pouco te recrutou para essa missão"

 

Após ouvir aquela frase, uma sensação de frio na espinha tomou conta de Primrose. Não precisava olhar para Kobayashi para perceber que não havia condições de que alguém como ele pudesse liderar uma missão complexa como essa - a não ser que a primeira impressão a enganasse muito e, na verdade, ele fosse um gênio incompreendido. Pelo tratamento 'especial' que recebia até dos próprios membros da Spades, era improvável que ele conseguisse pensar em algo além de quebrar tudo que suas mãos tocassem.

 

A mulher vasculhou sua mente e anotações, procurando o momento em que foi recrutada pelo seu conhecido de infância. Felizmente ela percebeu que quem realizou o recrutamento foi o próprio barman carrancudo, e que era dele que estavam se referindo quando o assunto era liderança do grupo. Chegando a essa conclusão, o início de um colapso nervoso foi pausado, dando lugar apenas para a desconfiança habitual e uma nova sensação de que estava na mira de alguém. Ao procurar o que a incomodava, notou o olhar perfurante do barman, provavelmente puto da vida por ela não ter pensando nele em primeiro lugar como líder.

 

A conversa que se seguiu levantou suspeitas sobre o controle da Spades no grupo, já que nesse momento a marinha parecia estar alguns passos na frente. Provavelmente havia algum informante com os bolsos bem cheios de berries rindo em algum lugar distante, mas não importava - esse tipo de corrupção parecia ser comum quando se tratava de organizações. Na verdade, esse desconhecido corrupto havia feito o favor de adiantar bastante o andamento das coisas.

 

Seguindo para onde o líder do seu esquadrão estava, Rose não pode deixar de notar a conversa direta que Nine estava tendo com Kobayashi. Poderia ser uma leve comida de rabo pelos problemas que Kobayashi criava? Poderia, mas não saberia dizer. Por mais curiosa que estivesse naquele momento, se aproximar sem motivo iria levantar muitas suspeitas - ainda mais que ela mesma já desconfiava que havia informantes. Bem, se fosse algo de interesse do grupo, Kobayashi provavelmente dividiria, caso não, ela tentaria descobrir de outra forma. Desapontada que a fofoca contada pela metade quase mata a fofoqueira, ela seguiu até o líder do seu grupo.

 

- Ei, barman. Você ainda não disse seu nome... Ou seu nome é barman? 

 

Uma vez que ele seria responsável pelo grupo, a caçadora sentia a necessidade de dar nome aos rostos, principalmente porque não confiava em nenhum ali - em Kobayashi por questões óbvias, no restante por serem todos um bando de desconhecidos (incluindo a tal da Claire). Colocando a mão em um painel, o Barman ainda sem nome abriu o acesso a uma espécie de garagem, com uma boa quantidade de transportes dentro. Apesar da surpresa pela tecnologia em posse da Spades, uma desconfiança maior se instalou na caçadora de recompensas. Aquilo ali não deveria ser tão fácil de transportar e manter escondido. Então como eles conseguiam isso? Passava por baixo do nariz da marinha ou tinha o aval dela para chegar até ali? Mas levando em conta que tinha um robozão brilhante dando informações e ordens, aquilo não deveria ser muito surpreendente, eles mesmos poderiam construir.

 

Uma vez que não tinha habilidades de navegação, Primrose se dirigia ao resto do grupo no caminhão designado.

 

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  • 2 weeks later...

An eye for an eye

 

***

 

 Turno

 

***

 

Devido à máscara, não dava para interpretar exatamente quais eram os pensamentos do Ás de Ouros. Seria interesse em Kobayashi? Alguma piadinha discreta? De qualquer forma, Kobayashi havia interpretado como algum tipo de deboche e Kobayashi reagiu, bem… Como um Kobayashi reagiria naquela situação. Levando à mão onde estaria a sua boca na máscara, o Ás deu algumas risadas bem discretas. No entanto, quase que imediatamente de recompôs em sua postura séria ao lembrar que Nine estava naquela conferência. Ela ainda era sua senpai, afinal.

 

- Diretor encarregado…? - a ás de paus parou por alguns instantes, tentando entender a frase - Ah… - disse, em um tom bastante monótono, quase elevando a sobrancelha em sua expressão, se é que era capaz de exibir este tipo de coisa - Realmente, trazer a cabeça de um almirante seria um feito em tanto e certamente contaria pontos para esse tipo de promoção. Mas não acho que sequer seria possível, dadas as circunstâncias - ponderaria, quase interessada no assunto, mas não aparentemente, graças à sua frieza habitual - Certo... - respondeu de forma um tanto pensativa à confirmação de Kobayashi.

 

Sua imagem, recuou. A mulher e o ciborgue, àquela altura, pareciam ocupados com as informações que chegavam nos aparatos ao redor, não mostrados pelas câmeras. Já silenciados, pareciam conversar acerca do trabalho que tinham de coordenar a operação à distância.

 

- Como soube?! - o barman respondeu a Prim com um ar um tanto surpreso - Barman Lúcio Moreira de Souza Araújo é meu nome de batismo… Uma ironia do destino se quer saber - prosseguiu arrumando o paninho sob seu ombro, momentaneamente descolando-se do ambiente agitado com um ar pensativo.

 

Enquanto isso, Kobayashi se aproximava um tanto preocupado com o comportamento de Claire. Quer dizer, se é que preocupação fosse algo que existisse no dicionário dele. 

 

- Huh? - a garota respondeu torcendo a sobrancelhas, com a primeira expressão do dia: uma de estranheza  - Ah… - suas sobrancelhas se elevaram, entendendo o que Kobayashi queria dizer - Não é nada - finalizou, voltando à sua frieza habitual com enorme facilidade.

 

Ela não chegou a reagir aos tapinhas, mas pela sua expressão, ficou um pouco incomodada. Àquela altura, Barman já havia voltado a dar seus gritos habituais, como se fosse um general ou algo do tipo tentando dar chacoalhões de realidade em seus soldados. Pelos comandos, alguns poucos seguiram para os carros de escolta e a maioria se dirigiu para os caminhões, dividindo-se em grupos iguais. Não precisou haver um comando exato de quem deveria ir para onde, os caçadores simplesmente souberam cooperar de forma adequada. Visto a certa indecisão dos dois que acompanhava, Claire revirou os olhos. Em seguida, analisou mais ou menos o tamanho dos grupos e, estalando a língua, seguiu em direção ao menor. Kobayashi acabou apenas seguindo-a e, de quebra, ainda arrastando Primrose consigo.

 

Não demorou muito para que os diversos motores dessem partida. De dentro da carreta, os três puderam sentir os solavancos que marcavam a partida em direção ao campo de batalha. Estavam todos em pé e um tanto amontoados, dado a quantidade de pessoas. No entanto, haviam suficientes alças presas no teto que serviam para apoio. Algo semelhante ao que se vê em transportes públicos. Após alguns minutos seguindo pelo corredor subterrâneo, os primeiros fachos de luz puderam ser vistos através das pequenas frestas na armadura do caminhão, que serviam de janelas. Ao longe, o som de explosões era nítido. Aparentemente, uma situação de cerco, de impasse, havia se formado. 

 

Ao que o som de brados de pessoas tornararam-se audíveis em meio às salvas de explosões, o caminhão começou a frear. Então, dos cantos da carreta, um chiado subitamente começou a ser ouvido. Algo típico de alto-falantes.

 

- Senhores, conforme previsto, um cerco se formou nessa batalha de trincheiras que a Ás de Paus arquitetou - a voz de Barman surgiu após alguns instantes do chiado - Mas, parece que apesar da intenção das trincheiras se manterem como um obstáculo, algumas acabaram sendo tomadas pelo inimigo - ele prosseguiu, em um tom firme, para não desmotivar ninguém - Como são recém-chegados, apenas tiveram tempo de armar morteiros nos pontos conquistados. Ainda não são páreos ao alcance dos nossos canhões flak em nossos bunkers em pontos estratégicos. No entanto, mesmo que apenas armados com morteiros de menor alcance, ainda conseguem evitar que nos aproximemos para retormar as trincheiras mais ao extremo norte... - prosseguiu, fazendo uma breve pausa - Atualização. Pelas informações que acabei de receber de infiltrados na retaguarda inimiga, os veículos anfíbios ainda estão a todo vapor, indo e vindo com novas tropas dos navios. Se não nos apressarmos, ainda que nossos canhões estejam conseguindo reduzir o número de veículos que conseguem cruzar a praia, em breve as trincheiras estarão abarrotadas demais de marinheiros para que possamos retormar! - finalizou, elevando o tom junto à frenagem completa do caminhão.

 

As portas traseiras abriram e todos pareceram sair com bastante pressa. Próximo ao ponto de parada do caminhão, havia uma pequena barraca militar. Em seu interior havia algumas mesas e um grande mapa, que aparentava ter sido feio às pressas, do campo de batalha. Barman rapidamente desceu de uma das caminhonetes armadas e seguiu para esse lugar, debruçando-se sobre alguns papéis na mesa. Segurando um den den mushi próximo de seus ouvidos, graças aos altos sons de explosões e disparos vindos de todos os lados, ele balançava a cabeça conforme as informações que vinham da boca do caracol.

 

- Ô DO CAMINHÃO!! - então, subitamente voltaria a gritar como o habitual - Quero que se encarreguem da situação e levem 90% do contingente no extremo leste da grande trincheira ao norte. Lá irão receber ordens de outro líder. A coisa tá preta, então... É PRA ONTEM!!! - bradou, com cara de putaço e aparentemente a um triz de xingar até a quinta geração do caçador.

 

Então, alguns dos homens que haviam deixado o caminhão e se preparado para entrar na fronteira logo adiante da barraca e do ponto de parada do caminhão. Conforme as ordens do líder, um momentâneo degrau na hierarquia daquele pequeno grupo havia se formado: Barman > Motoristas > os demais. Estes, então, começaram a separar os que iriam e os que ficariam. Algo que não demorou muito, já que tiveram que ordenar apenas apenas uns poucos a ficar por ali. A maioria, Kobayashi, Rose e Claire por tabela, acabaram sendo ordenados a voltarem para o caminhão. Entretanto, antes que isso pudesse acontecer…

 

- FILHOS DA PUTA!!!!! - Barman gritou da barraca em que estava, deixando o caramujo em sua mão completamente baratinado - Ô da braçadeira! - gritou para Kobayashi, mas mais por conta da barulheira - Preciso que você e seu grupo venha comigo! - disse, prontamente deixando a cabana e indo em direção a um dos veículos de escolta - Surgiram problemas na base da cordilheira ao leste! Se não formos rápidos... A COBRA VAI FUMAR NESSA DESGRAÇA! - finalizou puto, conforme batia a porta do motorista, após entrar no veículo.

 

Conforme esperava os três tomarem suas decisões, pressionava a buzina do carro de forma ininterrupta. Pela sua expressão, era como se fosse uma panela de pressão, prestes a explodir. A coisa parecia feia mesmo. Ademais, no caminhão era visível haver apenas um assento ao lado do barman Barman. Rose e Koba até poderiam ter tentado decidir quem iria na frente, quem iria operando a metralhadora e quem iria sentado na caçamba, de prontidão. No entanto, Claire acabou tomando a iniciativa e imediatamente sentou ao lado do homem que buzinava sem parar. Estava com um ar de estranheza para todo aquele exagero, no entanto não era nada muito pronunciado. E, bem, ainda que fosse, Barman não parecia ser do tipo que ligava. Visto a situação, Kobayashi e Primrose deveriam decidir quem iria operar a arma e quem ficaria de prontidão na caçamba. A cada segundo que se passava, mais fumaça o homem no volante parecia soltar.

 

***

 

@Hemurin @ryu-ryu

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"Barman Lúcio Moreira de Souza Araújo

Habilidades: ?

É confiável? +/-, + pra -"

 

As anotações de Primrose deslizavam com sua letra descuidada pelo diário, agora já guardado em suas vestes enquanto tentava se distanciar do Barman e de seus gritos. Inicialmente, ela pretendia seguir qualquer fluxo de pessoas para subir em um dos carros, mas seus pés dançaram no mesmo lugar e ela apenas se virou quando percebeu um Kobayashi dando tapinhas consoladores na mulher que o acompanhava. Para Prim, ela parecia bem deslocada, aquele desinteresse que externalizava parecia forçado, enquanto mantinha o que quer que fosse preso atrás daquela máscara de tédio. Com desconfiança (ou seja, agindo naturalmente, uma vez que seguia bem o lema todos traem todos), Rose se voltaria para Kobayashi.

 

- Quem é essa daí mesmo? - perguntaria para Kobayashi, enquanto encarava Claire nos olhos pela primeira vez, tentando extrair algum comportamento que fugisse daquela expressão indiferente. Apesar da palidez quase doentia e a cara de cu, a postura e os músculos era de alguém que fazia algum tipo de treinamento.

 

Com os gritos do até então general no comando voltando a tomar conta dos seus pensamentos, Prim sentiu a mão de Kobayashi a puxar para algum dos carros enquanto ela aceitava ser guiada. Porém, antes de entrar no caminhão, ela deu uma leve puxada em Kobayashi e colocou um indicador sob os seus lábios (um claro sinal de silêncio) para poder avaliar o que os aguardava ali dentro.

 

- Vamos olhar antes de sair colocando a cabeça por aí, sim? Podem ter planejado uma pegadinha de mal gosto... - então ela dá uma olhada rápida no interior em busca de alguma coisa que pareça ser uma armadilha, até mesmo um apagador idiota. - Tudo certo, vamos lá. - Sem identificar nada de suspeito, ela apenas entra normalmente e segura a alça de apoio do caminhão.

 

Como se fosse uma boa ideia, a mulher aproveita a alça para fazer alguns alongamentos, mas com o caminhão ficando cada vez mais cheio, ela pausa o seu exercício e começa a ficar desconfortável a ponto de se incomodar com aquele aperto. Como bater os cotovelos nas pessoas ao redor geraria mais aperto e desconforto, além de reclamações e uma possível retaliação, ela tenta uma abordagem diferente.

 

- Kobayashi, se você esbarrar a mão aí, eu te mato. - sussurra baixinho, avisando ao conhecido de infância que não perdoaria nenhuma mão boba. Então ela volta para a sua tentativa de se livrar do aperto - ATCHIIIIM! Acho que foi a gripe que peguei na viagem, não sinto o gosto da comida e tenho tontura toda vez que espirro, sem contar o mau hálito... As vezes não sinto minha perna direita também... - ela esperava horrorizar os outros passageiros com a simulação de espirro e a conversa fiada, tentando ganhar espaço. - O que é que você tá fazendo nessa ilha mesmo, Kobayashi?

 

Após ouvir as informações gritadas pelo Barman do sistema de rádio dentro do caminhão, o grupo desce em uma espécie de centro de comando no campo de batalha para receber mais instruções gritadas do homem no comando, o que acaba deixando um leve zumbido em um dos ouvidos da mulher. Seguindo as próximas ordens só para se livrar daquela barulheira, ela é interrompida por mais gritos e uma mudança de planos, anotando rapidamente a situação que parece estar ficando cada vez mais tensa.

 

- Ele sempre fala nesse tom doce? - pergunta a caçadora, enfiando um dos dedos no ouvido na tentativa de se livrar do zumbido. Com Claire tomando o seu lugar ao lado do Barman, sobram apenas dois lugares, e como Kobayashi não aparenta ser um atirador ou usar alguma arma de fogo (ainda mais porque não carregava nenhuma), Primrose achou mais lógico se dirigir até a metralhadora. - Vou na metralhadora metendo bala. Vê se fica de olho nessa esquisita, ela tem cara de quem tá aprontando. - Rose falaria de forma descuidada para Kobayashi e seguiria rumo a arma. - É só mirar e apertar aqui pra atirar, certo, Barman? Vou precisar trocar o cartucho?

Edited by Hemurin
esqueci de botar Tahoma ;_;
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Eu estudei bastante o comportamento da Claire desde que começamos a conviver juntos após eu resgatá-la das mãos delinquentes inimigas. Desde que acordava de manhã para os exercícios físicos diários até a noite antes de dormir, eu observava como a mulher lidava com as coisas ao seu redor – desde os pedidos simples como “pode levar esse lixo até o incinerador?” até os pedidos mais complexos como “invada daquela área tomada por delinquentes sozinhas e traga a vitória para a nossa escola”; em todos, a expressão de Claire nunca mudava. Ela sempre mantinha o resto inexpressível de sempre, independente do que estivesse fazendo. Isso me encucou por muito tempo, tanto que eventualmente eu apenas me acostumei; decidi aceitar que aquela era a Claire e ponto final.
 

Mas algo parecia estranho dessa vez. Ela não estava apenas sendo a Claire, algo me incomodava – como se me dissesse que algo estava incomodando-a também. O que era eu não iria descobrir sem que ela me falasse; coisa que realmente só aconteceria se ela quisesse me falar e isso, até hoje, é algo que eu não me recordo de ter acontecido. A Claire é do tipo que leva seus problemas pro caixão com ela, só dividindo comigo se for muito extremo. Ao ouvir sua resposta após a minha tentativa de anima-la, cheguei à conclusão de que, assim como no começo da nossa relação, iria ficar de olho nela novamente para tentar entender o que estava acontecendo dessa vez.
 

- Hã? Eu já não tinha apresentado vocês? Enfim, ela é a Claire. Claire Del Lune, uma ex-delinquente que eu resgatei desse mau caminho e a coloquei de volta no dos estudantes. Hoje ela é minha amiga e discipula! Ah... É ISSO! – Cheguei a uma boa conclusão após responder à pergunta da Rose.
 

Durante esse tempo todo eu fui o único amigo que a Claire realmente tivera para conversar sobre seus problemas (coisa que eu realmente não lembro se ela chegou a fazer alguma vez), e eu sou um homem! Ela certamente deve ter sentido falta de conversar com alguém do mesmo sexo, uma amizade feminina era o que ela precisava! Certamente há coisas que não dá pra conversar com um homem sem que sinta vergonha e nós não éramos tão próximos assim... Seria isso o motivo dela estar daquela forma estranha hoje?

-
Rose! Você poderia- – A minha ideia seria pedir para que a Rose tentasse se aproximar um pouco da Claire, mas uma gritaria vinda do Barman acabou me lembrando que estávamos no meio de um preparativo de guerra contra a escola da marinha.
 

Suspirei lentamente por alguns segundos enquanto seguia para um dos caminhões restantes com as duas, perdendo a minha chance de pedido por hora. Por algum motivo a Rose parecia bastante cautelosa quanto ao caminhão em questão que subiríamos, fazendo questão de investigar se não havia pegadinhas de mal gosto nele, mas acredito que aquela não era a ocasião. Se fossem preparar algo assim seria numa sala de aula, não em um veiculo de guerra... Ou será que aquilo era a forma da Rose de me alertar que podiam haver delinquentes infiltrados na nossa escola? MALDITOS, ISSO EXPLICARIA COMO CONSEGUIRAM FURAR A REDE DE INFORMAÇÃO DA SPADES!
 

Assim que ela verificou que estava tudo certo, respondi seu bom trabalho com um joinha mais para deixar claro que havia entendido a mensagem. Agora, além de ter que explodir os marinheiros, ficar de olho na Claire para descobrir o que tava rolando com ela e também pedir para que a Rose tentasse se aproximar dela, eu precisava ficar de olho nos meus aliados já que havia a chance de existir um traidor entre nós...
 

Uma guerra, de certa forma, começou a parecer mais trabalhosa pra mim do que uma prova de matemática.
 

Já dentro do caminhão em movimento, recebi uma clara ameaça de morte caso tocasse onde não era necessário. Mas, o que ela quis dizer com isso? Havia mais alguma informação que ela queria me passar sem que os outros percebessem além da do suposto traíra? Ponderei sobre tal frase... Mais do que eu gostaria. Não consegui entender que tipo de informação era aquela, então teria que fazer uma abordagem mais direta. Aproximei meu rosto perto do ouvido dela que estivesse virado para o meu lado e lá, sussurraria um “O que houve? Há algo mais além de um traíra?” – aguardando então por mais respostas.
 

Então, para evitar que desconfiassem daquela aproximação, eu logo voltaria a minha posição original buscando inclinar meu corpo na direção de Claire mais uma vez. A encararia por alguns segundos antes de falar com a mulher.
 

- Tem certeza que cê tá bem? Não tem nada que queria me contar? – Indagaria a ela uma última vez, pelo menos por hora.
 

Eu me preocupava com a mulher, acho que isso ela não tinha como duvidar. Cheguei ao nível de assinar um contrato com a Stella onde, caso a mulher nos traísse ou causasse qualquer prejuízo, eu teria que pagar o valor dele multiplicado por três. Mas, pra mim, desde o começo, aquilo nunca fora realmente um "acordo". Era como se eu pudesse sentir que a Claire havia caído nas mãos dos delinquentes por falta de opção – culpa, provavelmente, de onde nasceu e principalmente dos seus pais irresponsáveis... Não, eu não posso afirmar isso sem conhecer o passado dela. Coisa que, também, ela nunca me contou. De qualquer forma, eu sabia que ela nunca iria nos trair ou me trair. Ela não era do tipo que cuspia no prato que comeu.
 

...Mas no fim, não era nada fácil ser o tutor de uma pessoa tão inexpressiva.


Entre espirros e reclamações de não estar se sentido bem, Rose deixava bem claro pra mim o quão expressiva era; talvez até demais. Eu podia ver pelos olhos dela que aquilo era encenação, provavelmente para limpar quaisquer dúvidas que um possível traidor responsável por passar informações a marinha tivesse sobre a gente que estivesse ali, então não cheguei a me preocupar de verdade sobre a sua condição – mas voltei minha atenção a ela rapidamente para responder sua pergunta.
 

- Sei lá. – Disse inicialmente, coçando meu ouvido esquerdo com o dedo mindinho da minha mão esquerda. –  Desde que entrei pra Spades o meu trabalho tem sido caçar delinquentes por aí, só que agora em nome de uma escola. Antes eu só andava por aí, saca? Querendo meu próprio território. Aí conheci a baixinha da Rose-senpai e bastante coisa mudou... Então deve ser por isso que tô aqui. Aí teve a baixinha da Stella também e agora também tem a baixinha da Nine... Espera, é o meu destino ser comandado por mulheres menores do que eu?! – Indaguei no fim, percebendo a peculiar semelhança das três.
 

Antes que eu pudesse me aprofundar nessa questão que era um tópico bastante interessante, chegamos ao local de desembarque. Fomos até uma barraca militar onde havia bastante informações daquela região, inclusive um mapa que parecia ter sido feito por uma criança da primeira série, mas que dava pra relevar já que deve ter sido feito as pressas devido a situação. O barman rapidamente tomou o seu papel de comandante e quase mergulhou sobre a mesa para acessá-las o mais rápido possível, usando um den den mushi para passar comandos e receber informações inimigas.
 

- Olha só, o cara é pica memo... Gostei. – Comentei com um sorriso confiante, levemente animado ao ver o empenho do Barman.
 

Apesar de animado; nossa hora de atacar ainda não havia chegado o que, pra mim, era inadmissível. Nem pelo um caralho eu iria retornar pro caminhão e esperar por novas ordens quando eu podia me mandar em alguma direção aleatória e encontrar algumas centenas de marinheiros pra explodir; mas não foi necessário isso. Antes que eu pudesse derramar toda a minha reprovação para aquela ordem, o Barman chamou o meu grupo para algo que parecia ser urgente – fazendo um sorriso animado retornar ao meu rosto.
 

Fomos em direção a um carro menor que os caminhões, onde haviam apenas dois lugares na frente e um espaço maior na traseira. Nunca que eu iria sentado ali dentro quando eu podia ficar do lado de fora pronto pra pular no primeiro desgraçado que aparecesse na minha frente, então a Claire ir lá fora a melhor decisão. Mas o que Rose falou pra mim em seguida me deixou levemente puto. Se aquela informação que ela me passou sobre o traíra da Spades estar sendo direcionada a Claire, eu não iria perdoá-la; mesmo que fosse uma antiga amiga de infância. Ela não fazia ideia de quantos merdinhas eu tive que explodir até que parassem com esse bullying em cima da Claire na Spades e eu não permitiria que ela retomasse isso. Se era assim que a Rose pensava sobre a Claire, então o meu pedido anterior de que ela tentasse se aproximar da minha discípula tinha acabado de ser cancelado. Eu mesmo não iria querer uma aproximação tóxicas dessas, não era isso que ela precisava.
 

- Fica de boa, beleza? Cê não sabe nada pelo o que ela passou, então vou deixar dessa vez só como um aviso. Mas se você voltar com essa merda de desconfiar da Claire de novo pra cima de mim eu vou explodir a sua cara, kuso onna. – A respondi em um tom sério, subindo enfim na traseira do caminhão.

Havia uma espécie de arma lá em cima que eu caguei, nunca que eu usaria algo que me impediria de ter uma luta corpo-a-corpo contra meus oponentes. Ficaria de olho é ao nosso arredor, pronto para inflar e partir pra cima do primeiro marinheiro que aparecesse na minha frente. A essa altura a comida que ranguei lá na taberna já havia sido digerida umas 5x devido ao meu estomago demoníaco, tanto que eu já estava sentido fome outra vez. E, dessa vez, eu não teria uma refeição saudável para encher o bucho – teria que me contentar em merendar todo mundo na porrada.

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  • 4 weeks later...

An eye for an eye

 

***

 

 Turno

 

***

 

 

Minimamente surpresa, Claire reagiu à pergunta um tanto direta de Rose encarando-a de volta. Ao perceber ser medida, não se fez de rogada e também tratou de fazê-lo: olhou Prim de cima a baixo. Mostrou-se ligeiramente expressiva, porém, qualquer que fosse a linha de raciocínio que havia desencadeado as mudanças faciais, subitamente foi interrompida pelo enérgico Kobayashi.

 

- Prazer, Claire - logo após a apresentação do representante, respondeu em tom apático, cruzando as pernas e abaixando-se ligeiramente em uma reverência bem femininah.

 

O assunto pareceu esfriar e, por isso, a garota voltou a cuidar da sua própria vida, checando as unhas de sua mão livre enquanto não chegavam ao destino. Não pareceu interessada nas demais coisas que aconteceram ao seu redor. Nem mesmo à ameaça viral que Primrose eventualmente disse representar. Além de Kobayash, ela pareceu ser a única a não ligar para qualquer que fosse o sintoma que Rose pudesse inventar: de falta de gosto a perna bamba, ela não parecia nem sequer escutar. Os demais caçadores ao redor, porém, não demoraram nem um pouco a fornecer o espaço à atiradora. Prim parecia meio doida, mas eles não queriam dar o braço a torcer. Tempos deh pandemiah, neh, amoreh.

 

- Nossa, como você tá emocionado hoje - meio seca, imediatamente responderia à indagação do rapaz quanto ao seu bem estar - Já disse que não foi nada - finalizou inexpressiva em seu tom de voz, apesar do ar grosseiro de suas palavras.

 

Seguindo o pedido do Barman, os dois rapidamente se aproximaram dos dois locais não ocupados. Então, Primrose prontamente assumiu a metralhadora, já que Kobayashi era o exato oposto de um atirador. Koba, de qualquer forma, nem sequer pareceu cogitar assumí-la, já que atirar e não lanchar ninguém na porrada seca era simplesmente chato demais para ele. 

 

- SIM!!!!! - pouco antes de dar a partida no motor, ainda buzinando sem parar, o Barman respondeu a Primrose, gritando como se estivesse em um daqueles jogos de sim ou não dentro da cabine no programa do Silvio Santos.

 

Numa arrancada violenta, Barman acelerou o veículo e deu uma volta no sentido leste. Pisando mais fundo ainda, em meio aos solavancos do terreno irregular, os quatro avançaram o mais rápido possível em direção à cadeia montanhosa ao leste. Como esperado de um campo de batalha, não demorou para que o verdadeiro inferno se instaurasse na terra. Os sons de explosão e combate já não eram distantes. Barman podia ter parado de gritar, mas nem por isso seus ouvidinhos seriam poupados: o lugar estava um caos.

 

Deram a volta na trincheira logo adiante do ponto de parada do caminhão e, então, passaram a leste da maior trincheira do campo de batalha. Àquela altura já era possível ver um bunker no topo da montanha, que estranhamente não demonstrava quaisquer sinais de estar disparando com o já conhecido canhão em sua estrutura. Se algo acontecia lá dentro, no entanto, graças às salvas de explosões dos morteiros inimigos, não era possível escutar qualquer coisa. 

 

Ao que se aproximavam do alcance máximo dos morteiros inimigos, o caminhão deu outro solavanco, contornando o limite com uma boa margem de segurança. Àquela altura, comunicação verbal era praticamente impossível. 

 

Logo atrás daquilo que era praticamente uma nuvem de disparos, os caçadores foram capazes de ver alguns marinheiros saindo da trincheira dominada, margeando o alcance dos morteiros e indo em direção à base da montanha onde o bunker Spades estava. Eles não eram os únicos e nem os mais adiantados, no entanto. Ao que olhassem do pé ao topo da montanha, poderiam ver marinheiros escalando em grupos na direção do bunker. Dado a falta de disparos, era de se imaginar que já devia estar em processo de tomada inimiga. No entanto, uma nítida confirmação da tomada do Bunker veio quando suas salvas de disparos subitamente foram retomadas. 

 

Mirando na direção da trincheira Spades imediatamente a oeste da trincheira marine mais avançada no território de Sôhmirs, o canhão parecia querer abrir caminho para o próximo Bunker. Os caçadores deveriam agir rápido, antes que a Marinha pudesse tomar mais outra trincheira. Ainda mais por se tratar de uma trincheira com um ponto estratégico tão importante quanto um bunker.

 

***

 

@ryu-ryu@Hemurin

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Primrose passou parte da sua vida comendo ameaças no café da manhã, almoço e jantar, então não é como se a resposta que recebeu de Koba fosse aliviar a sua desconfiança de Claire - até porque, mesmo ele tentando com toda a sua força parecer convincente na base do medo, a ameaça em si soava vazia. A impaciência do rapaz com esse assunto dava a sensação que o stress com a desconfiança na parceira era recorrente, e se outras pessoas também se comportavam assim quando se tratava dela... Bem, isso só levantava ainda mais suspeitas. Até ter uma conclusão útil para escrever no diário, ao lado do nome de Clair que agora estava seguido por uma interrogação bem grande, ela deixaria essa questão momentaneamente de lado - não que não fosse prestar atenção nas conversas do grupo ou fofocas que rolassem. Endireitou-se no assento da metralhadora, já pronta pra apertar o gatilho até a arma estourar de tanto tiro.

 

 

- ESSE SIM FOI PRA QUAL DAS PERGUNTAS, BARMAN? - a caçadora perguntou num grito dando socos na estrutura do veículo, sendo interrompida pelo primeiro de muitos solavancos após o motorista dar a arrancada. Se existiu alguma resposta, Rose mal escutou. - Eu não consigo mirar desse jeito nessa meeerdaaaa! - Reclamava Prim, enquanto sentia que ia ser lançada para fora do transporte no próximo buraco que o motorista jogasse o carro.

 

Sentindo falta de um cinto de segurança, ela utilizou as habilidades de sua akuma no mi para fazer uma corrente e se amarrar no encosto do banco. Isso pouco ajudou a estabilizar a mira, mas ela já imaginava que aquilo não iria melhorar, considerando que atirava com revólveres, e não metralhadoras de longo alcance - então apenas gastava as balas atirando em qualquer coisa que se parecesse um marine, e atiraria mais ainda caso recebesse uma saraivada de balas de volta.

 

- COMO ESSES DESGRAÇADOS SABEM A LOCALIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS? SE QUALQUER UM ACHA RAPIDINHO, NÃO AJUDA MUITO! - no calor do momento, a mulher continuava dando socos de frustração no veículo, mas nem isso estava sendo possível escutar por conta da confusão do momento. - E POR QUE VOCÊ NÃO ESTÁ GRITANDO, BARMAN? VOLTE A GRASNAR, VELHO! VOCÊS DOIS VÃO FAZER ALGUMA COISA OU FICAR SÓ DE CARONA?

 

O humor de Primrose piorava a cada revirada no estômago como consequência dos movimentos bruscos do transporte - ou seja, a quase todo momento. Ela não estava acostumada a essa simulação de montanha russa, e sentia o início de um enjoo se instalar bem de leve no estômago, o que ia deixar sua revolta ainda maior caso desperdiçasse a refeição maravilhosa com um belo vômito. De onde estava, não tinha muito o que fazer além de atirar, então esperava que a pessoa no volante a levasse logo para o bunker, assim poderiam resolver as coisas a pé.

 

Numa tentativa de proteger minimamente o veículo da chuva de balas que os rodeava, ela aproveitaria para cobrir a superfície dele com uma camada de mercúrio solidificado (principalmente suas costas), o suficiente para não reduzir a velocidade do veículo. Devolveria os tiros dessa vez não só com a metralhadora, mas com gotas afiadas de mercúrio também. Ainda que não causasse tanto dano físico às estruturas, o objetivo era que o mercúrio travasse as engrenagens, impedisse a movimentação dos equipamentos e entupisse os canos das armas o suficiente para ganhar tempo.

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A minha situação naquele momento não era nada divertida. Não só eu precisava me segurar para não sair voando sempre que o veículo pulava graças a algum buraco no chão como não tinha nada que eu pudesse fazer para atacar os marinheiros também, já que seria impossível de mirar em algum filho da puta com aquela instabilidade toda sem precisão alguma. Devido a isso, o meu humor estava começando a mudar novamente – ou seja, voltando ao estado normal onde eu estou sempre puto.
 

Por outro lado, Rose parecia estar bastante animada; usava a metralhadora do carro para disparar tiros e mais tiros em direções que eu nem tentava olhar pra não perder o balanço e sair voando por aí, o que me irritava também. Porque aquela maldita era a única capaz de se divertir naquela missão sendo que eu era de longe o mais empolgado com ela? Tsc. Sem falar na Claire que pela última resposta que me dera, parecia estar nos dias dela onde só de eu levantar a mão pra acenar já era motivo dela me dar as costas e me ignorar pelo resto do dia. Segundo ela, era pra evitar a fadiga, o que eu preferi nunca entender – apenas seguia sendo eu de qualquer forma.
 

- ACELERA ESSA TRANQUEIRA AÍ, PORRA! EU TAMBÉM QUERO ATACAR! – Bradaria para o Barman em um visível descontentamento com a minha falta de ação, torcendo para que chegassemos logo no nosso destino; torcendo em dobro para que tivesse bastante marinheiros por lá para eu descontar a minha atual frustração.

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  • 2 weeks later...

An eye for an eye

 

***

 

 Turno

 

***

 

Spoiler

 

 

- NÃÃÃÃOOO!!!!!!!!! - com algum delay, o barman respondeu à pergunta de Prim quanto a qual das perguntas.

 

No entanto, há  um bom tempo o campo de batalha já vinha impossibilitando a comunicação verbal. Primrose com certeza devia estar se sentindo como o próprio Silvio Santos, quando pergunta ao participante “Você quer trocar o que acabou de ganhar carromm por estamm… Linda torradeiram? Mah oe!” e ele grita “SIM!!” sem entender merda nenhuma. Exceto que dessa vez ela não saiu ganhando por ter deixado de pagar um carro para o participante do dinheiro da sua emissora. Ou, talvez, não. Já que naquela barulheira talvez fosse difícil de escutar qualquer coisa além de uns “bla bla blas”.

 

Procurando lidar com a barbeiragem do barman instabilidade do terreno, Rose imediatamente deu forma de correntes para o mercúrio que expelia, prendendo-se ao encosto do banco. Podia não possuir prática no combate com metralhadoras de longo alcance, mas ainda era atiradora e dotada de uma proficiência acima da média. Graças à estabilidade extra vinda de suas correntes, ao primeiro disparo Rose percebeu que aquilo não seria difícil como imaginava. Pelo contrário, sentia-se literalmente como um Bastion camper safado, derretendo os inimigos só de arrastar o mouse.

 

Naturalmente, enquanto a garota arrastava seu mouse, derretendo os inimigos em série, dando-lhes mais cara de minions do que de campeões, o Barman pode notar que a diversão havia começado. Ativando alguns mecanismos no volante do caminhão, fez um par de metralhadoras de alto calibre surgir da grade dianteira do veículo. Obviamente, tanto o mecanismo quanto o Barman não tinham boa mira, por isso, a fileira de projéteis incandescentes apenas seguiu serpenteando pelo campo de batalha conforme o front do veículo chacoalhava. Conforme acionava os dois dedões o mecanismo de disparo, o homem voltava a grasnar, putaralhaço, em processo de dissipar a enorme raiva que guardava em si. Não era preciso e nem precisava ser, já que vez ou outra as rajadas sucessivas de tiros acertavam um ou outro Marine safado no lugar errado na hora errada.

 

Como esperado, enquanto os dois neutralizavam uma grande quantidade de Marines que ousavam cruzar o descampado entre a trincheira e o pé das montanhas, alguns dos inimigos começaram a dirigir seu foco para a caminhonete em que estavam. Somada à resistência natural da lataria da caminhonete, a camada de mercúrio em seguida criada por Rose ajudou a parar basicamente todos os projéteis balísticos que foram atirados contra eles. No entanto, por razões de um mínimo de sanidade na direção, as janelas descobertas pelo metal, por mais que blindadas, acabaram rachando em diversos pontos. Não estilhaçaram, mas Claire e Barman puderam tomar alguns sustos com o impacto das balas contra o vidro.

 

Pouco antes de chegarem ao destino, Kobayashi inutilmente bradou alguma coisa impacientemente. O Barman nem sequer deu atenção e, Claire, apesar de impossibilitada de ouvir exatamente o que havia sido dito, tinha tido uma impressão geral do que ele queria dizer. Era como se pudesse sentir o que ele havia sentido momentaneamente. Cruzando os braços e estalando a língua, meteu um dos pés na porta ao seu lado. Conforme esperado, a vuvuzela, que Barman Lúcio chamava de boca, imediatamente voltou-se para o ouvido de Claire, que recebeu os gritos incompreensíveis em uma expressão de desprezo. No fim, ela não deu muita atenção à gralha de meia-idade, que certamente reclamava dos danos ao seu carro. Era uma porta blindada, afinal: seu ato era o equivalente ao de livrar-se de um dos escudos da formação de batalha. Entretanto, ela não parecia nem aí, já que a sua intenção parecia ser saltar na direção da luta corpo-a-corpo sem escudo algum, no foda-se.

 

Alguns instantes depois de lançar um olhar para Kobayashi através da vidraça que separava a cabine da caçamba, Claire desapareceu em algum tipo de movimento de alta velocidade. Reaparecendo próximo dos inimigos, já com seu cajado em mãos começou a desferir golpes contra os marines espalhados pelo campo de batalha. Enquanto lutava, com golpes físicos e desferindo alguns tiros de luz branca com sua arma, era como se tentasse provocar Kobayashi, não apenas dizendo, mas mostrando que não era necessário a caminhonete se aproximar para que pudessem se lançar ao combate corpo-a-corpo.

 

De qualquer forma, foi apenas questão de alguns instantes até que o veículo de escolta chegasse próximo ao pé da montanha, por onde os Marines começaram a escalar. Graças à pressão feita pelos disparos de Barman Lúcio e Primrose, além da investida agressiva de Claire, não havia nenhum marinheiro por ali. Os mais próximos ainda se aproximavam do descampado, vindos da trincheira, ou então se afastavam gradativamente ao escalar a montanha. Era como se uma fila de formigas tivesse sido destruída e gradativamente procurasse se recompor.

 

O veículo ainda não havia freado e Primrose, Kobayashi e, obviamente, Barman ainda estavam em seu interior. O homem deu indícios de que iria desligar o veículo para seguir para o campo de batalha a pé, mas um baque surdo imediatamente ecoou da direção da trincheira mais próxima dominada por Marines. Como qualquer Bastion que se preze, haviam chamado a atenção do time inimigo inteiro. Por isso, de alguma forma, um dos morteiros parecia ter conseguido estender seu alcance até a região em que o veículo Spades estava.

 

Sem perder tempo tentando comunicar-se verbalmente, esperando que aliados daquele nível hierárquico já soubessem se virar, pisou fundo e virou a caminhonete na direção da trincheira e, consequentemente, da bomba. Olhando fixamente para a bomba voadora e enegrecendo seu corpo inteiro com Haki do Armamento, ele desferiu uma cotovelada na vidraça atrás de sua cabeça. Com a barreira blindada arrombada, dentre um de seus diversos gritos, em meio às explosões Primrose e Kobayashi conseguiram ouvir um aparentemente grito distante, mas razoavelmente claro:

 

- VÃO!! SALTEM DESSA BANHEIRA DE MERDA!!!!

 

Então, usando de uma força sobre-humana, pisou com tanta força no acelerador do veículo, que simplesmente atravessou o piso do carro. Com a frente do carro virada para a trincheira e a caçamba voltada para a montanha, intencionalmente travou o pedal do veículo, fazendo com que esse mantivesse uma aceleração ininterrupta. Enquanto acionava mais alguns mecanismos e fazia uma contagem regressiva, estilo bomba-relógio, aparecer no lugar do velocímetro, chutou a porta ao seu lado, assim como Claire, fazendo a peça voar pelo campo de batalha. Por mais insano que parecesse, o barman completamente envolto pela armadura negra parecia querer dar um salto semelhante ao de Claire para, literalmente, dar um abraço de urso na bomba que vinha na direção deles.

 

Do lado de trás, na caçamba alinhada para a trilha que subia a montanha, Kobayashi e Primrose tinham uma visão privilegiada da fila de marinheiros em escalada na direção do bunker. Em conjunto com mais alguns inimigos em solo, que se reuniam num círculo ao redor de Claire para enfrentá-la, aparentemente eram aqueles marines que restavam para lidar antes que pudessem seguir para o bunker, que certamente também não devia estar vazio.

 

Eles podiam até ser minions, mas ainda estavam em quantidade suficiente para ameaçar até mesmo os três, que haviam sido deixados no pé da montanha pelo barman. De um lado, Claire parecia um pouco sobrecarregada e encurralada pelos 20 marinheiros restantes, que portavam lâminas e rifles. Do outro, os 10 marinheiros em escalada certamente tinham tido suas atenções chamadas pelas metralhadoras e a aproximação do veículo Spades. Por isso, interrompendo sua subida, começaram sacar suas armas de fogo na tentativa de impedir a aproximação dos Spades. A Primrose e Kobayashi restava apenas organizar-se quanto aos inimigos restantes e saltar com presteza daquela caminhonete, antes que ela explodisse em alguns segundos.

 

***

 

@Hemurin @ryu-ryu

 

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